Greve geral fecha comércio e paralisa ônibus

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À tarde, foi realizada uma caminhada do centro até a 13 de Julho. Foto: Divulgação
À tarde, foi realizada uma caminhada do centro até a 13 de Julho. Foto: Divulgação

Os manifestantes exibiam cartazes com mensagens contra o governo. Foto: Divulgação
Os manifestantes exibiam cartazes com mensagens contra o governo. Foto: Divulgação

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Publicada em 01/07/2017 às 00:06:00

Milton Alves Júnior

 

Pela segunda vez em dois meses o Brasil parou diante da contestação e suplica popular contrária a tramitação dos projetos de reforma trabalhista e previdenciária proposta pelo Governo Federal, através do presidente Michel Temer (PMDB). Em Sergipe, desde a madrugada de ontem milhares de trabalhadores das mais diversas áreas de atuação foram às ruas debaixo de chuva e fortes rajadas de vento para protestar e fortalecer a Greve Geral que foi realizada paralelamente em mais 22 estados da república e seguiu até o final da noite. Paralelo aos pedidos de arquivamento dos projetos, os militantes pediram a saída imediata do presidente, e a realização de voto direto que visa eleger em caráter extraordinário um substituto para Temer.

Já por volta das 00h30 – conforme prometido pela direção do Sindicato dos Transportes Rodoviários (Sintra) ainda no final da semana passada, nenhum ônibus público coletivo deixou as garagens para realizar o respectivo itinerário. Apesar de o poder judiciário ter determinado o fornecimento mínimo de 30% da frota nas ruas, o setor empresarial, representado legalmente pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp), optou por inviabilizar o serviço até que a mobilização nacional fosse finalizada. Com a suspensão integral do sistema, cerca de 230 mil passageiros encontraram dificuldades para se deslocar entre as cidades pertencentes à Grande Aracaju.

Segundo o Setransp, o fluxo de veículos durante todo o dia de manifestações poderia resultar em depredação dos veículos, bem como situações de vulnerabilidade e risco aos profissionais que estivessem na condução do ônibus. Na tarde de ontem, por volta das 13h30, o Jornal do Dia esteve no Terminal de Integração da Atalaia, zona Sul da capital sergipana, e constatou o esvaziamento do espaço. Apenas poucos agentes da Guarda Municipal realizavam rondas ostensivas a fim de evitar possíveis ataques articulados por vândalos. O serviço voltou a ser normalizado de forma gradativa a partir das 00h de hoje.

Segundo a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, responsáveis diretas pela organização do ato nacional, somente no Estado de Sergipe, foi possível contar com a participação direta de 50 categorias, representadas pelos respectivos sindicatos, ou associações. A articulação paralela da greve ficou por conta da Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimento dos Trabalhadores Urbanos (Motu). Carteiros, bancários, professores e servidores dos poderes legislativo e judiciário também se somaram ao movimento e cruzaram os braços.

 

 

 

 

Bloqueios – De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), pelo menos quatro pontos foram ocupados por manifestantes. O Km 9, da BR 235, no município de Nossa Senhora do Socorro ficou fechado até por volta das 9h. Já na BR 101, o Km 63 no município de Rosário do Catete o trecho foi liberado por volta das 13h. O Km 70 no município de Maruim e o permaneceram fechados nos dois sentidos até o final da tarde. O Km 89, também no município de Nossa Senhora do Socorro, esteve ocupado e apenas foi totalmente liberado por volta das 11h30. O Km 150 em Estância ficou fechado por algumas horas e foi liberado às 11h50.

 

 

Comércio – Na última quarta-feira, 28, o juiz plantonista Edno Aldo Ribeiro Santana, atendendo ação do Clube dos Diretores Lojistas, determinou que o movimento não poderia invadir estabelecimentos comerciais, forçar fechamento de lojas e nem ameaçar ou constranger os lojistas, clientes e trabalhadores do comércio, causar dano ao patrimônio da categoria econômica do comércio, por exemplo. Apesar da medida – inclusive com possível punição de R$ 50 mil reais, logo no início da manhã de ontem os lojistas que optaram por abrir as portas foram surpreendidos com a presença de manifestantes determinado o fechamento. De acordo com os sindicalistas, a liminar imposta pelo juiz não havia sido protocolada até o início das manifestações.

A ação civil pública foi ajuizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Aracaju (CDL) contra o Sindicato dos Empregados no Comércio de Aracaju (SECA), Federação dos Empregados do Comércio e Serviços do Estado de Sergipe (FECOM/SE), Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

 

 

 

Caminhada – Reunidos na Praça General Valadão, região central de Aracaju, milhares de trabalhadores realizaram uma caminhada pelas principais ruas e avenidas do bairro. Todo o ato foi acompanhado de perto por agentes da Polícia Militar, Força Nacional, Guarda Municipal e Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). O Corpo de Bombeiros Militar esteve de prontidão; a corporação seria acionada para apagar possíveis novas barricadas de fogo impostas pelos manifestantes. De acordo com Rubens Marques, líder da CUT em Sergipe, é preciso que o povo permaneça lutando contra o ‘desserviço’ instituído pelo presidente Temer desde que assumiu o mandato após finalizado o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O sindicalista exigiu ainda ‘pulso firme’ por parte dos parlamentares federais que foram eleitos em 2010 e 2014 pelo voto direto dos sergipanos. “Não podemos continuar calados diante de tanta falcatrua e articulações que visam retirar os direitos dos trabalhadores; direito estes que foram conquistados com imensa luta nas últimas décadas. Temer é o nato fascista que cresceu no berço democrático e agora dá as costas para o povo. Espero que os deputados e senadores sergipanos se também se unam às nossas reivindicações. O Brasil vai permanecer se deparando com greves gerais caso os projetos não sejam arquivados”, disse. Sobre a senadora Maria do Carmo Alves – que votou à favor da Reforma Trabalhista, e André Moura, o cultista pontuou:

 “É de se lamentar que uma senadora conhecida em todo o estado por faltar sempre e não lutar pelos anseios do povo continue ocupando uma cadeira no senado e votando contra o trabalhador. Já André Moura, um dos braços direito de Temer, parece que quer ser governador de Sergipe. Com esse tipo de postura, nenhum dos dois terá êxito nas próximas eleições. O povo é sábio e tenho fé que nenhum dos dois voltará a ocupar um cargo público, o qual deveria ser utilizado para ouvir os sergipanos e lutar por progressos, e não ações de retrocesso”. Debaixo de chuva a mobilização foi encerrada as 17h30 em frente ao mirante da 13 de Julho sem nenhum registro de detenções e depredação do patrimônio público.