Caça às bruxas de Temer

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Publicada em 03/05/2017 às 00:08:00

Antes da votação da reforma Trabalhista na Câmara dos Deputados ministros do presidente Michel Temer conversaram com deputados federais da base aliada, que pediram para votar pela aprovação sob ameaça de retaliações.  No dia 26 de abril a reforma - que promove alterações na legislação trabalhista, principalmente na relação entre empregado e empregador - foi aprovada na Câmara por 296 a 177.

Os 296 votos conseguidos na reforma Trabalhista, mesmo com alguns ministros deputados assumindo mandato na Câmara, são insuficientes para a aprovação da reforma Previdenciária em razão da necessidade do mínimo de 308 votos por promover alterações na Constituição.

Insatisfeito com o voto contrário dos aliados a reforma Trabalhista, que deve se repetir com a reforma Previdenciária, o governo Temer resolveu mesmo retaliar com os aliados: determinou a exoneração dos seus apadrinhados políticos nos órgãos federais dos seus estados. Estabeleceu o caça às bruxas durante reunião com 11 ministros e líderes partidários no Palácio da Alvorada, em pleno feriado do Dia do Trabalhador.

No Diário Oficial da União dessa terça-feira já foram publicadas as exonerações dos apadrinhados daqueles que Temer está chamando de “infiéis”. De Sergipe, foi nessa primeira levada a superintendente regional do Ibama, Vera Cardoso, indicada pelo deputado federal Adelson Barreto (PR); os coordenadores do Dnocs e Iphan, Anailton Ribeiro e Gilmair Santana respectivamente, indicados por Valadares Filho (PSB); e os superintendentes do INSS e Conab, Raimundo Brito e Edna Pondé respectivamente.

Valadares Filho, Adelson Barreto e  Jony Marcos votaram contra a reforma Trabalhista e devem votar contra a reforma Previdenciária da forma que está sendo proposta pelo governo Temer. O deputado federal Fábio Mitidieri (PSD) também votou contra a reforma Trabalhista e deve perder o único cargo que tem no governo federal, no Portal Saúde.

A expectativa do povo sergipano é que esses parlamentares mantenham a coerência e não se abaixem às pressões do presidente antidemocrático Temer, que tem uma popularidade de apenas 4%. Que mantenham a posição de votar contra a reforma da Previdência, que é rejeitada por 71% dos brasileiros conforme pesquisa Datafolha.   

O trabalhador brasileiro há de reconhecer isso nas urnas...

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Na corda bamba

Até o deputado federal Fábio Reis (PMDB), que não esteve presente na votação da reforma Trabalhista, está na corda bamba para a perda dos cargos federais em Sergipe. O parlamentar, que é do mesmo partido do presidente Michel Temer, não é simpático à reforma da Previdência da forma que está sendo proposta pelo governo federal. Ele só indicou os Correios em Sergipe.

 

Mostrando coerência

O presidente estadual do PSB, deputado federal Valadares Filho, disse ontem à coluna que está muito tranquilo com as exonerações de cargos federais indicados por ele em Sergipe. “Votei com as minhas convicções e respaldado na decisão do partido de ser contrário às reformas. O governo Temer fique inteiramente à vontade para tomar a decisão que quiser tomar. Reafirmo que votarei contra à reforma da Previdência”, afirmou.

 

Ponto de vista

Valadares Filho considera  difícil a reforma da Previdência ser aprovada na Câmara dos Deputados. “Acho muito difícil ela passar pela forma como foi relatada, por não ter sido discutida amplamente pela sociedade, através de audiências públicas nos estados e município; e pelos seus pontos divergentes, como aposentadoria especial, trabalhador rural e a mulher. Uma reforma como essa seria necessário um ano de discussão e de debate com as categorias”, avalia.

 

Decisão partidária 1

O presidente de honra do PRB, ex-deputado federal Heleno Silva, disse que o seu partido no estado não está incomodado com a perda dos cargos federais em Sergipe. “Foi uma decisão política do partido votar contra as reformas. O deputado Jony Marcos não vai trocar seu voto com repercussão na vida do povo por cargos em Sergipe. O Brasil é um país continental, onde a realidade do sul é diferente do nordeste”, disse.

 

Decisão partidária 2

Segundo Heleno, o PRB não está disposto a fazer com que o povo de Sergipe pague uma conta que o governo federal acha que deve. “Essa foi uma decisão do grupo, acatada pelo deputado Jony Marcos. O presidente que fique com os cargos dele”, frisou.  

