CARNAVAL OU JUSTIÇA SOCIAL?

Opinião

 

* Manoel Moacir Costa Macêdo
Carnaval ou justiça social? Os dois. Estruturas da história e identidade pátria. No dizer popular, nesse país, o ano inicia após o carnaval. Alegoria ao carnaval como espécie do gênero da cultura e da arte do povo brasileiro. Representação de alegria, ritmos, cores e faces do samba, maracatu, frevo, axé e da "fubica elétrica de Dodô e Osmar". Carnaval de três dias, das marchinhas comportadas de dúbios sentidos, das matinês, serpentinas, confetes, afoxés e igualdade antropológica e libertária na rua. Não é o carnaval de sete dias, da privatização dos espaços públicos, dos cercados por robustas cordas, dos lucros exorbitantes, dos trios elétricos estridentes, luxuosos e profissionalizados, da violência, dos exageros sexuais e drogas consentidas ou não, enfim de uma suposta anestesia social do panis et circenses (pão e circo). 
O dia vinte de fevereiro, espremido no menor mês do ano, definido pela Organização das Nações Unidas - ONU, como o "Dia Mundial da Justiça Social". Carnaval com mais gente, menos fantasia e mais realidade, mais tropical e menos temperado, festa sem cordas onde cabe todos, inclusive os "barrados do baile". O objetivo não é estar "dentro ou fora dos blocos, atrás ou ao lado do trio elétrico", na Sapucaí ou fora dela, mas chamar a atenção do mundo, dividido de um lado, pelos que lutam pela vida abaixo da linha do equador - os desiguais. Do outro, os do hemisfério superior, as minorias da modernidade e avanços civilizatórios. Uma divisão entre humanos de primeira e terceira categorias, ricos e pobres, desenvolvidos e subdesenvolvidos, emergentes e emergidos, ou ainda, os postulantes ao "país do futuro", que nunca chega neles. Uma peleja noutro campo entre Brasil versus Alemanha. 
A ONU propõe que o mundo nesse dia, concentre as suas mentes e alegrias sãs, na promoção do emprego, do trabalho digno, da igualdade de gênero, da erradicação da pobreza, do acesso ao bem-estar e a justiça social. Dignidade conquistada por minoritárias sociedades, algumas movidas pela exploração histórica do homem pelo próprio homem, a exemplo do "holocausto da escravidão negra". 
O Brasil no passado, foi visto por visionários camaradas como o "País do Carnaval". No tempo de cinco séculos, essa jovem nação no calendário milenar da humanidade, permanece envelhecida em mazelas inaceitáveis no Século XXI. As marcas da colonização escravocrata, marcam o "carnaval de desesperados" em ruídos de exclusões, a maior delas, a desigualdade, afronta aos fundamentos de uma nação cristã. É inaceitável o desprezo aos filhos paridos num mesmo solo e ungidos pelo sinal da mesma fé, transformados em mercadorias de menor valor e excluídos do viver humano. Carecem do mínimo e indispensável à sobrevivência do corpo e da alma. Não tem justificativa, a aceitação embriagada das abismais diferenças entre brasileiros encarnados na Terra de Santa Cruz. 
Evidências anestesiadas no "carnaval da injustiça social", incapazes de quebrar os rígidos privilégios, as perpétuas diferenças e promover as rupturas. No menor estado brasileiro, o "bloco da injustiça social" acolhe em seu "cercado" duzentos e quarenta e um mil sergipanos em miséria absoluta, mais que dez por cento da população estadual. Quase um quarto da população rural é analfabeta. O "país do carnaval e da injustiça social", alberga em seus "cordões, afoxés e blocos", trinta milhões de analfabetos em suas diversas definições, doze milhões de desempregados, assassina violentamente trezentos e cinquenta mulheres e ao menos um LGBT todos os dias. Isso ascende aos estandartes da "banalidade do mal". Rogamos ao "Deus brasileiro" que patrocine o "carnaval da justiça social", os blocos da fraternidade e os bailes dos incluídos. Quão bom e suave é viver unidos como irmãos na marchinha da paz, condenados a fatalidade do bem e da harmonia.
* Manoel Moacir Costa Macêdo, engenheiro agrônomo, advogado e PhD pela Sussex University, Brighton, Inglaterra

