Os embates depois da folia

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 24/02/2017 às 09:38:00

Rita Oliveira 

 

Os embates depois da folia

 

Após o carnaval, quando realmente começa o ano, a sociedade sergipana acompanhará grandes embates na Câmara Municipal de Aracaju, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.

 Na Câmara Municipal, que tem uma nova legislatura, o maior embate estará relacionado à questão do aplicativo Uber. Apesar de existir uma decisão judicial tornando inconstitucional a lei municipal que proíbe seu funcionamento na capital, os vereadores terão que discutir a questão, uma vez que o Sindicato dos Taxistas vai recorrer da decisão e, muito provavelmente, a SMTT.

Apesar do Uber já funcionar em quase todas as capitais e grandes centros do país, com grande sucesso, por ser um serviço de qualidade e bem econômico para o usuário, haverá grande resistência dos taxistas em Aracaju. Eles alegam já serem prejudicados com os clandestinos e moto táxi e que, havendo mesmo a regularização do Uber, terão dificuldade de sobrevivência.

Na Assembleia, um projeto de lei que vai gerar grande polêmica e embates entre oposição e situação será o da privatização da Deso. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já deve lançar hoje seis editais para dar início ao processo que pode levar à concessão ou privatização das empresas de saneamento nos estados de Pernambuco, Maranhão, Sergipe, Alagoas, Pará e Amapá.

A venda de companhias de saneamento faz parte do programa de ajuste fiscal do governo federal para ajudar os estados a sair da crise financeira. Na última segunda-feira a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou, por 41 votos a favor e 28 contra, a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). Como não poderia ser diferente, não faltaram manifestações de protesto da população e oposição contra a privatização.

Pelo menos três deputados de partidos da base aliada do governo já declararam ser contrários a privatização da Deso: Ana Lúcia (PT), Zezinho Guimarães (PMDB) e o líder do governo na Alese, Francisco Gualberto (PT), que pode até entregar a liderança por ser contrário a sua privatização. Haverá ainda manifestação de servidores e usuários em defesa da companhia de saneamento por temerem demissão e aumento da tarifa respectivamente.

Já no Congresso Nacional a maior polêmica que veremos tem a ver com o projeto de reforma da previdência social. Pela proposta do governo federal, quem contribuir por menos de 25 anos não terá direito a se aposentar mesmo que alcance a idade de 65 anos. Cumprindo os 25 anos, o trabalhador brasileiro receberá 76% do benefício. O valor integral só será pago a quem trabalhar 49 anos com carteira assinada.

O deputado federal Valadares Filho (PSB), que é da base do governo, já declarou ser contrário a essa proposta de reforma da previdência por penalizar o trabalhador, que terá que trabalhar por 49 anos para se aposentar com o benefício integral. O deputado federal Fábio Mitidieri (PSD), que é oposição, também já afirmou que votará contra esse artigo da reforma por ser nefasta ao trabalhador brasileiro.

Trocando em miúdos, após a folia do momo veremos no legislativo muitas colisões entre parlamentares de oposição e situação, assim como manifestações de rua contra privatização da Deso, reforma da previdência e implantação do Uber.

 Não vai ser fácil!

 …......................................................................................

 

Ruptura política

Informações chegadas à coluna dão conta de que já está havendo um rompimento político entre o prefeito Padre Inaldo (PCdoB-Nossa Senhora do Socorro) e o seu vice Betinho (PMDB). Há um descontentamento dos dois lados, já com arranhões.

 

Sem dificuldades

Padre Inaldo é um dos poucos prefeitos com uma oposição diminuta. Dos 21 vereadores do município, apenas dois estão na oposição: Vagnerrogeris Lima (PSC) e Alan Mota (PDT).

 

Será?

Ainda segundo informações passadas à coluna, o prefeito de Nossa Senhora do Socorro estaria tentando conquistar o apoio de Vagnerrogeris, que é o líder da oposição, e torná-lo seu líder. O intermediário seria o ex-prefeito Zé Franco (PSDB).

 

No mesmo lugar

Em contato com a coluna, o vereador Vagnerrogeris nega que conversas nesse sentido estejam acontecendo. Garante que continuará líder da oposição na Câmara Municipal.

 

Vaga do Senado

Na base aliada do governo Jackson Barreto (PMDB) duas grandes lideranças têm dito que não abrem mão dos seus partidos comporem a chapa majoritária, pela representatividade das suas legendas no estado: o deputado federal Fábio Mitidieri (PSD) e o chefe do escritório de representação de Sergipe em Brasília, ex-prefeito Heleno Silva (PRB).

 

Na majoritária

Heleno já trabalha o seu nome para o Senado e Fábio diz que só será candidato ao Senado se o governador não for, mas se não concorrer a uma das duas vagas de senador em 2018 o seu partido não vai abrir mão de querer indicar um nome para a majoritária, que no caso é a vice, pois o candidato do governador deve ser do PMDB. Reafirmou ontem o ex-prefeito que o PRB também não vai abrir mão da participação na chapa majoritária pela importância da legenda.

 

Antiga Casa

O ex-deputado federal Bosco Costa (Pros) visitou ontem a Assembleia Legislativa, onde já foi presidente. No dia 10 de março Bosco assumirá a presidência da Codise, em substituição a Rosman Pereira, que comandará a Fundação Hospitalar de Saúde, como já informou com exclusividade a coluna. Bosco é mais uma liderança da oposição que está vindo para o governo.

