Planalto não quer “Diretas Já”

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Publicada em 25/05/2017 às 00:56:00

Ontem, na Esplanada dos Ministérios, o povo foi às ruas pedir “Diretas Já” para presidente da República, em manifestação organizada pelos movimentos sindicais e sociais denominada “Ocupa Brasília”. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, chegou a declarar à imprensa: "Para nós, 'Fora, Temer' virou passado. Não adianta sair Temer e entrar Meirelles, Cármen Lúcia ou Rodrigo Maia. O que interessa são Diretas Já".

Enquanto ocorria a manifestação nas ruas de Brasília, de Sergipe e demais capitais do país, na Câmara dos Deputados a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) não conseguiu analisar a proposta de emenda à Constituição (PEC 227/16) que prevê eleições diretas no caso de vacância da Presidência e da Vice-Presidência da República a qualquer tempo do mandato, exceto nos seis últimos meses. A PEC das Diretas Já foi retirada de pauta

Apesar de ter sido retirada de pauta, novamente, pelo presidente da comissão, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), o tema monopolizou os debates e impediu a votação de outras propostas.  Pacheco sinalizou que pode pautar a PEC na próxima quarta-feira (31) pela manhã, como item único de votação, como foi feito para a PEC da reforma da Previdência (287/16), mas não houve acordo para isso.

A oposição protestou dizendo que o governo está obstruindo as votações na CCJ porque sabe que não tem votos para derrotar essa questão e que vai  insistir para que ela seja votada. Houve grandes embates entre deputados da base aliada do governo e da oposição.

Os partidos da minoria reivindicam que a CCJ considere o requerimento protocolado ontem para convocar uma reunião extraordinária para discutir a PEC das diretas como pauta única. Eles argumentam que o regimento interno da Câmara prevê a possibilidade de convocação de uma reunião extraordinária, desde que o requerimento tenha assinaturas de pelo menos um terço dos membros do colegiado.

O líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), negou que a base aliada tenha recebido orientações do Palácio para evitar a tramitação da PEC. “Nós do governo entendemos que essa pauta das diretas é uma proposta que não deve existir, mesmo porque nós temos uma previsão regimental, que está prevista na Constituição e que logicamente você não tem porque mudar as regras que estão previstas na Constituição”, afirmou.

Disse ainda André: “Na verdade o intuito [da oposição] é fazer um palanque político, então cabe ao governo, entendendo que a PEC não cabe no momento, logicamente, derrotar. E voto para isso nós temos, o que não pode é a oposição obstruir os trabalhos”.

Pelo andar da carruagem, não vai ser fácil o Congresso Nacional aprovar a PEC das “Diretas Já”, pelo fato do governo Temer ainda resistir a deixar o Planalto.

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Tropas federais

Não foi pacífica à manifestação ontem, na Esplanada dos Ministérios, pelas “Diretas Já” e contra as reformas. Teve quebra-quebra e até incêndio aos ministérios da Fazenda e Agricultura após confronto entre manifestantes e a polícia. O presidente Temer convocou as tropas federais para Brasília até 31 de maio e chamou o protesto de “baderna”. De Sergipe, estão no movimento “Ocupa Brasília” 300 manifestantes.

 

Ato em Sergipe

As manifestações ontem em Sergipe pelas “Diretas Já” e contra as reformas foram concentradas na Praça da Imprensa, pela tarde. Depois os manifestantes saíram em passeata até a sede do PSC, que é o partido do líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE). Picharam o muro com a foto de Temer e “Diretas Já”.

 

Nomes para o Planalto

Ontem, em Brasília, os nomes que estavam na ordem do dia para a presidência da República, através de eleição indireta: o do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e do ex-ministro Nelson Jobim (PMDB-RS). O nome do ministro Henrique Meirelles (Fazenda) perdeu gás essa semana por não ter tanto poder de negociação com o Congresso, assim como o da presidente do STF, Carmém Lúcia.

 

Crescem pedidos

Já são 12 os pedidos para o impeachment do presidente Michel Temer, protocolados desde a quarta-feira (17), segundo a Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Caberá ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, analisar a admissibilidade desses pedidos. Nesta quarta-feira a OAB vai protocolar pedido de impeachment.

 

O que pensa Maia

Ao ser questionado por jornalistas sobre os pedidos de impeachment o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse: “A Câmara dos Deputados e sua presidência não serão instrumentos para desestabilização do governo”. Segundo ele, “o Brasil já vive uma crise muito profunda para que a Câmara cumpra um papel de desestabilização maior”.

 

Alvos de impeachment

Não foi só Brasília que sentiu os efeitos das delações da JBS. Quatro governadores foram alvos de pedidos de impeachment nos últimos dois dias, todos devido a citações nos depoimentos dos sete executivos do grupo frigorífico que assinaram acordo com a PGE. Foram eles: Camilo Santana (PT-Ceará); Reinaldo Azambuja (PSDB- Mato Grosso do Sul); Ivo Sartori (PMDB-Rio Grande do Sul); e Raimundo Colombo (PSD- Santa Catarina).

 

Anulação das delações

Líderes do governo de Michel Temer e de 17 partidos políticos apresentaram na Mesa da Câmara dos Deputados, proposta que tem o objetivo de criar uma pressão a favor da anulação da delação firmada pelo empresário Joesley Batista e por outros executivos da JBS com a Procuradoria-Geral da República. Assinam a proposta os líderes do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e no Congresso, André Moura (PSC-SE), além de líderes de 17 partidos do governo e da oposição, que reúnem 448 dos 513 deputados (87% do total).

