Abordagem de policiais termina na morte de designer

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O designer estava num carro de aplicativo quando foi executado por policiais civis no Bugio
O designer estava num carro de aplicativo quando foi executado por policiais civis no Bugio

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Publicada em 10/04/2019 às 10:00:00

 

Gabriel Damásio
O designer de interi-
ores Clautenes 
José dos Santos, 37 anos, morreu baleado na noite desta segunda-feira, durante uma abordagem de policiais civis da Divisão de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV). Eles faziam um bloqueio na ponte da Avenida Serafim Bonfim, bairro Santos Dumont (zona norte da capital) e buscavam por suspeitos de integrarem uma quadrilha de roubo de veículos. Em uma das abordagens, os agentes atiraram contra um carro do aplicativo Uber, no qual estavam Clautenes e um colega. O designer, que estava no banco da frente, foi atingido no rosto e chegou a ser levado ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), mas morreu no caminho. 
Segundo o relato de familiares e testemunhas, Clautenes e o colega estavam a caminho a caminho da Barra dos Coqueiros, onde moravam, e voltavam de um encontro de amigos na casa paroquial do conjunto Bugio. No caminho, eles pararam em um bloqueio montado por policiais armados e encapuzados, que estavam a procura de suspeitos de integrarem uma quadrilha de roubo de carros. A testemunha relatou que os policiais abriram fogo assim que o motorista do aplicativo abaixou os vidros. Depois que os tiros pararam, eles constataram que o designer estava com a cabeça ensanguentada e colocaram-no na carroceria de uma caminhonete, a caminho do hospital. O motorista do carro foi baleado na perna e também foi levado ao Huse. 
Inicialmente, os policiais disseram que os ocupantes do carro teriam reagido à abordagem, mas voltaram atrás e admitiram o erro na abordagem, depois que primeira a versão foi confrontada pela família. O irmão da vítima, Cleverton Santos, negou ter havido qualquer reação à abordagem e disse que os agentes da DRFV teriam confundido o carro do aplicativo com o que era usado pelos suspeitos investigados. "Pelas informações que a gente tem, os agentes estavam a procura de ladrões de automóveis, mas confundiram o carro no qual meu irmão estava com o carro dos marginais, e fizeram os disparos. O veículo foi parado e imediatamente alvejado", disse Cleverton, ao citar a seguinte frase atribuída aos policiais que atuaram na abordagem: "Matamos o cara errado!".
A morte de Clautenes foi constatada durante a madrugada de ontem e o corpo foi liberado pela manhã no Instituto Médico-Legal (IML). Os familiares demonstraram choque e revolta com o desfecho da operação policial e cobraram uma resposta das autoridades para o caso, mas deixaram clara a sensação de injustiça deixada pelo episódio. "O meu irmão não era marginal e nem era envolvido em nada ilícito. Era um jovem trabalhador, muito alegre, muito amigo, muito família. Ele não merecia uma morte trágica e violenta como essa. A gente espera justiça e que os culpados sejam punidos. Que a polícia seja mais preparada, faça seu papel e dê mais segurança ao cidadão, sem sair parando automóvel e atirar achando que ali estão os marginais", desabafou Cleverton. 
O corpo de Clautenes dos Santos foi levado para Igreja Matriz de Santa Luzia, na Barra dos Coqueiros, onde aconteceu o velório e uma missa de corpo presente. À tarde, o corpo foi enterrado no cemitério municipal. 
Investigação - A Secretaria da Segurança Pública (SSP) ordenou a abertura de um inquérito policial para apurar a ocorrência, sob responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Corregedoria de Polícia Civil (Corregepol). A diretora da unidade, delegada Thereza Simony Nunes Silva, os três policiais envolvidos nesta operação foram chamados para prestar depoimento e contarem sua versão. O motorista do aplicativo e o amigo de Clautenes que estava no carro também já foram ouvidos. A Civil confirmou que os agentes da DRFV estavam no Bugio para investigar o roubo de um veículo Corola, mas não confirmaram a denúncia. No retorno, eles se depararam com o veículo de aplicativo e decidiram realizar a abordagem.
Em coletiva de imprensa no fim da manhã, Thereza disse ser prematuro apresentar agora as conclusões do que aconteceu. "O caso não é tratado no primeiro momento como erro policial. Os policiais estavam a serviço, numa missão de apuração de roubos de veículos naquela área da cidade e ocorreu um desfecho que está sendo objeto de apuração pelo DHPP. O inquérito vai apurar o que ocorreu depois dessa abordagem e as conclusões serão passadas em breve à sociedade. O caso aconteceu a menos de 12 horas e ainda é muito prematuro tirar alguma conclusão. Temos 30 dias para concluir o inquérito e faremos o possível para cumprir o prazo legal", pontuou.
A corregedora-geral da Polícia Civil, Erika Farias Magalhães, ressaltou que, neste primeiro momento, não há necessidade de adotar medidas administrativas de afastamento dos policiais da atividade-fim. "Estamos aguardando a conclusão do inquérito policial para decidir se haverá necessidade de adotar providências na esfera administrativa. Os policiais já foram ouvidos e a princípio não serão afastados de suas funções".
O caso também será acompanhado pela Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial, do Ministério Público do Estado (MPE), que pediu acesso ao inquérito do DHPP e também vai instaurar um processo administrativo. Em mensagem no Twitter, o governador Belivaldo Chagas comentou a morte de Clautenes e a ordem que deu à SSP para apurar o caso com rigor. "A determinação para a Secretaria da Segurança Pública é apurar de forma rigorosa o ocorrido, buscando o pleno esclarecimento dos fatos. Apoio as ações das nossas polícias, militar e civil, no combate à criminalidade, mas quero deixar claro para toda sociedade que prezo pela Justiça e não compactuarei com nenhum tipo de erro, caso ocorra", escreveu.