 

Na dele

O ex-líder da oposição na Assembleia Legislativa, Venâncio Fonseca (PP), tem assegurado aos amigos que nunca existiu a história de que será líder do governo Jackson Barreto (PMDB) na Alese, em substituição ao deputado Francisco Gualberto (PT), que pode entregar a liderança se chegar mesmo na Casa o projeto de privatização da Deso. Desabafou que desempenhou o papel de líder da oposição e não teve o devido reconhecimento. Por pouco Venâncio não foi reeleito em 2014.

 

Em Boquim

Os aliados do governador Jackson Barreto em Boquim estão em polvorosa com a aliança dele com o deputado federal Laércio Oliveira (SD). Isso porque no município o parlamentar apoia o prefeito Eraldo de Cabeça Dantas (SD), que é oposição ao grupo. Em 2016, os aliados de JB apoiaram a reeleição do então prefeito Jean Carlos (PSD).

 

Sem pressa

O ex-vice prefeito José Carlos Machado (PSDB) continua sendo assediado por lideranças partidárias para filiação. À coluna, disse que não tem pressa na definição de filiação pelo fato de ter até abril do próximo ano para fazer isso.

 

No ninho tucano 1

Segundo Machado, ele pode até permanecer no PSDB, mas para isso precisa da garantia de que a legenda vai investir na sua candidatura de deputado federal. “Em 2018, nenhum partido elegerá mais de um federal. Portanto, não adianta trabalhar para dois candidatos que podem ter 50 votos cada um, pois nenhum dos dois será eleito. É melhor trabalhar para que apenas um tenha 80 mil votos e venha a ser eleito”, avalia.

 

Ninho tucano 2

Ressalta José Carlos Machado que não pensará duas vezes em permanecer no PSDB se tiver essa garantia das lideranças do partido, no caso o senador Eduardo Amorim, que deve assumir o comando da legenda no estado. Hoje o PSDB em Sergipe é presidido pelo ex-prefeito Zé Franco.    

 

Maioria sólida 1

O prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) foi eleito em uma coligação que conseguiu fazer oito dos 24 vereadores. Começou a legislatura com o apoio de 16 e agora vem conversando com mais dois vereadores: Zezinho do Bugio (PTB) e Seu Marcos (PHS).

 

Maioria sólida 2

Pelo andar da carruagem, após o carnaval Edvaldo pode ter apenas seis vereadores na oposição: Vinícius Porto (DEM), Elber Batalha (PSB), Lucas Aribé (PSB), Emília Correia (PEN), Cabo Amintas (PTB) e Fábio Meireles (PPS).

 

Caindo na folia

Muitos políticos vão percorrer alguns municípios neste carnaval, com maior ênfase em Neópolis e Pirambu, que vão realizar a tradicional festa do momo. O Rasgadinho, em Aracaju, com certeza, receberá o maior número de foliões políticos.

 

Fora de Sergipe

O governador Jackson Barreto não passará o carnaval em Sergipe. Viaja já nesta sexta-feira à tarde e só retornará ao estado no próximo dia 06 de março. Vai ficar pelo Brasil.

 

Veja essa...

Piada nas redes sociais: “Donald Trump é o presidente dos Estados Unidos e o seu vice é Mickey Pence. Alguém se deu conta que Donald e Mickey governam os EUA? Será que Walt Disney algum dia imaginou isso? E o pior, a população está com cara de pateta e o resto do mundo pluto”.

 

CURTAS

 

O governador Jackson Barreto (PMDB) tem dito a aliados que não responderá mais aos ataques do senador Antônio Carlos Valadares (PSB) ao seu governo. Só se for contra a sua honra. Realmente JB está em silêncio há algum tempo sobre o parlamentar.

 

O empresário Ricardo Franco vem conversando com todo mundo, mas não definirá agora filiação partidária e candidatura. É o que garante o pai, o ex-governador Albano Franco (PSDB).

 

Luiza Ribeiro, prima do deputado estadual Gustinho Ribeiro, tem declarado que não votará no primo em 2018. “É desatencioso. Na política é necessário atenção a aliados e correligionários”, chegou a comentar. Gustinho já perdeu um voto para deputado federal.

 

Desde a última quarta-feira que os cartórios eleitorais em todo o país devem dar publicidade às relações de eleitores que deixaram de votar nas três últimas eleições e que podem ter o título de eleitor cancelado. Os dados revelam que o número de eleitores faltosos é de 1.961.530.

 

A advogada Liara Aparecida Vieira de Andrade é a nova coordenadora do Procon de Aracaju.

-------------------------------------------------------- 

A intenção do governador Jackson Barreto é começar a discutir o candidato a sua sucessão no segundo semestre de 2017, para que, com a definição do nome, já se possa trabalhar apoios.

O vice-governador Belivaldo Chagas (PMDB), que deve ser o nome de JB para sucedê-lo, defende que fique mesmo para o segundo semestre a discussão sobre a sucessão estadual. Acha que esse é o momento de discutir os problemas do estado, a exemplo da seca, que é a mais grave dos últimos anos e que tem 30 municípios em estado de calamidade.