Luz nova no Centro de Aracaju

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Centro Cultural de Aracaju é chamariz de gente no coração da cidade
Centro Cultural de Aracaju é chamariz de gente no coração da cidade

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Publicada em 10/04/2019 às 09:48:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O centro histórico de 
Aracaju esteve 
mergulhado em sombras durante muito tempo, entregue a tudo o quanto não presta. Ainda é assim em quase todo o quadrado de Pirro. Tão logo baixa a coisa fria também chamada noite, para lembrar Drummond, as ruas ficam desertas. 
Eu falo com conhecimento de causa. Morei durante dois anos no trecho mais feio da Rua Propriá, aos pés da Catedral Metropolitana, a maior aventura dos meus vinte e poucos anos, quando abandonei a barra das saias de minha mãe para arcar com as consequências de minhas escolhas e ganhar a vida como estagiário deste Jornal do Dia. Lá não é lugar de gente, ouvi então de um amigo. De fato, para fidalgos como ele, rebento próspero de uma boa família, as prostitutas, as travestis, os mendigos e viciados na batalha da noite local são mesmo criaturas de outra laia.
 As palavras de Fulaninho soaram de novo em meus ouvidos, ao saber da apresentação do músico Hamilton de Holanda na próxima edição do projeto Quinta Instrumental, dia 25 de abril, promovido pela Funcaju. Uma internauta cheia de ideias, como sói acontecer nas redes sociais, não gostou do local eleito para abrigar o show, o Centro Cultural localizado na Praça General Valadão, marco zero de Aracaju. Segundo ela, sempre amparada em pré-conceitos e meias verdades, eventos desta natureza deveriam ser realizados na Orla, como ocorreria no Rio de Janeiro. Em suas próprias palavras, deste modo o evento "seria lindo".
Ao contrário do que parece pensar a moça, a revitalização dos centros históricos, em pauta mundo afora, não se dá apenas com a reforma e manutenção de prédios vacilantes. Neste particular, não faltam exemplos lamentáveis aqui mesmo na capital de Sergipe. Basta observar o que foi feito do saudoso Cacique Chá. Sem função cultural e a necessária injeção de vida, o palco dos maiores debates já travados na aldeia serve hoje uma refeição meia boca, foi transformado em mero restaurante. Do passado glorioso, resta apenas a arquitetura curiosa, em formato de oca.
Em minhas noites sem dinheiro na Rua Propriá, um aparelho como o Centro Cultural de Aracaju, com as portas abertas para todo tipo de gente, fez uma falta danada. O encrenqueiro Roberto Nunes falava em projetar os filmes do Cine Cult nas paredes do casarão abandonado. Mas a ideia nunca passou de mais uma lorota. Sem outro remédio, nós dois gastamos tudo o que nunca tivemos para matar o tédio. Bebemos juntos até perder o respeito mútuo, antes de apelar para o fiado.

O centro histórico de  Aracaju esteve  mergulhado em sombras durante muito tempo, entregue a tudo o quanto não presta. Ainda é assim em quase todo o quadrado de Pirro. Tão logo baixa a coisa fria também chamada noite, para lembrar Drummond, as ruas ficam desertas. 
Eu falo com conhecimento de causa. Morei durante dois anos no trecho mais feio da Rua Propriá, aos pés da Catedral Metropolitana, a maior aventura dos meus vinte e poucos anos, quando abandonei a barra das saias de minha mãe para arcar com as consequências de minhas escolhas e ganhar a vida como estagiário deste Jornal do Dia. Lá não é lugar de gente, ouvi então de um amigo. De fato, para fidalgos como ele, rebento próspero de uma boa família, as prostitutas, as travestis, os mendigos e viciados na batalha da noite local são mesmo criaturas de outra laia.
 As palavras de Fulaninho soaram de novo em meus ouvidos, ao saber da apresentação do músico Hamilton de Holanda na próxima edição do projeto Quinta Instrumental, dia 25 de abril, promovido pela Funcaju. Uma internauta cheia de ideias, como sói acontecer nas redes sociais, não gostou do local eleito para abrigar o show, o Centro Cultural localizado na Praça General Valadão, marco zero de Aracaju. Segundo ela, sempre amparada em pré-conceitos e meias verdades, eventos desta natureza deveriam ser realizados na Orla, como ocorreria no Rio de Janeiro. Em suas próprias palavras, deste modo o evento "seria lindo".
Ao contrário do que parece pensar a moça, a revitalização dos centros históricos, em pauta mundo afora, não se dá apenas com a reforma e manutenção de prédios vacilantes. Neste particular, não faltam exemplos lamentáveis aqui mesmo na capital de Sergipe. Basta observar o que foi feito do saudoso Cacique Chá. Sem função cultural e a necessária injeção de vida, o palco dos maiores debates já travados na aldeia serve hoje uma refeição meia boca, foi transformado em mero restaurante. Do passado glorioso, resta apenas a arquitetura curiosa, em formato de oca.
Em minhas noites sem dinheiro na Rua Propriá, um aparelho como o Centro Cultural de Aracaju, com as portas abertas para todo tipo de gente, fez uma falta danada. O encrenqueiro Roberto Nunes falava em projetar os filmes do Cine Cult nas paredes do casarão abandonado. Mas a ideia nunca passou de mais uma lorota. Sem outro remédio, nós dois gastamos tudo o que nunca tivemos para matar o tédio. Bebemos juntos até perder o respeito mútuo, antes de apelar para o fiado.