A ordem é resistir

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Na tarde de ontem, o líder do Governo na Câmara dos Deputados, André Moura (PSC/SE) se reuniu com o presidente interino Michel Temer e o 2º vice-presidente da Câmara, Fernando Giacobo (PR/PR), que conduziu a sessão plenária na noite de ontem. Na pauta da
Na tarde de ontem, o líder do Governo na Câmara dos Deputados, André Moura (PSC/SE) se reuniu com o presidente interino Michel Temer e o 2º vice-presidente da Câmara, Fernando Giacobo (PR/PR), que conduziu a sessão plenária na noite de ontem. Na pauta da

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Publicada em 20/05/2016 às 00:50:00

Na tarde de ontem, o líder do Governo na Câmara dos Deputados, André Moura (PSC/SE) se reuniu com o presidente interino Michel Temer e o 2º vice-presidente da Câmara, Fernando Giacobo (PR/PR), que conduziu a sessão plenária na noite de ontem. Na pauta da reunião a aprovação de duas medidas provisórias que trancavam a pauta - MPs da Zica e do Setor Elétrico - e as matérias que deverão ser apreciadas na próxima semana.

A ordem é resistir

Em conversa com a coluna, o secretário nacional de finanças do PT, ex-deputado federal Márcio Macedo, fez uma análise do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.
Na sua concepção, primeiro o capital resolveu interditar o projeto em curso no Brasil que vinha há 12 anos e retirá-lo em qualquer situação. "Michel Temer e Eduardo Cunha são instrumentos do capital nacional e internacional e a oposição reverbera isso no Congresso Nacional. Esses caras, liderados por Temer, que é o instrumento que eles têm, romperam dois pactos da história mais recente do Brasil: o Pacto da Nova República, que é o pacto pela democracia, e o pacto feito por Lula, que é o da pacificação das classes e que todas as classes cresceram no Brasil".

Segundo Márcio, nos governos de Lula e o primeiro de Dilma todas as classes sociais cresceram: os trabalhadores, a classe média, os empresários, os banqueiros. "Agora, por um ódio de classe, eles interromperam o processo histórico. Não sabemos o que vai acontecer daqui por diante. Esse é o dilema que estamos vivendo. No episódio do impeachment de Collor {Fernando Collor de Melo} tinha alternativas de continuidade do processo democrático. Hoje não tem. Todo mundo está de um lado ou do outro. Então essa é a responsabilidade".

Para ele, a quebra desses dois pactos é das elites, incorporada por Michel Temer que considera o operador, junto com Eduardo Cunha, do golpe. "Isso vamos resistir. Só tem um caminho para resistir: nas ruas, nas redes e na institucionalidade. Nós vamos resgatar os pactos pela democracia e pacificação das classes, por isso estamos nas ruas para voltar a ajudar o Brasil a se defender", frisou.
"Não aceitamos o governo ilegítimo de Temer. Não vamos aceitar nenhum governo que não sai das urnas. Temos de fazer oposição e denunciar ao Brasil o golpe. E o maior mal que está acontecendo no país é o rompimento desses dois pactos feitos por gerações de políticos brasileiro da esquerda e da direita, que estão rompendo agora com o ódio de classe", avalia.
Garante o secretário nacional de finanças do PT que não haverá trégua. "Vamos transformar a vida de Temer em um inferno. A ponte para o futuro de Michel está mais para um túnel para o passado ou desfiladeiro para o inferno. Vamos denunciar o golpe. Fazer oposição e resgatar esses dois pactos que não é só do PT, mas de toda a sociedade brasileira, de todos os partidos e das correntes de direita e esquerda, que é o pacto pela democracia e da pacificação das classes que eles romperam agora".

É preciso mudar
Do secretário nacional de finanças do PT, Márcio Macedo, ao ser questionado se a presidente afastada Dilma Rousseff tem condições de governabilidade com 137 votos na Câmara e 22 no Senado, no caso de retornar ao Planalto: "Se ela voltar, e vamos trabalhar com essa perspectiva, pois não está claro que o golpe se consolidou, ela tem de ser outra Dilma e um outro governo porque a realidade exige isso. É preciso um governo de pactuação nacional e um governo que possa atingir todas as classes sociais, então ela tem que ter consciência que tem de fazer autocrítica e ser uma outra Dilma e outro governo que possa atingir todas as classes sociais e pacificar o Brasil".

A incapacidade
de Temer
Prossegue Márcio: "Não é o Michel Temer quem tem essa capacidade. Pelo Datafolha de um mês atrás, o Temer tem 1% de indicação do voto e 62% de rejeição. No Ibope de 20 dias atrás ele tem 8% de aprovação e 68% de rejeição, então um cara desse não tem autoridade moral com o povo para unificar o Brasil, tocar o Brasil. Essas duas pesquisas mostram que se tiver eleição hoje Lula ganha nas duas eleições. Em uma, a da Datafolha, ele está empatado tecnicamente com a Marina {Silva} e na outra está na dianteira em disparada enquanto Aécio {Neves} está em derrocada".

O mais impopular
Finaliza: "A presidente foi afastada porque não foi política, só por ser impopular, pois não cometeu nenhum crime. Temer é mais impopular que a Dilma. Como ela começou a fazer política agora, mesmo no final, já mostra um crescimento da popularidade. No Piauí, segundo dados que o governador Wellington Dias passou, ela tem 55% de aprovação. Em São Paulo, que era o calcanhar de Aquiles, ela já tem 23% de aprovação. A aprovação e desaprovação em um sistema presidencialista é momentânea. A popularidade ou impopularidade pode ser a favor hoje ou contrário daqui a pouco. Então não se impitima uma presidente por impopularidade, porque não gosta dela. Isso é sangrar de morte a democracia".

