MAPA DOS GOLPES

Opinião

 

* Inocêncio Nóbrega
O golpe de 1964 é parte da doutrina anticomunista para a América Latina, desenvolvida pelo Pentágono, ao tempo da Guerra Fria. Bastava uma piscada de olhos de governos que pregassem autodeterminação dos povos, maioria deles eleitos pelo sufrágio universal, e seriam substituídos, acaso não seguissem a cartilha imperialista.  O Pentágono administrava, genericamente, o processo estratégico, estudos, serviços de inteligência, espionagem, formação de instrutores e empregos de armas, a fim de obter-se o esperado êxito na suspensão da democracia dos países sob sua mira. Indispensáveis instruções ministradas a estagiários nas escolas militares estadunidenses sediadas na Zona do Canal do Panamá.  Segundo o pensador e escritor paraibano Agassiz Almeida, entre 1950/65, 32.500 latino-americanos passaram por tais centros de instrução; em 1970, 54.270 e em 1975, 72.200.  Golpes de estado que cobriram 85,79% desse território, impondo-lhe regimes de força, com seções de tortura, mortes e exclusão de direitos. 
A primeira experiência golpista no Continente, nesse período, vinga na Guatemala (1954), quando é deposto o pres. Jacobo Guzman. A seguir:  Venezuela, 1958; Peru, 1962; novamente Guatemala, Equador e Rep. Dominicana, 1963; Brasil, 1964 (1º de abril) e, em novembro, Bolívia; Argentina, três vezes:  1966, 1972 e 1976; Panamá, 1968; Chile; 1973, e Uruguai, 1976.  Realmente, havia casos apenas de tentativa de tomada do poder e de levante popular. 
No limiar desse novo milênio a geopolítica norte-americana passa adotar procedimentos mais brandos e menos letais, sem prejuízo da eficácia de seus macabros propósitos. Na Venezuela, o curto-circuito golpista de 2002. Em Honduras, 2009, de Manuel Zelaya, e no Paraguai, de  F. Lugo, 2010, cuja participação parlamentar é testada, com sucesso. Não deu certo, porém, no Equador, de Rafael Correa. Introduz-se, mais tarde, o insumo de que faltava, o lawfare: uso da lei como instrumento de ataque, para o qual o Judiciário colabora. Os componentes da Lava-Jato, Sérgio Moro um deles, são treinados pelo Deptº de Justiça dos EUA.    Casa-se com o Congresso Nacional, cujos efeitos são imediatos, levando a presidência de D. Rousseff ao cadafalso, em 2016. Esse laboratório continuado descobre mais um elemento, o fake news, notícias falsas, que entorpeceram o eleitorado brasileiro. Eleito Bolsonaro, para dar sustentabilidade ao golpe anterior.
ais fórmulas têm enfartado nossas democracias. Cria-se a figura autoproclamatória, surge o primeiro embuste, na Venezuela, para derrubar o pres. Maduro. Renasce a bipolaridade política no mundo:  Rússia/China  e Tio Sam, para meditação deste.
* Inocêncio Nóbrega, jornalista
inocnf@gmail.com

* Inocêncio Nóbrega

O golpe de 1964 é parte da doutrina anticomunista para a América Latina, desenvolvida pelo Pentágono, ao tempo da Guerra Fria. Bastava uma piscada de olhos de governos que pregassem autodeterminação dos povos, maioria deles eleitos pelo sufrágio universal, e seriam substituídos, acaso não seguissem a cartilha imperialista.  O Pentágono administrava, genericamente, o processo estratégico, estudos, serviços de inteligência, espionagem, formação de instrutores e empregos de armas, a fim de obter-se o esperado êxito na suspensão da democracia dos países sob sua mira. Indispensáveis instruções ministradas a estagiários nas escolas militares estadunidenses sediadas na Zona do Canal do Panamá.  Segundo o pensador e escritor paraibano Agassiz Almeida, entre 1950/65, 32.500 latino-americanos passaram por tais centros de instrução; em 1970, 54.270 e em 1975, 72.200.  Golpes de estado que cobriram 85,79% desse território, impondo-lhe regimes de força, com seções de tortura, mortes e exclusão de direitos. 
A primeira experiência golpista no Continente, nesse período, vinga na Guatemala (1954), quando é deposto o pres. Jacobo Guzman. A seguir:  Venezuela, 1958; Peru, 1962; novamente Guatemala, Equador e Rep. Dominicana, 1963; Brasil, 1964 (1º de abril) e, em novembro, Bolívia; Argentina, três vezes:  1966, 1972 e 1976; Panamá, 1968; Chile; 1973, e Uruguai, 1976.  Realmente, havia casos apenas de tentativa de tomada do poder e de levante popular. 
No limiar desse novo milênio a geopolítica norte-americana passa adotar procedimentos mais brandos e menos letais, sem prejuízo da eficácia de seus macabros propósitos. Na Venezuela, o curto-circuito golpista de 2002. Em Honduras, 2009, de Manuel Zelaya, e no Paraguai, de  F. Lugo, 2010, cuja participação parlamentar é testada, com sucesso. Não deu certo, porém, no Equador, de Rafael Correa. Introduz-se, mais tarde, o insumo de que faltava, o lawfare: uso da lei como instrumento de ataque, para o qual o Judiciário colabora. Os componentes da Lava-Jato, Sérgio Moro um deles, são treinados pelo Deptº de Justiça dos EUA.    Casa-se com o Congresso Nacional, cujos efeitos são imediatos, levando a presidência de D. Rousseff ao cadafalso, em 2016. Esse laboratório continuado descobre mais um elemento, o fake news, notícias falsas, que entorpeceram o eleitorado brasileiro. Eleito Bolsonaro, para dar sustentabilidade ao golpe anterior.
ais fórmulas têm enfartado nossas democracias. Cria-se a figura autoproclamatória, surge o primeiro embuste, na Venezuela, para derrubar o pres. Maduro. Renasce a bipolaridade política no mundo:  Rússia/China  e Tio Sam, para meditação deste.
* Inocêncio Nóbrega, jornalista inocnf@gmail.com

 


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