Evidências anestesiadas no "carnaval da injustiça social", incapazes de quebrar os rígidos privilégios, as perpétuas diferenças e promover as rupturas. No menor estado brasileiro, o "bloco da injustiça social" acolhe em seu "cercado" duzentos e quarenta e um mil sergipanos em miséria absoluta, mais que dez por cento da população estadual

* Manoel Moacir Costa Macêdo

Carnaval ou justiça social? Os dois. Estruturas da história e identidade pátria. No dizer popular, nesse país, o ano inicia após o carnaval. Alegoria ao carnaval como espécie do gênero da cultura e da arte do povo brasileiro. Representação de alegria, ritmos, cores e faces do samba, maracatu, frevo, axé e da "fubica elétrica de Dodô e Osmar". Carnaval de três dias, das marchinhas comportadas de dúbios sentidos, das matinês, serpentinas, confetes, afoxés e igualdade antropológica e libertária na rua. Não é o carnaval de sete dias, da privatização dos espaços públicos, dos cercados por robustas cordas, dos lucros exorbitantes, dos trios elétricos estridentes, luxuosos e profissionalizados, da violência, dos exageros sexuais e drogas consentidas ou não, enfim de uma suposta anestesia social do panis et circenses (pão e circo). 
O dia vinte de fevereiro, espremido no menor mês do ano, definido pela Organização das Nações Unidas - ONU, como o "Dia Mundial da Justiça Social". Carnaval com mais gente, menos fantasia e mais realidade, mais tropical e menos temperado, festa sem cordas onde cabe todos, inclusive os "barrados do baile". O objetivo não é estar "dentro ou fora dos blocos, atrás ou ao lado do trio elétrico", na Sapucaí ou fora dela, mas chamar a atenção do mundo, dividido de um lado, pelos que lutam pela vida abaixo da linha do equador - os desiguais. Do outro, os do hemisfério superior, as minorias da modernidade e avanços civilizatórios. Uma divisão entre humanos de primeira e terceira categorias, ricos e pobres, desenvolvidos e subdesenvolvidos, emergentes e emergidos, ou ainda, os postulantes ao "país do futuro", que nunca chega neles. Uma peleja noutro campo entre Brasil versus Alemanha. 
A ONU propõe que o mundo nesse dia, concentre as suas mentes e alegrias sãs, na promoção do emprego, do trabalho digno, da igualdade de gênero, da erradicação da pobreza, do acesso ao bem-estar e a justiça social. Dignidade conquistada por minoritárias sociedades, algumas movidas pela exploração histórica do homem pelo próprio homem, a exemplo do "holocausto da escravidão negra". 
O Brasil no passado, foi visto por visionários camaradas como o "País do Carnaval". No tempo de cinco séculos, essa jovem nação no calendário milenar da humanidade, permanece envelhecida em mazelas inaceitáveis no Século XXI. As marcas da colonização escravocrata, marcam o "carnaval de desesperados" em ruídos de exclusões, a maior delas, a desigualdade, afronta aos fundamentos de uma nação cristã. É inaceitável o desprezo aos filhos paridos num mesmo solo e ungidos pelo sinal da mesma fé, transformados em mercadorias de menor valor e excluídos do viver humano. Carecem do mínimo e indispensável à sobrevivência do corpo e da alma. Não tem justificativa, a aceitação embriagada das abismais diferenças entre brasileiros encarnados na Terra de Santa Cruz. 
Evidências anestesiadas no "carnaval da injustiça social", incapazes de quebrar os rígidos privilégios, as perpétuas diferenças e promover as rupturas. No menor estado brasileiro, o "bloco da injustiça social" acolhe em seu "cercado" duzentos e quarenta e um mil sergipanos em miséria absoluta, mais que dez por cento da população estadual. Quase um quarto da população rural é analfabeta. O "país do carnaval e da injustiça social", alberga em seus "cordões, afoxés e blocos", trinta milhões de analfabetos em suas diversas definições, doze milhões de desempregados, assassina violentamente trezentos e cinquenta mulheres e ao menos um LGBT todos os dias. Isso ascende aos estandartes da "banalidade do mal". Rogamos ao "Deus brasileiro" que patrocine o "carnaval da justiça social", os blocos da fraternidade e os bailes dos incluídos. Quão bom e suave é viver unidos como irmãos na marchinha da paz, condenados a fatalidade do bem e da harmonia.

* Manoel Moacir Costa Macêdo, engenheiro agrônomo, advogado e PhD pela Sussex University, Brighton, Inglaterra

 


COMPARTILHAR NAS REDES SOCIAIS