O recuo de Machado

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Em conversa ontem com a coluna, o candidato a prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) disse que não vai nacionalizar nem estadualizar as eleições em Aracaju. \"Vou mostrar quem tem mais capacidade e competência para governar Aracaju da forma como ela tá ago
Em conversa ontem com a coluna, o candidato a prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) disse que não vai nacionalizar nem estadualizar as eleições em Aracaju. \"Vou mostrar quem tem mais capacidade e competência para governar Aracaju da forma como ela tá ago

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Publicada em 10/08/2016 às 08:31:00

Em conversa ontem com a coluna, o candidato a prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) disse que não vai nacionalizar nem estadualizar as eleições em Aracaju. "Vou mostrar quem tem mais capacidade e competência para governar Aracaju da forma como ela tá agora. João Alves conseguiu levar para degradação. Vou apresentar o que fiz como prefeito, o que o projeto que represento realizou em Aracaju e mostrar como João destruiu a cidade. Vou mostrar que no meu governo eu governei para todos, zona norte e sul, diferente de João Alves que trabalhou em uma área só", afirmou Edvaldo, enfatizando que já começou a estruturar a campanha.

O recuo de Machado

O vice-prefeito José Carlos Machado (PSDB) nunca escondeu de ninguém o seu desejo de se manter como vice do prefeito João Alves Filho (DEM) nas eleições deste ano. Chegou até a declarar que não apoiaria a reeleição de JAF se não tivesse na chapa majoritária, quando se especulou primeiramente a preferência do prefeito pelo nome do deputado estadual Robson Viana (PEN) como vice.
Com a experiência política que tem, adquirida ao longo da sua vida pública, Machado sabia que eram alguns secretários mais próximos do prefeito que estavam fritando seu nome com o discurso de que falava muito e só vivia criticando publicamente a gestão.
Percebendo que realmente poderia não permanecer como vice de João Alves, o tucano conseguiu mobilizar os partidos aliados para que defendessem a manutenção do seu nome. A pressão foi grande e em vão, pois Machado foi excluído de todo o processo de negociação da escolha do vice e passou a ser carta fora do baralho com o vazamento de um áudio em que afirmava que toda a equipe de João Alves trabalhava contra ele porque não queria trabalhar, só "roubar", e que João tava "cagando" para isso.
O áudio, que repercutiu negativamente, não só tirou de Machado qualquer chance de permanecer como vice, como o levou ao Departamento de Combate aos Crimes Tributários e Administração Pública (Deotap) para prestar esclarecimentos a delegada Danielle Garcia.
Como já era esperado, Machado não segurou a acusação grave que fez de que a equipe do prefeito só quer roubar e ele tá pouco se lixando para isso. Preferiu reconhecer apenas que a voz era sua, que não tinha nenhuma acusação a fazer à equipe de João Alves, que não tinha provas, que o que falou foi um desabafo em um momento de muito estresse pela possibilidade de não permanecer como vice, que não lembra com quem conversou sobre a grave acusação e que telefonou para os secretários para pedir desculpas.
Mesmo tendo sido humilhado e desmoralizado pelo seu amigo e companheiro há 40 anos no processo de escolha do vice, já que ficou à margem de tudo, Machado preferiu recuar.
Alcançou o seu intento, pois a delegada coordenadora da Deotap decidiu arquivar a investigação alegando não haver justa causa para abertura de inquérito policial, já que não acusou ninguém de corrupção por não ter provas. Revelou que se surgirem provas novas, pode instaurar procedimento para apurar.
O que todos querem saber agora é qual o medo, qual o receio de Machado em não ter sustentado o que disse na gravação, pois como vice deve saber qual membro da equipe está trabalhando de forma ilícita. Ele tinha a obrigação moral de dar nome aos bois para que os que trabalham dentro da lei não estejam na mesma vala comum dos que não agem dessa forma.
Machado subestima a inteligência do povo, que sabe que é na hora da raiva e da pressão que a pessoa acaba falando o que pensa e sabe. É como diz o ensinamento bíblico do profeta Salomão "A boca fala aquilo que o coração está cheio".
Como um peixe morre pela boca, Machado acabou morrendo pela boca...

