O respingo em André

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Publicada em 22/06/2017 às 07:12:00

O senador Eduardo Amorim (PSDB) foi assunto na mídia nacional por ter dado um voto decisivo para a derrota do presidente Michel Temer na  proposta de reforma trabalhista, votada na última terça-feira na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Com o voto contrário de Amorim, o governo perdeu por 10 x 9 e isso foi bem destacado por toda a imprensa.

Esse voto do senador, que mostrou coerência por já ter declarado publicamente que era contrário às reformas da previdência social e trabalhista, não representa somente a derrota do governo.  Mas, também, o desconforto do líder do governo no Congresso Nacional, deputado federal André Moura (PSC).

Todos viam André Moura e Eduardo Amorim como irmãos siameses. Os dois sempre foram aliados e marcharam politicamente juntos em Sergipe. Em razão disso, o Planalto dava como certo o voto de Amorim a favor da reforma política até porque o senador é do PSDB, que ainda integra a base aliada do governo.

Mas, diferente do que esperava o Planalto, exatamente o senador tucano amigo e companheiro do líder André foi quem levou a derrota ao governo. Isso é uma coisa que André terá dificuldade de explicar ao presidente e ministros, pois o ato de Amorim pode ser interpretado até como desprestigio político de Moura com um conterrâneo aliado.

Além da coerência de Eduardo Amorim em manter a sua decisão política de ser contra a reforma trabalhista, por prejudicar trabalhadores com perdas de direitos trabalhistas e rasgar a CLT, tem mais alguma coisa por trás?

Percebe-se, a olho nu, que a relação pessoal e política entre os dois não é mais a mesma há algum tempo, apesar dos dois jurarem, de pés e mãos juntas, que tudo continua como antes no Quartel de Abrantes.

Desde que André assumiu a liderança do governo na Câmara, e depois no Congresso, que as coisas não são mais as mesmas entre os aliados da oposição. Parece que o grande prestigio político do deputado gerou um certo incomodo para os senadores Amorim e Valadares (PSB).

Principalmente pelo fato das grandes lideranças políticas do estado, incluindo da situação, procurarem André para prestar algum tipo de ajuda junto ao governo federal, e ele, de forma republicana, vir atendendo a todos, deixando de lado a política mesquinha do quanto pior melhor.

Pelo andar da carruagem é muito provável que azede de vez a relação política e pessoal entre André e Eduardo, que têm pretensões de disputar o governo em 2018. Até porque o senador deve manter o voto em plenário contrário à reforma trabalhista e da previdência.

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Nas redes sociais 1

Do ex-deputado estadual e pai de André Moura, Reinaldo Moura, no facebook sob a decisão do senador Eduardo Amorim (PSDB) em votar contra a reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS): “O voto de Amorim segundo a Rede: Amorim traiu André, Amorim votou para atender a esposa, Amorim deu um tiro no pé, Amorim traiu o Presidente, Amorim deu um chega pra lá em André, Amorim tem uma inveja de André, André vai ter que romper com Amorim, Amorim se livra de André, Amorim é isso, Amorim é aquilo”.

 

Nas redes sociais 2

Prosseguiu Reinaldo: “Minha opinião: Amorim é maior, casado, vacinado, formado e tem direito de votar como quiser. O voto dele, certo ou errado tem que ser respeitado. O motivo só quem sabe é ele. Eu penso assim”.

 

A Jato

O Diário Oficial dessa quarta-feira trouxe a exoneração de dois apadrinhados do senador Helio José (PMDB-DF) na administração federal. Hélio - que é um dos aliados do presidente Temer que votou contra a reforma trabalhista na CAS - viu ontem ser exonerado em retaliação ao seu voto: Vicente Ferreira, no cargo de diretor de Planejamento da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste, e Francisco Nilo,  que deixou a superintendência do DF da Secretaria do Patrimônio da União.

 

Na corda bamba

A expectativa agora é se o senador Eduardo Amorim (PSC) verá o seu apadrinhado político, o ex-prefeito César Mandarino (PSC), perder a superintendência da Codevasf em Sergipe por determinação do Palácio do Planalto, também em retaliação ao seu voto contra a reforma trabalhista.

 

Torcida contra 1

Na Codevasf, segundo informações chegadas à coluna, tem quem torça pela saída de Mandarino do posto pelos problemas existentes que não consegue resolver. Foi passado que as obras de reconstrução dos canais de Propriá e Neópolis estão paralisadas, as contas de energia elétrica estão atrasadas nos perímetros de irrigação e falta óleo para os tratores trabalharem. Só está tendo sementes para o plantio porque a Emdagro fez a doação.

 

Torcida contra 2

“O estado não perderá nada com a saída de Mandarino da superintendência”, disse a fonte, enfatizando que é a Codevasf quem vai cuidar das obras do Canal de Xingó e que, por isso, precisa ser comanda por uma pessoa mais compromissada com a companhia.  

