O líder do governo

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Por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou improcedente a acusação apresentada pelo Ministério Público Federal contra o deputado federal Fabio Reis (PMDB-SE), acusado de desobediência eleitoral em 2012, no município de Lagar
Por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou improcedente a acusação apresentada pelo Ministério Público Federal contra o deputado federal Fabio Reis (PMDB-SE), acusado de desobediência eleitoral em 2012, no município de Lagar

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Publicada em 19/05/2016 às 10:16:00

O deputado federal André Moura (PSC) ganhou a disputa com o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e foi o escolhido pelo presidente interino Michel Temer para ser o líder do governo na Câmara dos Deputados. O martelo foi batido no final da noite da terça-feira, como a coluna já tinha informado ontem que caminhava para ser confirmado o seu nome.
André era o nome defendido por partidos como PP, PR, PSD, PTB, SD, ou seja, partidos do chamado "centrão". Ele também contava com o apoio do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por ser um dos seus fiéis escudeiros no Congresso Nacional.
Fiel da balança na votação do impeachment de Dilma Rousseff, o grupo de deputados do "centrão" chegou a levar a Temer durante a manhã da terça-feira uma lista com 300 nomes que apoiavam a condução do parlamentar sergipano para a liderança.
A lista com a assinatura de deputados foi decisiva para Temer nomear André Moura como seu líder na Câmara, mesmo o parlamentar sergipano tendo sido o coordenador do processo de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara.
Isso porque o seu principal rival Rodrigo Maia, além de também ser próximo a Cunha, tinha entre seus cabos eleitorais Moreira Franco, secretário-executivo de Parcerias do governo e um dos principais articuladores de Temer. Maia contava ainda com o apoio dos partidos DEM, PSDB e PPS.
Quando o líder ainda não havia sido definido, o presidente interino avaliava uma terceira via. Dentre os cotados, estavam o relator do impeachment na Câmara, Jovair Arantes (PTB-GO), o presidente da comissão, Rogério Rosso (PSD-DF) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
Após críticas sobre a falta de representatividade feminina em seu governo, duas mulheres entraram no radar de Michel Temer para líder do governo no Senado: Ana Amélia (PP-RS) e Simone Tebet (PMDB-MS).
André venceu a batalha pela liderança com o apoio do "centrão", que não admitia que um nome da antiga oposição ocupasse o posto, e agora terá grande influência e prestígio na nova república. Até porque o líder do governo na Câmara é, em linhas gerais, o responsável por negociar em nome do Palácio do Planalto os temas de interesse do presidente da República.
Todos os holofotes da mídia nacional se voltarão para o parlamentar sergipano sobre qualquer tramitação e votação de projetos na Câmara dos Deputados. Ele, que está no seu segundo mandato como deputado federal e já aparece como um dos "cabeças" do Congresso Nacional, terá abertas as portas dos ministérios em Brasília e direito a indicar muitos cargos no governo.  
Ainda como líder do governo na Câmara, André Moura se torna o parlamentar mais influente da bancada federal de Sergipe. Nas últimas décadas, pelo que a coluna tem conhecimento, nenhum outro político de Sergipe chegou à liderança do governo federal no Congresso Nacional.

Blocão
O "centrão" formou ontem um "blocão" de apoio ao presidente interino Michel Temer.  O novo bloco parlamentar reúne 225 deputados de 13 partidos - PP, PR, PSD, PRB, PSC, PTB, SD, PHS, PROS, PSL, PTN, PEN e PTdoB. Foi esse blocão que apoiou o nome do deputado federal André Moura (PSC) para líder do governo na Câmara.

Contra
Lideranças do DEM, PPS e PSB reagiram nesta quarta-feira à indicação de André para liderança do governo. Parlamentares desses partidos, que defendiam o nome de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o posto, dizem que não vão aceitar a indicação. No caso do DEM, deputados já cogitam, inclusive, pressionar ministros da sigla a entregarem cargos na administração Temer. Acham que Temer cedeu à pressão de partidos do centrão.

A favor
Líderes do centrão rebatem as críticas e dizem que Rodrigo Maia não teria condições de assumir a liderança do governo. "Basta fazer as contas. Rodrigo Maia só tem 25 votos. Nós temos 300. É bem simples", afirmou o líder do PP, Agnaldo Ribeiro (PB), que articulou a criação do blocão com 13 partidos.

Com Temer
O deputado André Moura já esteve ontem com o presidente interino Michel Temer. "Fui chamado, conversei com o presidente Temer e tenho consciência da minha missão de ser o líder do governo que vai reunificar o País", afirmou.

Primeiro trabalho
Como líder do governo, André participou ontem da reunião do Colégio de Líderes e confirmou que seriam colocadas em votação ainda na quarta-feira duas medidas provisórias: a MP 712/16, que define ações de combate ao mosquito transmissor do zika vírus e da dengue; e a MP 706/15, que trata da prorrogação de contratos de concessões do setor elétrico.

Coletiva
Na entrevista que concedeu ontem à imprensa, já como líder do governo, o parlamentar sergipano foi questionado sobre três processos em que é réu no Supremo Tribunal Federal e por ser investigado na Operação Lava Jato.

