Homicídios fazem de Aracaju a 12ª mais violenta do mundo

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Publicada em 08/04/2017 às 00:51:00

Duas pesquisas divulgadas nesta semana confirmam que a alta dos homicídios em Sergipe nos últimos dois anos produziram resultados negativos para a segurança do Estado. A primeira, realizada pela ONG mexicana Seguridad, Justicia y Paz, colocou Aracaju e sua região metropolitana em 12º lugar no ranking das 50 cidades mais violentas do mundo, baseando-se em dados dos crimes registrados em 2016. A segunda, realizada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP/FGV), baseou-se nas ocorrências apuradas em 2015, mas apontou que Sergipe é o estado com a maior taxa de homicídios dolosos do país.

Seguindo um padrão internacional de metodologia, ambos os levantamentos se baseiam na taxa de homicídios, isto é, o número exato de crimes registrados dividido pelo total de 100 mil habitantes. Na pesquisa mexicana, baseada nos casos do ano passado, foram registrados 589 homicídios na Grande Aracaju, perfazendo uma taxa de 62.76 crimes por 100 mil habitantes. A Seguridad considerou os números totais de Aracaju, São Cristóvão, Barra dos Coqueiros e Nossa Senhora do Socorro, cujo total de habitantes, segundo a projeção anual do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é de 938.550 habitantes.

Entre as 19 cidades brasileiras citadas no ranking, Aracaju foi a terceira, ficando abaixo apenas de Belém (PA) e Natal (RN). No entanto, a taxa da capital sergipana superou outras cidades de maior porte e com histórico pior de violência urbana, como Salvador (BA), Maceió (AL), Fortaleza (CE), Manaus (AM) e Curitiba (PR). E ficou acima até de cidades estrangeiras marcadas pela desigualdade social e por disputas entre gangues e quadrilhas ligadas ao narcotráfico, como Tijuana e Ciudad Juárez (México), Detroit, Baltimore e New Orleans (Estados Unidos), Cidade do Cabo e Durban (África do Sul), Cali (Colômbia), Kingston (Jamaica) e Cidade da Guatemala (Guatemala).

O JORNAL DO DIA teve acesso ao relatório da pesquisa mexicana. Ele dedica duras críticas à Secretaria da Segurança Pública (SSP), que ontem divulgou nota rebatendo as conclusões (leia mais nesta página). A ONG acusa o Estado de não divulgar os dados relativos aos índices de crimes em Sergipe, deixando sua página na internet “permanentemente inacessível”, e de divulgar informações à imprensa “de forma fracionada, desconexa e incompleta”, priorizando as quedas nos números de homicídios.

“Calcular a taxa de homicídios da Região Metropolitana de Aracaju é um grande desafio, pela ausência de informações oficiais completas e confiáveis. (...) Cabe reiterar o que foi dito no ano passado: Diferente da grande maioria dos governos de outros estados de Brasil, que se dedicam em divulgar informações sobre a incidência criminal, o governo de Sergipe é um lamentável exemplo de falta de transparência e prestação de contas”, reprova a Seguridad. Os responsáveis pelo ranking disseram ainda que, diante da “falta de informações claras”, baseou seu levantamento em dados de mortes registradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em reportagens publicadas na imprensa sergipana e nacional.

As matérias jornalísticas colhidas pelos mexicanos citam dados do Instituto Médico Legal (IML) e da própria SSP, que apontaram uma taxa de homicídios “consideravelmente maior” que a registrada em 2015, quando Aracaju ficou em 43º lugar no mesmo ranking da Seguridad. E que, tanto em 2015 quanto em 2016, ano em que Sergipe teve 1.306 homicídios, 45% dos crimes se concentraram em Aracaju, Socorro e São Cristóvão. “Se as coisas vão tão bem em Sergipe e na sua capital, por quê o plano de segurança pública do governo federal em reforço às autoridades locais incluiu Aracaju junto às capitais dos outros estados? Mas o que poderia parecer simplesmente negligência se revelou um propósito deliberado de ocultamento da realidade criminal em Sergipe e na sua capital Aracaju”, ataca o relatório mexicano.

 

Data Crime – Já a pesquisa da FGV, chamada de “DataCrime: Decodificando a Segurança Pública no Brasil”, foi divulgada nesta terça-feira, mas baseando-se em dados de 2015 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ABSP), do SUS e do IBGE. O levantamento apontou que Sergipe liderou os casos de homicídio no país. Em 2015, foram 1.196, perfazendo uma taxa de 53,3 crimes para cada 100 mil habitantes. Em 2014, o Estado ficou em 4º lugar no ranking nacional, com 999 casos registrados e taxa 45,0 por 100 mil habitantes. Do total de mortes dolosas em Sergipe, 1.100 foram causadas por armas de fogo, sendo 95% de homens e 5% de mulheres. Outras 36 pessoas foram assassinadas com armas brancas (16 delas em Aracaju), 21 com força física e sete por outros métodos.

Também em 2015, Sergipe ficou em 3º lugar no número de latrocínios (roubos seguidos de morte), com 47 casos, e o 10º em letalidade policial, ou seja, 43 pessoas mortas por policiais em serviço. A pesquisa verificou ainda se há coerência entre os dados de mortes registrados pelas autoridades de saúde (SUS) e de segurança (SSP). A diferença entre as fontes é considerada pequena. Em 2015, foram 1.293 mortes violentas apuradas pelo SUS e 1286 pelo Anuário, que contem dados da SSP. Já as mortes em acidentes de trânsito tiveram uma diferença maior, sendo 414  apuradas pelo SUS e 340 pelo Anuário.