Marielle incomoda

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Publicada em 16/03/2019 às 14:57:00

 

Um ano depois de sua morte, Marielle 
Franco continua assombrando aque
les que ela atormentava em vida. De origem humilde, negra, mãe, homossexual assumida, ela ousou ser corajosa e intransigente contra as desigualdades, a homofobia e na defesa das mulheres, dos jovens negros e das favelas, principalmente quando acossados pelos excessos da polícia e pela violência das milícias. Esse era o discurso dela.
E por que não criticava os traficantes? Ela mesma respondeu um ano antes de morrer: "Do tráfico não se cobra a lei e o respeito. Eu cobro essa postura é do Estado". E o que as milícias têm a ver com o Estado? É que os milicianos são quase sempre agentes ou ex-agentes do Estado que passaram a atuar fora da lei. Gozam de uma disfarçada proteção do Estado, mas são bandidos, embora muita gente dita de bem insista em não admitir isso.
Marielle e o motorista Anderson foram assassinados por um policial militar reformado e um ex-policial expulso da corporação, muito provavelmente envolvidos com crimes de mando, milícia, contravenção e tráfico de armas. Tudo que não presta, mas nunca foram admoestados por isso.
A propósito, o sargento reformado Ronnie Lessa, o exímio atirador que puxou o gatilho da submetralhadora contra a vereadora, vizinho no condomínio de luxo do presidente Jair Bolsonaro, mantinha relação muito próxima com o delegado que chefiava as delegacias da capital carioca e que frequentemente arranjava "propostas muito boas de trabalho" para ele, segundo mensagens agora reveladas.
Mas importa dizer é que a voz de Marielle está mais viva e falando mais alto do que nunca. Aliás, Marielle tornou-se realmente grande depois que morreu. Não somente o Brasil, mas o mundo a conhece, respeita e exige o esclarecimento definitivo do crime. Quem mandou matar Marielle?
A imagem dela, agora um ícone do ativismo, passou a ser reverenciada, seja no desfile da Mangueira campeã das escolas de samba, seja no show de Roger Waters, fundador da superbanda Pink Floyd, sejam nas homenagens que recebe em muitos países. Seu sorriso bonito e seus cabelos crespos estão espalhados nas camisetas e em traços estilizados pelas cidades.
Por que será? De acordo com o Ministério Público, a vereadora foi assassinada pela sua atuação política e pelas causas que defendia. Isso explica muita coisa. Marielle se fez presente em um ambiente ocupado historicamente por "homens, brancos e poderosos", diz um amigo dela, aprofundando a explicação sobre o que ela representa.
A verdade é que seu assassinato deu força ao ativismo social no Brasil e Marielle já é um símbolo da nossa história.
E não adianta os que não simpatizam com a causa de Marielle tentarem desmerecê-la com o falso argumento de que outras mulheres são assassinadas e não são lembradas. E que muitos outros crimes também acontecem todos os dias e não são esclarecidos.
Ora, muitos foram injustamente condenados pelo apartheid na África do Sul, mas só havia um Nelson Mandela entre eles. Muitos foram assassinados pelos intolerantes na Índia colonial, mas só havia um Mahatma Gandhi entre eles. Muitos foram assassinados pelos supremacistas brancos nos Estados Unidos, mas só havia um Martin Luther King entre eles.
Muitas mulheres ousaram lutar para tentar diminuir o fosso que separa as pessoas na sociedade, contra a violência e contra o preconceito, e ainda bem que havia uma Marielle Franco entre elas.

Marcos Cardoso

Um ano depois de sua morte, Marielle  Franco continua assombrando aque les que ela atormentava em vida. De origem humilde, negra, mãe, homossexual assumida, ela ousou ser corajosa e intransigente contra as desigualdades, a homofobia e na defesa das mulheres, dos jovens negros e das favelas, principalmente quando acossados pelos excessos da polícia e pela violência das milícias. Esse era o discurso dela.
E por que não criticava os traficantes? Ela mesma respondeu um ano antes de morrer: "Do tráfico não se cobra a lei e o respeito. Eu cobro essa postura é do Estado". E o que as milícias têm a ver com o Estado? É que os milicianos são quase sempre agentes ou ex-agentes do Estado que passaram a atuar fora da lei. Gozam de uma disfarçada proteção do Estado, mas são bandidos, embora muita gente dita de bem insista em não admitir isso.
Marielle e o motorista Anderson foram assassinados por um policial militar reformado e um ex-policial expulso da corporação, muito provavelmente envolvidos com crimes de mando, milícia, contravenção e tráfico de armas. Tudo que não presta, mas nunca foram admoestados por isso.
A propósito, o sargento reformado Ronnie Lessa, o exímio atirador que puxou o gatilho da submetralhadora contra a vereadora, vizinho no condomínio de luxo do presidente Jair Bolsonaro, mantinha relação muito próxima com o delegado que chefiava as delegacias da capital carioca e que frequentemente arranjava "propostas muito boas de trabalho" para ele, segundo mensagens agora reveladas.Mas importa dizer é que a voz de Marielle está mais viva e falando mais alto do que nunca. Aliás, Marielle tornou-se realmente grande depois que morreu. Não somente o Brasil, mas o mundo a conhece, respeita e exige o esclarecimento definitivo do crime. Quem mandou matar Marielle?
A imagem dela, agora um ícone do ativismo, passou a ser reverenciada, seja no desfile da Mangueira campeã das escolas de samba, seja no show de Roger Waters, fundador da superbanda Pink Floyd, sejam nas homenagens que recebe em muitos países. Seu sorriso bonito e seus cabelos crespos estão espalhados nas camisetas e em traços estilizados pelas cidades.
Por que será? De acordo com o Ministério Público, a vereadora foi assassinada pela sua atuação política e pelas causas que defendia. Isso explica muita coisa. Marielle se fez presente em um ambiente ocupado historicamente por "homens, brancos e poderosos", diz um amigo dela, aprofundando a explicação sobre o que ela representa.
A verdade é que seu assassinato deu força ao ativismo social no Brasil e Marielle já é um símbolo da nossa história.
E não adianta os que não simpatizam com a causa de Marielle tentarem desmerecê-la com o falso argumento de que outras mulheres são assassinadas e não são lembradas. E que muitos outros crimes também acontecem todos os dias e não são esclarecidos.
Ora, muitos foram injustamente condenados pelo apartheid na África do Sul, mas só havia um Nelson Mandela entre eles. Muitos foram assassinados pelos intolerantes na Índia colonial, mas só havia um Mahatma Gandhi entre eles. Muitos foram assassinados pelos supremacistas brancos nos Estados Unidos, mas só havia um Martin Luther King entre eles.
Muitas mulheres ousaram lutar para tentar diminuir o fosso que separa as pessoas na sociedade, contra a violência e contra o preconceito, e ainda bem que havia uma Marielle Franco entre elas.