Divinas de carne e osso

Rian Santos


  • Rogéria – Com a cara e a coragem. Foto: Divulgação

Rian Santos - riansantos@jornaldodiase.com.br

 

Tudo o que já foi publicado sobre o filme ‘Divinas Divas’ (2016) recomenda a ousadia de Leandra Leal, atriz consagrada, correndo risco pela primeira vez atrás das câmeras. A maior parte das leituras do documentário sublinha o seu caráter militante, em razão da história de vida das “personagens” retratadas. Segundo a própria diretora, no entanto, trata-se de merecida homenagem ao trabalho evocado dessas artistas.

 

As artistas, no caso, são as primeiras travestis em atividade no Brasil. Brigitte de Búzios, Camile K, Divina Valéria, Eloína dos Leopardos, Jane di Castro, Marquesa e Rogéria – a geração pioneira, que abriu um caminho hoje mais ou menos pavimentado na marra, com muita purpurina, a cara e a coragem.

 

“Elas são divas para mim. São pessoas que colocaram a arte acima de tudo, que têm dignidade e dedicação à sua arte. Diva, pra mim, é ter isso acima de tudo”, declarou Leandra Leal à Folha de São Paulo.

 

Em termos formais, o documentário não poderia ser mais quadrado. Trata-se de acompanhar os ensaios do show homônimo, com depoimentos das artistas, pesquisa e resgate de arquivos. Fotos, publicações e filmes contextualizam as histórias relatadas em depoimentos diversos, como de praxe. São os valores trazidos à tona por um trabalho minucioso de arqueologia documental, no entanto, que justificam o esforço. Em tempos de atentados diversos contra direitos fundamentais, ‘Divinas Divas’ realiza uma oportuna afirmação em favor das liberdades individuais de todo tipo de gente. 


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