João Eloy assume e promete preservar investigações

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Publicada em 20/04/2017 às 00:59:00

O delegado João Eloy de Menezes reassumiu na manhã de ontem o comando da Secretaria de Segurança Pública (SSP), em uma rápida e tumultuada transmissão de cargo na sede do órgão. O governador Jackson Barreto (PMDB) não compareceu ao ato e enviou como representante o seu secretário de Governo, Benedito Figueiredo. Já o delegado João Batista Santos Júnior, que ocupava o cargo desde o ano passado, participou da posse e colocou panos quentes na polêmica criada em torno de sua saída.

Em comum, todos falaram em “continuidade” nos trabalhos desenvolvidos por Batista, que entregou o cargo em reunião com Jackson nesta terça-feira. No entanto, a promessa do novo secretário é preservar todas as investigações em curso, mas dar prioridade a todo e qualquer tipo de crime. “A preocupação nossa é dar proteção à sociedade, é de combater a criminalidade. Seja ela de colarinho branco, de tráfico de droga, assalto, homicídio... qualquer tipo de crime, a gente tem que combater”, assegurou João Eloy, garantindo que todos os departamentos e delegacias receberão o mesmo acompanhamento.

O secretário foi muito questionado sobre a permanência da delegada Danielle Garcia Soares na direção do Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap). Ela preside os inquéritos de operações anticorrupção da Polícia Civil, que resultaram em prisões e indiciamentos de políticos e empresários envolvidos em escândalos de corrupção, como o das Subvenções e as operações ‘Babel’, ‘Antidesmonte’ e ‘Indenizar-se’. Eloy garantiu que a delegada permanecerá no cargo e não haverá nenhuma interferência política nos trabalhos de investigação, mas terá o mesmo tratamento dado às outras delegacias da Polícia Civil, que serão orientadas a manter as investigações em sigilo até suas respectivas conclusões e entregas à Justiça.

“Eu seguro qualquer delegado, desde que siga a orientação da Segurança Pública. A doutora Danielle é uma delegada como outra qualquer, e existem outras delegadas competentes e iguais a ela. Não vou mudar a doutora Danielle, que vai continuar fazendo o trabalho dela. A orientação não é dizer pra esconder inquérito. Eu não vim aqui pra passar a mão na cabeça de bandido. Não é pra esconder nada, mas uma preocupação minha é só divulgar um inquérito depois dele concluído e encaminhado à Justiça, com as pessoas indiciadas ou não. Em minha gestão, ninguém vai ser execrado antes da conclusão de um inquérito”, garantiu o delegado, ao ressaltar que a SSP “não não vive em função só do Deotap”.

No contato com os jornalistas, Benedito Figueiredo não soube explicar quais os motivos levaram Jackson a demitir Alessandro e João Batista, mas foi ríspido ao ser perguntado se a decisão foi ou não para “barrar a Deotap” e afastar Danielle Garcia do cargo. “Que é isso! Aí é uma aleivosia [calúnia] à inteligência do governador. Você acha que o governador, pra mexer com A ou com B, iria mexer com delegacia pra poder tirar um secretário de segurança? Tenha paciência, meu amigo! Tenha paciência!”, explodiu o secretário, após dizer que “o governador mexe em qualquer secretaria, com esse secretário ou com qualquer outro”.

 

Agradecimentos – De saída, João Batista cumprimentou Eloy e esclareceu que partiu dele mesmo o pedido de demissão da SSP, alegando que sua missão no cargo foi completada. “Eu pedi para sair porque entendi que o meu ciclo já tinha se fechado e os cargos não são eternos. Estou deixando uma secretaria melhor do que encontrei, já cumpri a minha função como secretário e agora fui convidado para assumir a Academia de Polícia Civil (Acadepol). É com muita honra que faço isso, vou tentar fazer um bom trabalho de formação dos policiais civis”, informou ele.

Batista também alegou cansaço mental e falta de tempo de convivência com a família. Ele acertou a saída com Jackson após voltar uma viagem de folga a Portugal. “Ele entendeu a decisão de forma Eu agradeço ao governador pela oportunidade, pelo apoio incondicional que me deu, e parabenizo pela escolha de um colega, de um amigo-irmão para o meu lugar. Tenho certeza de que todo o trabalho vai continuar sendo bem feito. Saio muito feliz porque saio como amigo do governo e da Secretaria”, disse o delegado.

A transmissão de cargo marcou ainda a posse de Katarina Feitoza na Delegacia Geral de Polícia Civil, substituindo Alessandro Vieira, que foi exonerado pelo governador. Vieira evitou comentar o motivo da demissão, mas confirmou que não foi procurado por Jackson e disse que segue à disposição da Polícia, agradecendo pelo trabalho realizado. Katarina, por sua vez, elogiou o colega e prometeu manter os projetos e a linha de trabalho da gestão anterior. “As expectativas são as melhores, pois encontramos uma casa arrumada pelo trabalho de excelência realizado por João Batista e Alessandro Vieira. Daremos continuidade trazendo força de trabalho em cima do que já estava sendo construído”, comenta.

 

Coordenadorias – No começo da noite, outras duas mudanças foram confirmadas na cúpula da Polícia Civil. A delegada Viviane Cruz Pessoa, que dirigia o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), assume a Coordenadoria de Polícia da Capital (Copcal), substituindo o delegado André Baronto. Já o delegado Jonathas Evangelista, então na diretoria do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), vai para a Coordenadoria da Polícia do Interior (Copci), no lugar do delegado Fabio Pereira. Ambos já ocuparam estes cargos ao longo da segunda gestão de João Eloy na SSP, entre 2009 e 2014.