O que falar 1
Ontem, nas rodas políticas, o assunto mais comentado foi o depoimento do vice-prefeito José Carlos Machado (PSDB) a delegada Danielle Garcia. Serviu de chacota por ter dito que não lembra nem quando nem com quem conversou sobre a grave acusação de que a equipe do prefeito João Alves não quer trabalhar, só roubar e ele tá "cagando" para isso. Chegaram a dizer que se isso for verdadeiro, passa a ideia de que falou a mesma coisa a muita gente que não sabe dizer quem realmente gravou de má fé o áudio e tornou público.

O que falar 2
A maioria é da opinião de que Machado sabe quem gravou o áudio, só não quer dizer por temer que venha a público o resto da gravação por ter acusações piores. Isso por conta da nota de esclarecimento sobre suas declarações em que afirma: "A frase, no contexto de diálogo mantido há alguns dias, decorreu de um desabafo com pessoa da minha suposta confiança, que me provocara. Constato que a gravação, adredemente planejada, objetivou com toda clareza me atingir no momento mais decisivo do processo de escolha de candidaturas às eleições de outubro".

O que falar 3
De um profissional liberal em uma das rodas políticas que discutia o depoimento de Machado: "Até os servidores da prefeitura sabem quem rouba na administração de João Alves. Sabem quem é o maior ladrão e não o toleram pela arrogância e influência sobre o prefeito".

De fora
Ainda na semana passada, tão logo vazou o áudio, o vice-prefeito ligou para a equipe de João Alves pedindo desculpas. O único que ficou de fora foi o atual diretor-presidente da Emurb, Carlos Batalha, que pode retornar para a Secretaria de Comunicação.
Sem provas
Durou cerca de 1h30 o depoimento de Machado à delegada Danielle Garcia. À imprensa ele disse que não tinha provas de corrupção e ressaltou que o prefeito João Alves era um "homem integro". Ressaltou que o áudio tinha a intenção de lhe prejudicar e conseguiu [não permaneceu como vice de JAF].

Não vai vingar
O depoimento do vice deve inviabilizar a CPI que o vereador Emmanuel Nascimento (PT) já conseguiu as oito assinaturas necessárias para a sua implantação, visando investigar quais os auxiliares do prefeito estão roubando. É que ao ser convocado, Machado vai manter o que disse na Deotap.

Os que endossaram
Os oito vereadores que assinaram o pedido de instalação da CPI: Lucimara Passos (PCdoB), Lucas Aribé (PSB), Bigode do Santa Maria (PMDB), Dr. Emerson (Rede), Agamenon Sobral (PHS), Max Prejuízo (PSB), o pastor Roberto Morais (PTdoB) e o próprio Emmanuel Nascimento. Segundo Emmanuel, faltam assinar os vereadores Iran Barbosa (PT), que está de licença, e Bertulino Menezes (PSB).

Pá de cal
O vereador e candidato a vice-prefeito de João Alves, Jailton Santana (PSDB), disse ontem à coluna que vai requerer hoje na Câmara Municipal que os partidos não indiquem nenhum componente para a CPI. "Não tem mais fundamento a CPI, pois não tem mais o que apurar. Ela morreu antes de nascer", avalia.

Tranquilo
De Jailton Santana sobre questionamento da coluna se não tem receio que mais na frente João Alves venha a desistir da candidatura: "Não tenho receio disso. A sua candidatura é para valer, pois não vai decepcionar o grupo que acredita no seu posicionamento. No domingo já teve reunião com a área do marketing da campanha".

Trabalhando
Revela que na sexta-feira passada esteve com João Alves no Festival do Caranguejo, na orla, e no domingo no Mosqueiro visitando os amigos. "Estamos andando, dando continuidade aos trabalhos".

