Agora as prioridades são outras

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Publicada em 19/05/2017 às 00:26:00

O ainda presidente Michel Temer sabia do grande risco de não aprovar a reforma Trabalhista no Senado e a reforma Previdenciária no Congresso Nacional. Por conta disso ele e a sua tropa de choque começaram a trabalhar pesado para conseguir aprovar as reformas.

A primeira ação foi de retaliação. Com a aprovação na Câmara dos Deputados da reforma Trabalhista por apenas 296 votos favoráveis e haver uma necessidade de 308 votos na reforma da Previdência, Temer mandou exonerar todos os cargos federais nos estados indicados pelos aliados deputados federais que votaram contrários a reforma Trabalhista.

De Sergipe perderam as indicações os deputados Valadares Filho (PSB), Jony Marcos (PRB) e Adelson Barreto (PR). Era um aviso do que podia acontecer com os senadores que votassem contra as reformas Trabalhista e da Previdência. No caso de Sergipe, um alerta para os senadores Antônio Carlos Valadares (PSB), Eduardo Amorim (PSC) e Maria do Carmo Alves (DEM).

O governo Temer estava barganhando a devolução dos cargos dos deputados que votaram contra a reforma Trabalhista para que votasse favorável a reforma Previdenciária e começou uma pressão forte sobre os deputados federais do PMDB para que fossem a favor da reforma Previdenciária. Até ameaçou de expulsar do partido aqueles que não fossem a favor da reforma da Previdência, atingindo diretamente o deputado federal peemedebista Fábio Reis (SE), que não votou na reforma Trabalhista.

O próprio presidente Temer passou a se reunir com a bancada de senadores dos partidos aliados pedindo e pressionando pela aprovação das reformas. Na segunda se reuniu com os senadores do PSDB, estando presente Eduardo Amorim. O parlamentar sergipano já declarou publicamente que votará contrário as reformas Trabalhista e Previdenciária. Fez o mesmo o senador Valadares (PSB).

Diante deste cenário de dificuldade para aprovar as reformas, tão nocivas ao trabalhador brasileiro, o presidente resolveu apelar para os prefeitos e governadores. Durante a solenidade de abertura da 20ª Marcha dos Prefeitos a Brasília, aberta na última terça-feira, assinou a Medida Provisória 778/17, que prevê parcelamento da dívida previdenciária dos estados e municípios e mandou imediatamente para tramitação no Congresso Nacional.

Na quarta-feira Temer voltou a se reunir com governadores para tratar de vários assuntos, dentre eles, a reforma da Previdência. Chegou a pedir apoio para que interferissem junto a bancada federal.

No final da tarde de quarta-feira, quando estava reunido apenas com alguns governadores do Nordeste, inclusive Jackson Barreto (PMDB), Temer ficou sem chão e saiu à francesa quando foi informado da bomba detonada pelos empresários da JBS, que deve tirá-lo do governo.

Em delação à Procuradoria-Geral da República (PGR), em março deste ano, Joesley Batista mostrou gravação do presidente dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.

Agora o povo brasileiro, estarrecido, mas não surpreso, aguarda pela renúncia ou o impeachment do presidente golpista. Ele, que só tem 4% de aceitação popular, não terá como se sustentar no Poder pela forte tendência de perder o apoio no Congresso Nacional, pelo aprofundamento da crise econômica e instabilidade política, além da falta de apoio do povo brasileiro.

O lado bom de toda essa crise política é que deve sair da pauta as reformas Trabalhista e Previdenciária, com 80% de rejeição popular, que o quase finado Temer estabeleceu como prioridade do seu governo e que seria a desgraça do trabalhador brasileiro, sempre obrigado a pagar a conta da grande corrupção no país.

Na pauta do Congresso Nacional deve estar agora: Diretas Já, pois o Congresso repleto de delatados, investigados, denunciados e réus não tem como eleger em um mês um novo presidente; e Reforma Política, que realmente mexa com as estruturas de representação.

O país tem pressa. Fora Temer! É só empurrar que ele cai...

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Diz que fica 1

Em pronunciamento ontem à Nação, o ainda presidente Michel Temer disse que não renunciaria ao mandato. "Não renunciarei. Repito, não renunciarei. Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo", frisou.

 

Diz que fica 2

Temer fez o pronunciamento no Palácio do Planalto, na companhia do líder do governo no Congresso Nacional, deputado federal André Moura (PSC); dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo); do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR); do vice-líder do PMDB na Câmara, Darcísio Perondi (RS), além do deputado federal Beto Mansur (PRB-SP).

Fechando o cerco

O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF),  ministro Edson Fachin, autorizou abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer. O pedido de investigação foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Com a decisão, Temer passa formalmente à condição de investigado na Operação Lava Jato.

 

Efeito Temer 1

Os ministros Bruno Araújo (Cidades) e Roberto Freire (Cultura) decidiram deixar o governo. São as primeiras baixas desde que se instalou a crise política após a delação do empresário da JBS de que Temer deu aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha.

 

 

Efeito Temer 2

Ontem, em nota, o relator da reforma trabalhista das comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e Assuntos Sociais (CAS) do Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), informou que o calendário de análise da proposta está suspenso em razão da "crise institucional" que se instalou após a revelação bombástica de Joesley Batista. Existia uma previsão que a análise da proposta pelo Senado seria concluída até o dia 15 de junho.

 

Efeito Temer 2

Por conta da bomba disparada pelo empresário da JBS o dólar operou ontem em alta em relação ao real.  A moeda norte-americana fechou em alta de 8,15%, cotado a R$ 3,389 na venda, após chegar a operar a R$ 3,13 na quarta-feira. Já a Bolsa de Valores fechou em queda de quase 10%.