 

Como votaram os partidos

Do PMDB de Fábio Reis 52 deputados federais votaram a favor da reforma Trabalhista e apenas sete foram contra; do PR de Adelson Barreto 28 votaram sim e sete votaram não; do PRB de Jony Marcos, 15 votaram a favor e quatro contra; do PSB de Valadares Filho teve quase que uma divisão: 14 votaram a favor da reforma e 16 contra; do SD de Laércio Oliveira um total de cinco votou sim e de oito votou contra. Já o PSC do líder André Moura, o placar foi 8 x 2 a favor da reforma Trabalhista.

 

Na reunião do Planalto 1

Estiveram com Temer na reunião que decidiu pela retaliação aos aliados: os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Antonio Imbassahy (Coordenação Política) e Mendonça Filho (Educação). Foram também ao Alvorada os deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ), Agnaldo Ribeiro (PP-PB), Arthur Maia (PPS-BA) e Heráclito Fortes (PSB-PI). Pelo Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). O encontro contou com a assessoria técnica do secretário de Previdência da pasta da Fazenda, Marcelo Caetano.

 

Na reunião do Planalto 2

Ainda na reunião do 1º de maio no Planalto, ficou decidido que será mantida para hoje a votação da reforma da Previdência na Comissão Especial. O colegiado tem 37 membros. Para prevalecer, o governo precisa de maioria simples: 19 votos. Fez as contas e concluiu que terá algo entre 23 e 25 votos. Fará um arrastão na comissão, para substituir governistas claudicantes e preencher uma cadeira que está vaga. Além do texto-base, será necessário votar emendas apresentadas pelos deputados. Estima-se que parte da votação pode ficar para quinta-feira. Sendo aprovada, a proposta seguirá para o plenário da Câmara, quando Temer precisará de 308 votos.

 

No aguardo

A grande expectativa agora é com os três senadores de Sergipe - Antônio Carlos Valadares (PSB), Eduardo Amorim (PSDB) e Maria do Carmo Alves (DEM) - vão votar no Senado após decisão de retaliação do presidente Temer com aliados. Será que Valadares e Eduardo, que já declararam contrários a reforma da Previdência da forma proposta, estão dispostos a perderem o comando da Codevasf nacional e local respectivamente?

 

Convite

O ex-promotor de Justiça Roosevelt Batista de Carvalho recebeu convite de aliados do governador Jackson Barreto (PMDB) para ser candidato a deputado federal em 2018 pela base aliada.  Informações chegadas à coluna dão conta que Roosevel, que sempre teve uma atuação na região centro sul, foi simpático a ideia e já avalia um partido governista para se filiar, embalado no sentimento da população de que é preciso renovação na política. 

 

Em Sergipe

Na próxima segunda-feira, o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Silvio de Souza Pinheiro, vem ao estado participar do II Encontro de Gestores Públicos de Sergipe deste ano. O evento, a ser realizado no Hotel Aquários, a partir das 8h, é uma realização da Federação dos Municípios do Estado de Sergipe (Fames) em parceria com o líder do Governo no Congresso Nacional, André Moura. Dirigido a prefeitos, o encontro tratará sobre convênios e liberação de verbas do FNDE.

 

Veja essa...

Do ex-deputado federal Heleno Silva (PRB): “Como representante do governo do estado em Brasília estou preocupado com o movimento de caça às bruxas do governo Temer, pois se o senador Valadares perder a indicação nacional da Codevasf os R$ 100 milhões de Sergipe, da emenda coletiva impositiva, vão para o beleléu”.

 

 

 

CURTAS

 

De uma liderança política sobre os cargos federais de Sergipe que estão sendo exonerados: “Pelo visto, todos ficarão sob a indicação dos deputados André Moura e Laércio Oliveira”.

 

O senador Valadares presidiu ontem a Comissão Mista de Orçamento (CMO), que acabou cancelada e sendo convocada reunião da CMO para a reunião de eleição do presidente e vice na próxima semana. O parlamentar também presidiu ontem as atividades da Mesa do Senado Federal.

 

O ex-deputado estadual e ex-prefeito Roberto Góes, concorre a reeleição de presidente  da Associação Brasileira de Criadores Indubrasil (ABCI), com sede em Uberaba. A eleição será no próximo dia 05 de maio.

 

Com medo de panelaço e outras manifestações de protesto contra o seu governo, o presidente Michel Temer acabou não fazendo pronunciamento no 1º de maio em rede nacional. Fez uma mensagem para as redes sociais defendendo as reformas.