Gabriel Damásio

O designer de interi- ores Clautenes  José dos Santos, 37 anos, morreu baleado na noite desta segunda-feira, durante uma abordagem de policiais civis da Divisão de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV). Eles faziam um bloqueio na ponte da Avenida Serafim Bonfim, bairro Santos Dumont (zona norte da capital) e buscavam por suspeitos de integrarem uma quadrilha de roubo de veículos. Em uma das abordagens, os agentes atiraram contra um carro do aplicativo Uber, no qual estavam Clautenes e um colega. O designer, que estava no banco da frente, foi atingido no rosto e chegou a ser levado ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), mas morreu no caminho. 
Segundo o relato de familiares e testemunhas, Clautenes e o colega estavam a caminho a caminho da Barra dos Coqueiros, onde moravam, e voltavam de um encontro de amigos na casa paroquial do conjunto Bugio. No caminho, eles pararam em um bloqueio montado por policiais armados e encapuzados, que estavam a procura de suspeitos de integrarem uma quadrilha de roubo de carros. A testemunha relatou que os policiais abriram fogo assim que o motorista do aplicativo abaixou os vidros. Depois que os tiros pararam, eles constataram que o designer estava com a cabeça ensanguentada e colocaram-no na carroceria de uma caminhonete, a caminho do hospital. O motorista do carro foi baleado na perna e também foi levado ao Huse. 
Inicialmente, os policiais disseram que os ocupantes do carro teriam reagido à abordagem, mas voltaram atrás e admitiram o erro na abordagem, depois que primeira a versão foi confrontada pela família. O irmão da vítima, Cleverton Santos, negou ter havido qualquer reação à abordagem e disse que os agentes da DRFV teriam confundido o carro do aplicativo com o que era usado pelos suspeitos investigados. "Pelas informações que a gente tem, os agentes estavam a procura de ladrões de automóveis, mas confundiram o carro no qual meu irmão estava com o carro dos marginais, e fizeram os disparos. O veículo foi parado e imediatamente alvejado", disse Cleverton, ao citar a seguinte frase atribuída aos policiais que atuaram na abordagem: "Matamos o cara errado!".
A morte de Clautenes foi constatada durante a madrugada de ontem e o corpo foi liberado pela manhã no Instituto Médico-Legal (IML). Os familiares demonstraram choque e revolta com o desfecho da operação policial e cobraram uma resposta das autoridades para o caso, mas deixaram clara a sensação de injustiça deixada pelo episódio. "O meu irmão não era marginal e nem era envolvido em nada ilícito. Era um jovem trabalhador, muito alegre, muito amigo, muito família. Ele não merecia uma morte trágica e violenta como essa. A gente espera justiça e que os culpados sejam punidos. Que a polícia seja mais preparada, faça seu papel e dê mais segurança ao cidadão, sem sair parando automóvel e atirar achando que ali estão os marginais", desabafou Cleverton. 
O corpo de Clautenes dos Santos foi levado para Igreja Matriz de Santa Luzia, na Barra dos Coqueiros, onde aconteceu o velório e uma missa de corpo presente. À tarde, o corpo foi enterrado no cemitério municipal. 

Investigação - A Secretaria da Segurança Pública (SSP) ordenou a abertura de um inquérito policial para apurar a ocorrência, sob responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Corregedoria de Polícia Civil (Corregepol). A diretora da unidade, delegada Thereza Simony Nunes Silva, os três policiais envolvidos nesta operação foram chamados para prestar depoimento e contarem sua versão. O motorista do aplicativo e o amigo de Clautenes que estava no carro também já foram ouvidos. A Civil confirmou que os agentes da DRFV estavam no Bugio para investigar o roubo de um veículo Corola, mas não confirmaram a denúncia. No retorno, eles se depararam com o veículo de aplicativo e decidiram realizar a abordagem.
Em coletiva de imprensa no fim da manhã, Thereza disse ser prematuro apresentar agora as conclusões do que aconteceu. "O caso não é tratado no primeiro momento como erro policial. Os policiais estavam a serviço, numa missão de apuração de roubos de veículos naquela área da cidade e ocorreu um desfecho que está sendo objeto de apuração pelo DHPP. O inquérito vai apurar o que ocorreu depois dessa abordagem e as conclusões serão passadas em breve à sociedade. O caso aconteceu a menos de 12 horas e ainda é muito prematuro tirar alguma conclusão. Temos 30 dias para concluir o inquérito e faremos o possível para cumprir o prazo legal", pontuou.
A corregedora-geral da Polícia Civil, Erika Farias Magalhães, ressaltou que, neste primeiro momento, não há necessidade de adotar medidas administrativas de afastamento dos policiais da atividade-fim. "Estamos aguardando a conclusão do inquérito policial para decidir se haverá necessidade de adotar providências na esfera administrativa. Os policiais já foram ouvidos e a princípio não serão afastados de suas funções".
O caso também será acompanhado pela Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial, do Ministério Público do Estado (MPE), que pediu acesso ao inquérito do DHPP e também vai instaurar um processo administrativo. Em mensagem no Twitter, o governador Belivaldo Chagas comentou a morte de Clautenes e a ordem que deu à SSP para apurar o caso com rigor. "A determinação para a Secretaria da Segurança Pública é apurar de forma rigorosa o ocorrido, buscando o pleno esclarecimento dos fatos. Apoio as ações das nossas polícias, militar e civil, no combate à criminalidade, mas quero deixar claro para toda sociedade que prezo pela Justiça e não compactuarei com nenhum tipo de erro, caso ocorra", escreveu.