GEOPOLITICA DO ALIMENTO (II)

Opinião

 

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo
As previsões da Food and Agriculture Organization of the United Nations - FAO sobre o crescimento da demanda por alimentos não deixam dúvidas sobre as oportunidades do Brasil ser num futuro próximo, um relevante produtor de alimentos para o mundo. Não é uma contingência recente. A estrutura nas cadeias de valores dos produtos agropecuários está consolidada. O País conta, com uma parceria pública-privada de produção de sementes e mudas. Uma indústria renovada de máquinas e insumos agrícolas. Unidades estabelecidas de processamento para carnes, óleos, e sucos. Todas em condições de operar em escala global para a produção e exportação de alimentos. 
No fomento, infraestrutura e pesquisa, o Brasil, dispõe de um sistema de financiamento estruturado. Ainda existem travas e regulamentações dependentes de recursos públicos, a exemplo da fragilidade dos mecanismos de gestão de riscos. Restrições de investimentos são consideradas, em face das intempéries da natureza. Os seguros rurais possuem limitações para uma universal cobertura. A malha rodoviária, ferroviária, marítima e portuária são insuficientes para uma competitiva distribuição da produção num país de dimensões continentais. Destaque para as inovações tecnológica, supridas pelas organizações públicas do sistema nacional de pesquisa agropecuária, a exemplo da Embrapa, universidades, organizações estaduais de pesquisa e as recentes iniciativas privadas, essas últimas ainda tímidas e limitadas às expressivas commodities de exportação em selecionadas regiões produtoras.
Nesse contexto, os sistemas produtivos da agricultura, colocam o Brasil como o terceiro exportador agrícola do mundo. Em 2014 o Brasil respondeu por 7,1% das exportações agrícolas globais, com realce para as cinco cadeias dos produtos considerados essenciais na arena internacional: cereais, carnes, oleaginosas, fibras e frutas. Essa posição, tem respondido por cerca de 25% do PIB, 35% dos empregos gerados, e 63% do saldo da balança comercial. 
Apesar desse reconhecido progresso da agricultura brasileira, existem vulnerabilidades sociais e ambientais Uma realidade inaceitável, a fome nas populações pobres no País. A insegurança alimentar de vulneráveis, está fincada na persistente desigualdade, que proíbe à aquisição de alimentos pelas populações carentes. Não está debitada na capacidade produtiva do setor agropecuário, que rejeita a "teoria malthusiana", mas dobra-se perante a vergonhosa concentração de renda em seletivas mãos. 
O Brasil desenvolveu as competências básicas para sustentar o crescimento da agricultura e atender as expectativas da demanda futura de alimentos. Essa performance ultrapassa os fatores tradicionais de produção. Envolve a dimensão política, que determina as condições de competir, às vezes imperfeitas, no mercado mundial. Dispõe de um quadro de adidos agrícolas distribuídos em suas principais embaixadas. Priorizou as relações no contexto das organizações multilaterais. Enquanto isto, os países desenvolvidos, firmaram acordos de comércio bilaterais e sub-regionais, culminando com a assinatura do estratégico Transpacific Agreement. 
O cenário previsto é de indefinições. Questões são postas e exigem respostas. Quais os efeitos do Brexit - a saída da Inglaterra da União Europeia - sobre o comércio da agricultura brasileira com esse bloco europeu? Como afetará o acordo do Mercosul com a União Europeia? A União Europeia tenderá a ser mais protecionista na agricultura? O futuro do Brasil está colocado na geopolítica da economia internacional do trabalho, como um estratégico produtor de alimentos. Para consolidar esta posição é imperativo, a concepção de um sistema de inteligência estratégica que coordene as interações entre recursos naturais, produção agropecuária, comércio e relações internacionais. Não é tarefa fácil. O esperado, no cenário internacional protecionista, é a sua consolidação como uma liderança regional numa economia globalizada. 
* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo são Engenheiros Agrônomos