 

Efeito Temer 3

Com uma bancada de 13 deputados, o PTN foi o primeiro partido da base aliada a anunciar oficialmente ontem o rompimento com o governo Michel Temer. Em carta assinada pela presidente nacional do partido, deputada Renata Abreu (SP), e pelo líder da legenda na Câmara, deputado Alexandre Baldy (GO), a sigla afirma que assumirá posição de "independência" em relação ao governo. Em Sergipe o partido é presidido pelo ex-prefeito Sukita.

 

Efeito Temer 4

O PPS e o PSB caminham também para romper com o governo. O PSB, inclusive, deve entregar os cargos que ainda tem no governo federal. Com isso o senador Antônio Carlos Valadares deve perder a presidência nacional da Codevasf. A expectativa da bancada é que, em razão disso, o senador aceite fazer o remanejamento dos R$ 100 milhões de emenda impositiva que foi destinado para a companhia.

 

Efeito Temer 5

Com a grande possibilidade de Temer cair, o deputado federal André Moura (PSC) poderá perder a grande influência que tem no governo federal como líder no Congresso Nacional. Sergipe perderá também.

 

Efeito Temer 6

Em Sergipe, os movimentos sociais e sindicais - comandados pela Frente Brasil Popular - foram às ruas da capital ontem à tarde gritar o “Fora Temer” e “Diretas Já”. A concentração foi na Praça Camerino.  De lá os manifestantes percorreram as ruas do centro e encerraram o ato na Praça Fausto Cardoso.  Manifestações também ocorreram em outras capitais do país.

 

Efeito Temer 7

A frente Brasil Popular transformará a manifestação contra as reformas Trabalhista e Previdenciária, marcada para o próximo dia 24, em Brasília, em um movimento pelas “Diretas Já”.

 

Tucano de asas cortadas

Com a delação do empresário da JBS de que o senador Aécio Neves (PSDB) teria pedido R$ 2 milhões para custear despesas com advogados na Lava Jato, o ministro do STF, Edson Fachin, determinou o seu afastamento do mandato. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em seus imóveis e ainda prendeu a sua irmã e assessora, Andrea Neves – considerada sua operadora nas investigações da Lava jato -, e o primo Frederico Pacheco de Medeiros, que recebeu o dinheiro.

 

Ponto de vista 1

O deputado federal Valadares Filho (PSB) esse é um momento muito triste para o país e indignação para homens de bem. “Acredito que a situação do governo Temer é complicada. A situação é grave, vamos aguardar os próximos dias. Acredito que a reação do Congresso Nacional será dura e que o presidente não terá governabilidade”, avalia.

 

Ponto de vista 2

Para o deputado, o presidente, que é do diálogo, poderia fazer um gesto de grandeza ao país e marcar reunião com os partidos políticos e os poderes para encontrar um melhor nome que possa sucedê-lo e depois renunciar ao mandato. “A gravação mostra não só o presidente pedindo que a propina paga a Eduardo Cunha seja mantida, mas aceitando que um procurador da República seja infiltrado e receba propina na Lava Jato. Isso é prevaricar”, disse. 

 

Reunião dos socialistas

 

Revela Valadares Filho que nesse sábado, em Brasília, a Executiva Nacional do PSB se reunirá para analisar a conjuntura nacional. E que o presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, já pediu para o ministro das Minas e Energia, Fernando Bezerra, entregasse o cargo.

 

Só se fala isso em Brasília

Chegou à coluna a informação de que o governador Jackson Barreto (PMDB) teria se desencantado com o líder do governo no Congresso Nacional, deputado federal André Moura (PSC). Tanto é que, nesta semana, em Brasília, não o procurou para nada. JB visitou os ministérios na companhia dos deputados federais Fábio Reis (PMDB) e Jony Marcos (PRB), e sozinho. Quem procurou André para pedir apoio para o Forró Caju foi o prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB).

 

 

Veja essa...

O deputado federal Fábio Mitidieri (PSD) tinha conseguido marcar audiência de prefeitos sergipanos com três ministros de Michel Temer, na terça-feira passada, e duas horas antes elas foram canceladas. Os ministros teriam sido “convencidos” a não recebê-los em represália ao fato do parlamentar vir batendo no governo e votando contra as reformas. O líder do governo no Congresso, André Moura, é suspeito de ter interferido. 

 

 

CURTAS

 

O deputado Valadares Filho e o senador Eduardo Amorim marcaram presença no jantar que André Moura ofereceu anteontem à noite, em Brasília, aos prefeitos de Sergipe que participavam da Marcha dos Prefeitos. André chegou atrasado pela bomba que explodiu no Planalto.

 

Os quatro nomes especulados ontem na mídia nacional para suceder Michel Temer, em eleição indireta: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; a presidente do STF, ministra Carmem Lúcia; o ministro Henrique Meirelles (Fazenda); e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

 

“Somente no ano passado foram registradas em torno de 500 ocorrências ligadas a crime por meio da internet em Sergipe”.  Foi o que informou ontem a delegada Rosana Freitas, durante audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa sobre Crimes Cibernéticos. Na ocasião, ela disse que a Internet é um mundo sem fronteiras.

 

O vereador Juvêncio Oliveira (DEM) denunciou ontem a situação de abandono em que se encontra a Praça Almirante Barroso, também conhecida por Almirante Tamandaré, localizada atrás da Câmara Municipal de Aracaju (CMA).