164 anos de Aracaju

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Publicada em 16/03/2019 às 14:28:00

 

* Ana Luiza Liborio
E Aracaju completa mais um ano de idade enfrentando as cotidianas mazelas do crescimento sem planejamento que aflige todas as cidades brasileiras. 
Por mais complicado que pareça não existe bicho de sete cabeças, as soluções são muito mais simples do que querem nos fazer crer. E episódios como as recentes chuvas em São Paulo nos apontam urgência na tomada de providências.
Em primeiro lugar precisamos voltar a praticar o planejamento urbano nas cidades, prática abandonada no Brasil há décadas, por mais que tenhamos aprovado instrumentos federais de ordenamento urbano como o Estatuto das Cidades, em 2001, e mais recentemente o Estatuto das Metrópoles em 2015.
Bom, mas voltando a nossa querida Aracaju, vivemos numa cidade ainda no ponto ideal para adotar novos modelos de desenvolvimento. Esse é o nosso grande desafio: evitar repetir exemplos falidos de metropolização como Rio, São Paulo, Recife, Salvador... Ainda há tempo, ou seja, crescer de forma sustentável, palavra extremamente desgastada pelo uso demagógico na política.
Mas como, de fato, faríamos isso? Em primeiro lugar adensarmos a Aracaju tradicional, estimulando habitação popular em bairros como o Centro, Santo Antônio, Bairro Industrial, Siqueira Campos, Cirurgia, Salgado Filho, Grageru, São José, etc. que são, na perspectiva geográfica, os sítios mais centralizados e urbanizados de Aracaju.
Hoje vivemos o paradoxo de estarmos construindo duas cidades paralelas à tradicional Aracaju: os bairros Jardins e Garcia e a Zona de Expansão, enquanto o Centro jaz com diversos imóveis à venda e para aluguel…E com preços incompatíveis com o mercado!
Enquanto isso ocupamos áreas frágeis como a Jabotiana e a dita zona de Expansão que, de fato, deveria ser considerada como zona de preservação da paisagem natural do Aracaju. Lá temos os aquíferos que vem sendo constantemente contaminados pelos novos conjuntos e, ainda, o aterramento das lagoas que tem gestado catástrofes que se repetem todos os anos na região: os grandes alagamentos nas áreas mais adensadas dos condomínios populares.
Precisamos rever urgentemente essa nossa política habitacional e bater na surrada tecla do transporte público de qualidade para todos!
Só para contextualizar, num breve relato, o que vem acontecendo na maioria das nossas cidades. Primeiro criamos as periferias construindo os grandes conjuntos habitacionais afastados do centro e, depois, lhes dotamos de péssimo transporte urbano.
No que poderia resultar esse modelo?
Não existe "poção mágica" e infalível, porém uma receitinha de bolo, básica, que nós arquitetos urbanistas conhecemos e pregamos há muito, e estamos aptos a experimentar desde que haja a tal da vontade política.
Precisamos, urgente, trazer os trabalhadores para morar perto do local de trabalho e aí, sim, acabaremos com qualquer problema de mobilidade urbana, sem precisar construir, sequer, mais um viaduto!
E em seguida reinventá-las, quanto ao uso, voltando à saudável mistura das funções de morar, trabalhar e lazer e, mais ainda, praticar o escalonamento de horários de funcionamento dos serviços afinal, hoje, temos tecnologia para o trabalho à distância que permitem o "home office".
Essas seriam medidas simples para minimizar o problema da mobilidade, ou seja evitar grandes e demorados deslocamentos no território urbano.
E por último àquela, mais do que óbvia, solução do transporte público de excelência. O transporte público desumano que temos no Brasil é, hoje, a mais perversa forma de discriminação e exclusão e o mais explosivo combustível, vide o Movimento Passe Livre que desencadeou os protestos de junho de 2013.
Em resumo: desestimular o uso do transporte individual, qualificar o coletivo, estimular a construção de moradias populares nas proximidades do trabalho, fomentar app's de transporte e home office's e, no mais, andar a pé e de bicicleta por ruas arborizadas, fazendo compras no comércio local.
Assim sendo, aos poucos, precisaríamos muito menos de complexas e caras operações urbanas, academias de ginástica, remédios e terapias.
Isso sim é qualidade de vida. É ser sustentável…
* Ana Luiza Liborio é arquiteta e urbanista