 

CPMI contra JBS

O senador Eduardo Amorim (PSDB-SE) assinou requerimento para instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), encabeçada pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), para investigar a atuação do grupo JBS no mercado de capitais. A CPMI visa apurar os ganhos financeiros do grupo após a divulgação da delação premiada à Justiça.

 

Nova pesquisa 1

A TV Atalaia divulgou ontem pesquisa para o governo do Estado e para o Senado nas eleições de 2018. Assim como uma avaliação dos governos Jackson Barreto (PMDB) e Edvaldo Nogueira (PCdoB). A pesquisa foi feita pelo Instituto Paraná e ouviu 1.502 pessoas em 30 municípios de Sergipe, entre os dias 18 e 22 de maio. O grau de confiabilidade é de 95% e margem de erro de 2,5%.

 

Nova pesquisa 2

Para o Senado, quando haverá duas vagas em 2018, a população avaliou sete nomes. Em primeiro lugar aparece o senador Valadares Filho (PSB), com 34,8% das intenções de votos; em segundo o senador Eduardo Amorim (PSDB), com 30,4%; em terceira posição o governador Jackson Barreto (PMDB), com 21,5%; em quarto lugar o deputado federal André Moura (PSC), com 15,7%; em quinto o ex-deputado federal Rogério Carvalho (PT). Empatados na última colocação, com 11,8% das intenções de votos: o ex-deputado federal Heleno Silva (PRB) e o deputado federal Fábio Mitidieri (PSD).

 

Nova pesquisa 3

Para o governo de Sergipe a pesquisa atuou com dois cenários. Em um cenário: Eduardo Amorim (40,2%), André Moura (14,5%) e Belivaldo Chagas (13,6%). Em um outro cenário: Valadares (47,2%), André Moura (15,1%) e Belivaldo Chagas (11,7%).

 

Nova pesquisa 4

Dos 1.502 entrevistados de como avaliam o governo Jackson Barreto, 36,2% disseram que aprovavam e 59,6% que desaprovavam. Já dos 708 eleitores de Aracaju entrevistados sobre a gestão do prefeito Edvaldo Nogueira um total de 57,9% disse que aprovava e 37,9% que desaprovava.

 

Queixa pública 1

O ex-vereador de Lagarto, Xexeu, disparou o verbo ontem contra o prefeito Valmir Monteiro (PSC) em um grupo de WhatsApp. Disse que o prefeito o traiu, não o considerou e não o ajudou. “Passei quatro anos na Câmara ajudando Valmir e trabalhei na sua eleição. Abri espaço quando ele não tinha nas rádios e hoje ele deu um chute em mim e nos meus amigos que o ajudaram”.

 

Queixa pública 2

Revelou ainda o ex-vereador: “Valmir garantiu que eu seria vereador e me traiu, posso chamar ele de mentiroso. Albano ligou pedindo para me nomear, para ele me colocar em uma secretaria para ajudar os amigos. Ele se calou.  Pegou pessoas adversárias e colocou para tá com ele”.

 

Queixa pública 3

Segundo Xexeu, ele adoece, vai para o hospital e Valmir nem liga para saber. “Até Jerônimo [Reis], que perdeu as eleições, ligou para saber se estava precisando de alguma coisa, assim como Albano [Franco]. E o prefeito que votei não liga. Albano, poderoso, me considera. Mas um prefeito de Lagarto cheio de processos não”.

 

Veja essa...

Do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), ontem, ao ser questionado pela imprensa se haverá Forró Caju: “Pode ter e pode não ter. Vai depender se a prefeitura conseguir recursos para a festa. Entre pagar salário em dias do servidor e fazer o Forró Caju, prefiro pagar os servidores; entre comprar remédios e fazer o Forró Caju, prefiro comprar remédios”. Edvaldo ainda aguarda liberação de recursos de emenda do orçamento da União. 

 

 

 

CURTAS

 

O presidente da Assembleia, Luciano Bispo (PMDB), criou ontem uma comissão para fazer um estudo sobre o atual quadro de servidores efetivos da Casa. Segundo ele, o estudo dará os subsídios necessários para que possa fazer o primeiro concurso público do Poder Legislativo, por estabelecer a quantidade de cargos, quais as áreas e o valor dos salários.

 

Os deputados Augusto Bezerra (DEM) e Paulinho das Varzinhas (PTdoB) marcaram presença ontem no plenário da Assembleia, após decisão judicial permitindo que voltassem a assumir as atividades parlamentares. Eles cumprimentaram normalmente os colegas parlamentares e não usaram a tribuna.

 

Os dois deputados estaduais retornam  ao Poder Legislativo após dois anos e cinco meses afastados, mas continuarão respondendo criminalmente pela acusação de desvio das verbas de subvenção da Assembleia.

 

O PSB do senador Valadares, que decidiu romper formalmente com o governo Temer, colocou a faca no pescoço do deputado Fernando Coelho (PE), ministro das Minas e Energia. Disse que se quiser continuar no partido, terá que pedir exoneração do ministério e se optar pela legenda, não poderá continuar no governo.