Registro
Jailton Santana foi sondado pelo deputado estadual Robson Viana (PEN) para ser o vice de João Alves na sexta-feira pela manhã, dia da convenção, tão logo o vereador Manuel Marcos (PSDB) não aceitou ser o companheiro de chapa do prefeito. Na oportunidade Jailton defendeu o nome de Machado, mas diante da restrição ao seu nome, acabou aceitando pelo fato de haver uma resolução do PSDB nacional de que o vice de JAF tinha que ser tucano.

Será?    
À coluna chegou a informação que o prefeito João Alves vai chamar os vereadores aliados que estão na coligação do candidato Valadares Filho (PSB) e Edvaldo Nogueira para pressionar a votar nele, sob pena de exonerar os cargos comissionados que têm na administração municipal.

Sai o filho
entra o irmão
Como a coluna já tinha divulgado, o vereador Adelson Barreto Filho (PR), o Tijoi, não vai disputar a reeleição. O deputado federal Adelson Barreto (PR) colocou para disputar a eleição no lugar do Tijoi, que tem um leque de possibilidade de assumir mandato na Assembleia Legislativa, o irmão Ademário Barreto (PR).

Mais um vídeo
polêmico
Vem repercutindo muito nas redes sociais um vídeo em que o ex-prefeito Armando Batalha (São Cristóvão) diz em discurso na convenção do partido que o filho Batalha Neto sendo eleito prefeito vai para casa em 1º de janeiro, pois quem vai sentar na cadeira de prefeito é ele [Armando]. A coluna já tinha divulgado no sábado essa declaração de Armando, que, por sinal, já está na Procuradoria Regional Eleitoral.

Nomeação
A mulher do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Luciano Bispo (PMDB), Roseli Andrade, foi nomeada como Superintendente Executiva da Secretaria de Estado da Mulher, Inclusão e Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos (Seidh).

Veja essa...
O lobista Júlio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse em depoimento ao Supremo Tribunal Federal que, em 2011, foi pressionado e extorquido pelo deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara, a pagar propina de US$ 5 milhões. "Para justificar a cobrança dos valores, ele [Cunha] disse que tinha uma bancada de mais de 200 deputados para sustentar", afirmou o delator.

Curtas
Ao lançar ontem o Plano Novo Chico, o presidente interino Michel Temer disse que, sem a revitalização do São Francisco, as ações de transposição não teriam a eficiência desejada para a população que vive ao longo da bacia deste rio que percorre áreas do Nordeste e de Minas Gerais.

Números apresentados pelo governo indicam que o projeto como um todo tem potencial para beneficiar cerca de 12 milhões de pessoas, dos quais 400 mil são ribeirinhos da Bacia do São Francisco.

De acordo com o Ministério da Integração Nacional, ao dar andamento às obras de saneamento e de abastecimento, o governo beneficiará 217 municípios com investimentos da ordem de R$1,162 bilhão entre 2016 e 2019 - valor que não inclui as ações de proteção e recuperação de áreas de preservação permanente e da recuperação e controle de processos erosivos.
Segundo o ministro das Cidades, Bruno Araújo, o comitê gestor do programa de revitalização apresentará nos próximos 90 dias um detalhamento no qual prazos e quantitativos serão melhor detalhados.

Durante a cerimônia de lançamento do Plano Novo Chico, Temer disse que "não há transposição eficiente se não houver revitalização" e que, por isso, as obras de revitalização terão prioridade. "Essa revitalização pode ser qualificada como uma imensa responsabilidade do governo com todos os setores, especialmente os setores sociais de nosso país."

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, destacou que as obras de transposição estão 89,9% concluídas. "Agora vamos priorizar a conclusão delas e agilizar a garantia da qualidade e quantidade da água, para [o programa] não ficar ineficaz por causa da redução do volume de água do rio."