 

DEM abandona Temer 1

De Sergipe não é só o senador Amorim que é membro titular da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, mas, também, a senadora Maria do Carmo Alves (DEM). Só que Maria, mesmo estando na Casa, não compareceu para a votação da reforma trabalhista na terça-feira. 

 

DEM abandona Temer 2

Como Maria do Carmo, o senador do DEM Ronaldo Caiado (GO) também não compareceu para votação da reforma trabalhista na CAS, como membro titular da comissão. Os votos de ambos foram supridos pelos suplentes do PSDB.  

 

Na CCJ 1

Um dia depois da derrota do governo na Comissão de Assuntos Sociais, a proposta de reforma trabalhista começou a tramitar na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), leu, ontem, o relatório favorável à reforma, mantendo o mesmo texto aprovado pela Câmara dos Deputados. O senador Valadares (PSB) participou da discussão e deve votar contra a reforma, como membro titular da CCJ.

 

Na CCJ 2

Na próxima terça-feira,  a CCJ vai realizar uma audiência pública para discutir as mudanças na CLT. Na quarta-feira, os senadores vão ter uma reunião extraordinária para apresentar os votos em separado. Depois deve ir a plenário.

 

Recall do presidente 1

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou ontem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 21/2015), de autoria do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), que cria a possibilidade de revogação (recall) do mandato de presidente da República. A proposta, que recebeu relatório favorável do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), segue para o Plenário.

 

Recall do presidente 2

A proposta de revogação do mandato do presidente, que terá de ser apreciada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, dependerá de assinaturas de não menos que 10% dos eleitores que compareceram ao último pleito, distribuídas em pelo menos 14 estados e não menos de 5% em cada um deles. O formato final da PEC foi definido na reunião, com o acolhimento parcial, pelo relator, de emenda sugerida pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

 

Recall do presidente 3

De Valadares, em comemoração a aprovação da PEC: “Diante da crise ética e moral que se abate sobre a política brasileira, a possibilidade do próprio eleitor revogar o mandato de um presidente da República eleito, mas que perdeu a representatividade, poderá ser uma solução mais rápida, legítima e menos traumática para o Brasil”.

 

Na pauta do TSE 1

Na pauta desta quinta-feira do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem julgamento de processos de dois prefeitos do interior de Sergipe: Valmir Monteiro (PSC-Lagarto) e Lara Moura (PSC-Japaratuba).

 

Na pauta do TSE 2

O TSE vai julgar os recursos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral e a Coligação Renovação e Trabalho pedindo a impugnação do registro de candidatura e inelegibilidade de Valmir Monteiro, por rejeição de contas públicas quando prefeito na gestão anterior. O relator do processo é o ministro Napoleão Maia.

 

Na pauta do TSE 3

Já os recursos pedindo a impugnação do registro de candidatura e a inelegibilidade de Lara Moura junto ao TSE foram apresentados  pelo Ministério Público Eleitoral e a Coligação Vamos Fazer Mais e Melhor, mediante acusação de abuso do Poder Econômico e Político. O relator é o ministro Luiz Fux.

 

Velho Chico

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, decidiu anteontem autorizar a continuidade das obras no último trecho da transposição do Rio São Francisco, no Ceará. As obras encontram-se paradas desde setembro de 2016, após a construtora responsável pelo trecho, a Mendes Júnior, ser afastada em decorrência de seu envolvimento nos crimes investigados pela Operação Lava Jato. O governo decidiu realizar então uma nova licitação para retomar a construção.

 

Veja essa...

Na Câmara dos Deputados, a semana começou e acabou na terça-feira (20). O presidente em exercício da Casa, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), não convocou sessões deliberativas, com votações, para quarta-feira e nem para esta quinta-feira.  Ontem, não houve sequer a habitual reunião de líderes, que geralmente acontece às terças.

 

CURTAS

 

Em discurso na Câmara, o deputado federal Fábio Reis (PMDB) solicitou ao Governo Federal a prorrogação do subsídio nas tarifas de compra de energia pelas Cooperativas Permissionárias do Brasil, a exemplo da permissionária Cercos, de Lagarto. O motivo é o aumento abusivo que os consumidores finais tiveram em sua conta de luz.

 

Do senador Eduardo Amorim ontem sobre sua relação com o deputado André Moura, após votação contrária da reforma trabalhista: “Podemos divergir em casa, com amigos, mas o respeito deve existir. Sempre mantive o respeito e vou manter com André Moura”.

 

O deputado estadual Georgeo Passos (PTC), líder da oposição na Assembleia, ingressou com uma ação popular com pedido de liminar para suspender as taxas do Detran/SE. Segundo o parlamentar, a cobrança feita atualmente é ilegal por falta de legislação específica sobre o tema.

 

Considerando as reclamações pontuadas por moradores do Bairro Novo Paraíso, o vereador Juvêncio Oliveira (DEM) protocolou na Câmara indicações que visam melhorias e reorganização da região. As proposituras são referentes ao saneamento básico e limpeza na região.