Tendo que
se explicar
Diante da repercussão negativa da nomeação do deputado federal André Moura (PSC-SE) como líder do governo do presidente interino Michel Temer na Câmara, mediante alguns processos, o parlamentar saiu ontem com nota de esclarecimento sobre as ações penais, os inquéritos no STF e a Operação Lava Jato. As explicações estão publicadas na página 02 do Jornal do Dia, em que o parlamentar ressalta que houve distorções graves nos noticiários em prejuízo a sua imagem e destaca que jamais foi condenado criminalmente, seja no Supremo Tribunal Federal ou no Tribunal de Justiça de Sergipe.
Até tu, Brutus?
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez ontem uma crítica à indicação de André como líder do governo de Temer. "Essa questão de liderança do governo no presidencialismo é uma escolha do presidente da República. Por isso a pergunta: é o André Moura para o quê? Quais são os compromissos? Vamos dar efetividade em uma casa às matérias que foram aprovadas na outra? Ou vamos segmentar?", questionou.

Crivella 1
O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) ligou para o prefeito Heleno Silva (PRB-Canindé do São Francisco) informando que o PSB e o senador Romário (PSB-RJ) devem apoiá-lo para governador do Rio de Janeiro e colocaram que é prioridade da legenda a pré-candidatura de Valadares Filho a prefeito de Aracaju. Segundo Heleno, o senador bispo da Universal pediu que o partido em Sergipe avançasse nas conversas com Valadares Filho.
Crivella 2
"Disse a Marcelo Crivella que eu e Jony {o deputado federal Jony Marcos-PRB} estamos conversando com Valadares Filho há algum tempo e que, com certeza, o seu pedido será levado em consideração", afirmou Heleno à coluna.

Sem pressa
Segundo o prefeito, o PRB vai continuar conversando com os aliados, mas só vai definir sua posição política nas convenções de julho. "Sempre foi assim, não vamos antecipar nada", frisa.

Só na convenção
A pretensão do governador Jackson Barreto (PMDB) é que o ex-prefeito Ivan Leite (PRB) seja o candidato a prefeito em Estância e não a sua mulher Adriana (PRB). Sobre isso, Heleno disse que o partido também só vai decidir em julho.   

Apoio a Zezinho 1
O PSD está dividido com relação às eleições em Aracaju.  Em janeiro o presidente do Diretório Municipal do PSD, deputado federal Fábio Mitidieri, declarou apoio do partido a pré-candidatura de Valadares Filho. Ontem, o presidente do Diretório Estadual, deputado estadual Jeferson Andrade, oficializou apoio à pré-candidatura de Zezinho Sobral (PMDB).

Apoio a Zezinho 2
Jeferson Andrade declarou apoio a Zezinho Sobral durante visita que fez a sede do PMDB, oportunidade em que disse que o apoiaria por ser um "jovem com excelente desempenho na área de gestão, comprovado nos cargos que ocupou, e uma novidade na política". Foi recepcionado pelo presidente estadual da sigla, João Augusto Gama e os peemedebistas: o presidente da Assembleia Legislativa Luciano Bispo, o empresário Marcos Franco e o prefeito Juca de Bala (Laranjeiras).

Veja essa...
Do presidente afastado da Câmara dos Deputados pelo STF, Eduardo Cunha (PMDB-SE), em depoimento ontem no Conselho de Ética da Câmara no processo que responde por quebra de decoro parlamentar por supostamente ter mentido sobre a existência de contas no exterior (5 milhões de dólares): "Se eu possuísse investimentos, certamente eles estariam declarados. Eu sou beneficiário de um truste. O truste é o detentor do patrimônio, dos investimentos, dos resultados dos investimentos e das perdas, inclusive. Eu não possuo investimento não declarado. Os investimentos e o patrimônio não me pertenciam. Não há como haver prova de que eles são do truste".

... e essa...
Do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que foi adversário de Cunha na corrida eleitoral pela Presidência da Câmara, ao rebater sua declaração na Comissão de Ética sobre o trust: "Perguntou se a gravata e o terno de Cunha teriam sido comprados por ele ou pela trust, se o dinheiro das contas paga diárias de Hotel em Dubai, quem dorme nos lençóis de seda é o senhor ou a trust?".

Curtas
O governador Jackson Barreto (PMDB) retornou ontem mesmo a Aracaju, após participar do V Fórum de Governadores do Nordeste, em Maceió.

O objetivo do encontro foi unificar a pauta do Nordeste para que, de forma organizada, seja iniciado um diálogo com a nova equipe do governo do presidente interino Michel Temer.

Nesta sexta-feira, JB vai a Itabaiana para inspecionar obras de esgotamento e drenagem no município. O investimento é superior a R$ 67 milhões, que vai dotar o município de uma cobertura de quase 100%.
Não haverá oitiva hoje para o depoimento do secretário Benedito Figueiredo (Governo) sobre o período da Ditadura Militar, na Comissão Estadual da Verdade Paulo Barbosa de Araújo. Ele será ouvido na próxima rodada de audiências, cujo período será posteriormente informado pela Comissão.

Um total de 20 pessoas vítimas da ditadura militar já prestou depoimento na Comissão da Verdade. Ontem foi a vez da assistente social Ana Cortês, que foi presa política e torturada quando estava grávida do primeiro filho.