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo

As previsões da Food and Agriculture Organization of the United Nations - FAO sobre o crescimento da demanda por alimentos não deixam dúvidas sobre as oportunidades do Brasil ser num futuro próximo, um relevante produtor de alimentos para o mundo. Não é uma contingência recente. A estrutura nas cadeias de valores dos produtos agropecuários está consolidada. O País conta, com uma parceria pública-privada de produção de sementes e mudas. Uma indústria renovada de máquinas e insumos agrícolas. Unidades estabelecidas de processamento para carnes, óleos, e sucos. Todas em condições de operar em escala global para a produção e exportação de alimentos. 
No fomento, infraestrutura e pesquisa, o Brasil, dispõe de um sistema de financiamento estruturado. Ainda existem travas e regulamentações dependentes de recursos públicos, a exemplo da fragilidade dos mecanismos de gestão de riscos. Restrições de investimentos são consideradas, em face das intempéries da natureza. Os seguros rurais possuem limitações para uma universal cobertura. A malha rodoviária, ferroviária, marítima e portuária são insuficientes para uma competitiva distribuição da produção num país de dimensões continentais. Destaque para as inovações tecnológica, supridas pelas organizações públicas do sistema nacional de pesquisa agropecuária, a exemplo da Embrapa, universidades, organizações estaduais de pesquisa e as recentes iniciativas privadas, essas últimas ainda tímidas e limitadas às expressivas commodities de exportação em selecionadas regiões produtoras.
Nesse contexto, os sistemas produtivos da agricultura, colocam o Brasil como o terceiro exportador agrícola do mundo. Em 2014 o Brasil respondeu por 7,1% das exportações agrícolas globais, com realce para as cinco cadeias dos produtos considerados essenciais na arena internacional: cereais, carnes, oleaginosas, fibras e frutas. Essa posição, tem respondido por cerca de 25% do PIB, 35% dos empregos gerados, e 63% do saldo da balança comercial. 
Apesar desse reconhecido progresso da agricultura brasileira, existem vulnerabilidades sociais e ambientais Uma realidade inaceitável, a fome nas populações pobres no País. A insegurança alimentar de vulneráveis, está fincada na persistente desigualdade, que proíbe à aquisição de alimentos pelas populações carentes. Não está debitada na capacidade produtiva do setor agropecuário, que rejeita a "teoria malthusiana", mas dobra-se perante a vergonhosa concentração de renda em seletivas mãos. 
O Brasil desenvolveu as competências básicas para sustentar o crescimento da agricultura e atender as expectativas da demanda futura de alimentos. Essa performance ultrapassa os fatores tradicionais de produção. Envolve a dimensão política, que determina as condições de competir, às vezes imperfeitas, no mercado mundial. Dispõe de um quadro de adidos agrícolas distribuídos em suas principais embaixadas. Priorizou as relações no contexto das organizações multilaterais. Enquanto isto, os países desenvolvidos, firmaram acordos de comércio bilaterais e sub-regionais, culminando com a assinatura do estratégico Transpacific Agreement. 
O cenário previsto é de indefinições. Questões são postas e exigem respostas. Quais os efeitos do Brexit - a saída da Inglaterra da União Europeia - sobre o comércio da agricultura brasileira com esse bloco europeu? Como afetará o acordo do Mercosul com a União Europeia? A União Europeia tenderá a ser mais protecionista na agricultura? O futuro do Brasil está colocado na geopolítica da economia internacional do trabalho, como um estratégico produtor de alimentos. Para consolidar esta posição é imperativo, a concepção de um sistema de inteligência estratégica que coordene as interações entre recursos naturais, produção agropecuária, comércio e relações internacionais. Não é tarefa fácil. O esperado, no cenário internacional protecionista, é a sua consolidação como uma liderança regional numa economia globalizada. 

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo são Engenheiros Agrônomos

 


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