Defesa própria 1
Sobre os processos no STF, Moura afirmou que está tranquilo e que eles serão arquivados. Com relação à Lava Jato disse que só pela forma que atuou na CPI da Petrobras, não tinha nada a temer. "Não há delação citando meu nome, não recebi doações de empresas da Lava Jato", se defendeu, enfatizando que o pedido de investigação não se refere a corrupção, mas por ter sido "agressivo" e ter "humilhado", nas palavras do procurador-geral Rodrigo Janot, os dirigentes do Grupo Schahin na CPI da Petrobras, da qual era sub-relator.
Defesa própria 2
Segundo o deputado, na condição de sub-relator era o seu dever "questionar interrogados e buscar esclarecer supostos malfeitos praticados contra o serviço público, não importando o tom ou a contundência da sua oratória". Ele diz que se manterá disposto a agir de modo idêntico em todas as ocasiões em que o interesse público estiver em jogo.

Em Maceió 1
O governador Jackson Barreto (PMDB) participa hoje, em Maceió, da reunião entre governadores e secretários de Fazenda dos Estados do Nordeste, que irão debater e estruturar as demandas da região a serem apresentadas ao presidente em exercício Michel Temer. As atividades do encontro serão iniciadas às 9h30, no Hotel Ritz Lagoa da Anta.

Em Maceió 2
A reunião busca a definição de uma pauta única entre os estados do Nordeste para defesa junto à Presidência e envolve a discussão de temas como endividamento, propostas para contornar a crise fiscal e uniformização de pautas tributárias. Entre os temas programados para o encontro está a uniformização das pautas tributárias entre as divisas dos estados, que tem como propósito diminuir o cenário desenfreado de guerra fiscal na região.
Importância
O governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), destaca a importância da presença de todos os governadores nesse momento político e econômico que o país está vivendo. "O foco será buscar benefícios para o Nordeste. Durante a reunião, vamos discutir temas importantes, como as obras hídricas, as obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], a importância do programa Minha Casa, Minha Vida, além de discutir a questão da dívida, que é uma das mais importantes pautas do momento e que nos unifica e nos fortalece enquanto região", afirmou, enfatizando a necessidade dos governadores fazerem um reposicionamento com a chegada do presidente interino, Michel Temer.

Permanece aliado
O deputado estadual Robson Viana - que deixou o PMDB, se filiou ao PEN e tem seu nome cogitado para ser o vice do prefeito João Alves (DEM) nas eleições deste ano - assegura que mantém uma boa relação política com o governador Jackson Barreto. Ressalta que apoiará candidatos do PMDB a prefeito nos municípios de Indiaroba (Adinaldo), Monteirinho (Rosário do Catete) e Tiago (Nossa Senhora das Dores).

Novo partido
Para Robson, foi até melhor para o governador ele estar filiado ao PEN por contar com o apoio da legenda. "Tenho dito nas andanças políticas que meu partido é o PENMDB", disse à coluna.

Os aliados
Segundo o parlamentar, ele não vê problema algum em ser aliado do governador Jackson Barreto e do prefeito João Alves. "Em política é preciso saber separar as coisas, não preciso ser inimigo de ninguém. Jackson tem problemas políticos com João Alves, mas eu não tenho. Estou fazendo política respeitando, dando sustentação ao governo na Assembleia Legislativa", afirmou.

Frente pelo
trabalhador
Deputados e senadores lançaram ontem uma frente parlamentar mista para evitar a aprovação de propostas que limitem, reduzam ou acabem com direitos legalmente assegurados aos trabalhadores brasileiros. Entre essas propostas estão projetos de lei que autorizam a terceirização nas atividades-fim das empresas e o que permite a prevalência do negociado sobre o legislado, assim como Proposta de Emenda à Constituição que autoriza qualquer forma de trabalho já a partir dos 14 anos de idade. Segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), pelo menos 55 projetos em análise no Congresso representam perdas aos trabalhadores.

Veja essa...
A ex-primeira dama Eliane Aquino, indicada pelo PT para ser pré-candidata a vice-prefeita em um partido da base aliada do governador Jackson Barreto (PMDB), só aceitará ser vice de Edvaldo Nogueira (PCdoB). Se o PT decidir marchar com o pré-candidato Zezinho Sobral (PMDB) terá que indicar outro vice. Nada contra Zezinho. Ela só não quer estar no mesmo palanque do presidente interino Michel Temer, tido pelos petistas como "golpista". Anotem.

Curtas
O governador Jackson Barreto viaja hoje cedo para Maceió, para a reunião de governadores do Nordeste. Retorna nesta quinta-feira mesmo e amanhã cumpre agenda em Itabaiana, de visita a obras.

Natural de Itabaiana, o senador Eduardo Amorim (PSC) receberá o título de cidadão aracajuano nessa sexta-feira, às 10h, no Plenário da Câmara Municipal de Aracaju. O autor do título é o vereador Gonzaga (PMDB).
A Conferência Nacional da Unale, que será realizada em Aracaju no início de junho, já conta com a presença dos ministros Augusto Nardes, Joaquim Barbosa, Dias Toffoli e Ronaldo Nogueira.

Os convidados debaterão temas como a Governança Pública - O desafio do Brasil, Desenvolvimento e Segurança Jurídica e o Empreendedorismo em Tempos de Manifestações e Crise, respectivamente.