A metamorfose de Isa Barreto

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Mulher e pássaro
Mulher e pássaro

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Publicada em 23/03/2019 às 06:14:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Isa Barreto estudou a 
vida inteira, não precisa 
da chancela de um jornalista analfabeto no vocabulário dos gestos para cumprir o próprio destino. No entanto, a pré estreia do espetáculo 'Avear' merece mais do que o aplauso espantado de quem esteve presente na Reciclaria, última quinta-feira, ao cair do pano. E ficará aqui para sempre guardada em letra de imprensa. 
Com 'Avear', Isa dispõe de si mesmo, carne e osso, para se afirmar artista. E a julgar pelo que ela pronuncia na performance, mesmo sem dizer palavra, já passou da hora de a moça ganhar asas. Antes de alçar vôo e desfrutar as carícias do vento, entretanto, todo mundo tem de experimentar a dor muito natural do crescimento. Isa aproveitou esse momento decisivo para trocar de pele no centro do palco, em frente a uma plateia.
Não à toa, toda a encenação sugere um lento despertar. De início, a bailarina é só tensão, assombro e músculo. Só depois de entrar em acordo com o seu corpo, uma espécie de ritual, ela abandona o próprio peso à alegria leve das plumas. Mulher e pássaro, a metamorfose de Isa encerra um ciclo. Não seria  arriscado concluir que 'Avear' dá forma a um projeto muito pessoal, nascido em suas entranhas.
Por encenação, entenda-se a presença física da artista, o propósito e o sentimento da criatura encarnados em matéria animada. Ancorado numa tradição japonesa, a dança Butô, o solo acompanha um ritmo próprio, obediente apenas ao pulso da dançarina. A música crepuscular e caótica de João Mário, que assina a trilha sonora original, passa ao largo das marcações de praxe e empresta à jornada de Isa uma atmosfera primitiva e sagrada.
Segundo Maicyra Leão, diretora de 'Avear', cada dia é um dia. Assim, nada garante que a performance da última quinta-feira será reproduzida do mesmo modo, na próxima oportunidade. Em essência, contudo, tome-se por certo ao menos um fato: Isa Barreto ensaia agora o seu voo mais alto.
Avear:
28, 29 e 30 de março, às 20 horas, na Reciclaria Casa de Artes (em frente ao Aeroporto Santa Maria).

Isa Barreto estudou a  vida inteira, não precisa  da chancela de um jornalista analfabeto no vocabulário dos gestos para cumprir o próprio destino. No entanto, a pré estreia do espetáculo 'Avear' merece mais do que o aplauso espantado de quem esteve presente na Reciclaria, última quinta-feira, ao cair do pano. E ficará aqui para sempre guardada em letra de imprensa. 
Com 'Avear', Isa dispõe de si mesmo, carne e osso, para se afirmar artista. E a julgar pelo que ela pronuncia na performance, mesmo sem dizer palavra, já passou da hora de a moça ganhar asas. Antes de alçar vôo e desfrutar as carícias do vento, entretanto, todo mundo tem de experimentar a dor muito natural do crescimento. Isa aproveitou esse momento decisivo para trocar de pele no centro do palco, em frente a uma plateia.
Não à toa, toda a encenação sugere um lento despertar. De início, a bailarina é só tensão, assombro e músculo. Só depois de entrar em acordo com o seu corpo, uma espécie de ritual, ela abandona o próprio peso à alegria leve das plumas. Mulher e pássaro, a metamorfose de Isa encerra um ciclo. Não seria  arriscado concluir que 'Avear' dá forma a um projeto muito pessoal, nascido em suas entranhas.
Por encenação, entenda-se a presença física da artista, o propósito e o sentimento da criatura encarnados em matéria animada. Ancorado numa tradição japonesa, a dança Butô, o solo acompanha um ritmo próprio, obediente apenas ao pulso da dançarina. A música crepuscular e caótica de João Mário, que assina a trilha sonora original, passa ao largo das marcações de praxe e empresta à jornada de Isa uma atmosfera primitiva e sagrada.
Segundo Maicyra Leão, diretora de 'Avear', cada dia é um dia. Assim, nada garante que a performance da última quinta-feira será reproduzida do mesmo modo, na próxima oportunidade. Em essência, contudo, tome-se por certo ao menos um fato: Isa Barreto ensaia agora o seu voo mais alto.

Avear:
28, 29 e 30 de março, às 20 horas, na Reciclaria Casa de Artes (em frente ao Aeroporto Santa Maria).