* Ana Luiza Liborio

E Aracaju completa mais um ano de idade enfrentando as cotidianas mazelas do crescimento sem planejamento que aflige todas as cidades brasileiras. 
Por mais complicado que pareça não existe bicho de sete cabeças, as soluções são muito mais simples do que querem nos fazer crer. E episódios como as recentes chuvas em São Paulo nos apontam urgência na tomada de providências.
Em primeiro lugar precisamos voltar a praticar o planejamento urbano nas cidades, prática abandonada no Brasil há décadas, por mais que tenhamos aprovado instrumentos federais de ordenamento urbano como o Estatuto das Cidades, em 2001, e mais recentemente o Estatuto das Metrópoles em 2015.
Bom, mas voltando a nossa querida Aracaju, vivemos numa cidade ainda no ponto ideal para adotar novos modelos de desenvolvimento. Esse é o nosso grande desafio: evitar repetir exemplos falidos de metropolização como Rio, São Paulo, Recife, Salvador... Ainda há tempo, ou seja, crescer de forma sustentável, palavra extremamente desgastada pelo uso demagógico na política.
Mas como, de fato, faríamos isso? Em primeiro lugar adensarmos a Aracaju tradicional, estimulando habitação popular em bairros como o Centro, Santo Antônio, Bairro Industrial, Siqueira Campos, Cirurgia, Salgado Filho, Grageru, São José, etc. que são, na perspectiva geográfica, os sítios mais centralizados e urbanizados de Aracaju.
Hoje vivemos o paradoxo de estarmos construindo duas cidades paralelas à tradicional Aracaju: os bairros Jardins e Garcia e a Zona de Expansão, enquanto o Centro jaz com diversos imóveis à venda e para aluguel…E com preços incompatíveis com o mercado!
Enquanto isso ocupamos áreas frágeis como a Jabotiana e a dita zona de Expansão que, de fato, deveria ser considerada como zona de preservação da paisagem natural do Aracaju. Lá temos os aquíferos que vem sendo constantemente contaminados pelos novos conjuntos e, ainda, o aterramento das lagoas que tem gestado catástrofes que se repetem todos os anos na região: os grandes alagamentos nas áreas mais adensadas dos condomínios populares.
Precisamos rever urgentemente essa nossa política habitacional e bater na surrada tecla do transporte público de qualidade para todos!
Só para contextualizar, num breve relato, o que vem acontecendo na maioria das nossas cidades. Primeiro criamos as periferias construindo os grandes conjuntos habitacionais afastados do centro e, depois, lhes dotamos de péssimo transporte urbano.
No que poderia resultar esse modelo?
Não existe "poção mágica" e infalível, porém uma receitinha de bolo, básica, que nós arquitetos urbanistas conhecemos e pregamos há muito, e estamos aptos a experimentar desde que haja a tal da vontade política.
Precisamos, urgente, trazer os trabalhadores para morar perto do local de trabalho e aí, sim, acabaremos com qualquer problema de mobilidade urbana, sem precisar construir, sequer, mais um viaduto!
E em seguida reinventá-las, quanto ao uso, voltando à saudável mistura das funções de morar, trabalhar e lazer e, mais ainda, praticar o escalonamento de horários de funcionamento dos serviços afinal, hoje, temos tecnologia para o trabalho à distância que permitem o "home office".
Essas seriam medidas simples para minimizar o problema da mobilidade, ou seja evitar grandes e demorados deslocamentos no território urbano.
E por último àquela, mais do que óbvia, solução do transporte público de excelência. O transporte público desumano que temos no Brasil é, hoje, a mais perversa forma de discriminação e exclusão e o mais explosivo combustível, vide o Movimento Passe Livre que desencadeou os protestos de junho de 2013.
Em resumo: desestimular o uso do transporte individual, qualificar o coletivo, estimular a construção de moradias populares nas proximidades do trabalho, fomentar app's de transporte e home office's e, no mais, andar a pé e de bicicleta por ruas arborizadas, fazendo compras no comércio local.
Assim sendo, aos poucos, precisaríamos muito menos de complexas e caras operações urbanas, academias de ginástica, remédios e terapias.
Isso sim é qualidade de vida. É ser sustentável…

* Ana Luiza Liborio é arquiteta e urbanista