Ministério que deixa a desejar

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Na próxima segunda o deputado estadual Francisco Gualberto (PT) fará um duro pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa contra o governo Michel Temer. Dirá que não reconhece o seu governo por não ter legitimidade, pelo fato de não ter sido eleito
Na próxima segunda o deputado estadual Francisco Gualberto (PT) fará um duro pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa contra o governo Michel Temer. Dirá que não reconhece o seu governo por não ter legitimidade, pelo fato de não ter sido eleito

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Publicada em 14/05/2016 às 00:13:00

Na próxima segunda o deputado estadual Francisco Gualberto (PT) fará um duro pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa contra o governo Michel Temer. Dirá que não reconhece o seu governo por não ter legitimidade, pelo fato de não ter sido eleito através do voto popular. E que vai manter posição contrária e bater enquanto Temer estiver à frente do governo federal.
Gualberto, que é líder do governo na Assembleia, quer marcar posição em Sergipe. Para isso, convidou para a sessão plenária da segunda-feira sindicalistas e militantes do PT. Quer que eles acompanhem o pronunciamento nas galerias da Alese.

Ministério que deixa a desejar

O presidente interino Michel Temer não foi muito feliz na formação do seu ministério. Formou uma equipe de ministros que está dando o que falar e fazendo com que as pessoas não acreditem que o Brasil vai melhorar, sair dessa crise econômica, política e moral e voltar a crescer.
O primeiro ponto negativo é que quatro dos seus ministros estão envolvidos na Operação Lava Jato. São investigados na Lava Jato os ministros do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Romero Jucá; da Casa Civil, Eliseu Padilha; do Turismo, Henrique Alves; e da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.
Jucá, por exemplo, o principal articulador político de Temer, é citado em delações de executivos da Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez como recebedor de suborno por causa de grandes obras no setor elétrico, como a usina nuclear Angra 3 e Belo Monte.

Três outros grandes aliados e que terão influência no governo também estão envolvidos no Lava Jato: o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), o ex-ministro Moreira Franco e o próprio presidente afastado da Câmara pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sem falar no próprio Temer, que também é citado na Operação da Polícia Federal como quem recebeu propina de empreiteiras no esquema do Petrolão.
Um outro ponto negativo é a sua opção pela formação de um ministério composto em sua maioria por deputados federais e senadores. Dos indicados, 13 são congressistas. Isso representa 57% da nova formação da Esplanada, que agora terá 23 pastas (antes, eram 32).

Foram contemplados em nome da "necessidade da governabilidade" deputados e senadores do PMDB (3), PSDB (2), PP (2), DEM, PPS, PV, PTB, PR e PSB. O percentual representa o triplo com que Dilma Rousseff iniciou o seu segundo mandato, em 2015, com sete congressistas nas 39 cadeiras -18% do total.
Com um ministério político o que deve prevalecer são os interesses políticos e pessoais de cada um que sentar na cadeira de ministro e não o interesse do povo brasileiro.
Mais um fator negativo é que na era da igualdade entre homens e mulheres, da luta contra qualquer tipo de preconceito, Temer forma um ministério sem nenhuma mulher. Fazendo do Planalto um verdadeiro Clube do Bolinha.

Trocando em miúdos, com a formação desse ministério dificilmente o presidente interino Michel Temer conseguirá fazer o que pregou anteontem, no seu discurso de posse: "É preciso resgatar a credibilidade do Brasil, no âmbito interno e internacional, fator necessário para que os empresários do setor industrial, de serviços e do agronegócio, e os trabalhadores de todas as áreas produtivas, se entusiasmem e retomem com segurança os seus investimentos".
Vale lembrar que em Sergipe existem hoje 100 mil desempregados e no país 12 milhões.

Fora da Esplanada
No final da noite de anteontem, o presidente interino Michel Temer indicou os dois últimos ministros que estavam faltando: o da Integração Nacional e Minas e Energia.  Com isso, Sergipe não ficou mesmo com um ministério, apesar de toda a bancada de três senadores ter votado pela admissibilidade do impeachment- Antônio Carlos Valadares (PSB), Eduardo Amorim (PSC) e Maria do Carmo Alves (DEM) - e seis dos oito deputados federais também terem votado pelo impedimento da presidente Dilma Rousseff: André Moura (PSC), Adelson Barreto (PR), Fábio Reis (PMDB), Jony Marcos (PRB), Laércio Oliveira (SD) e Valadares Filho (PSB).

Os cotados
Quatro nomes da bancada federal de Sergipe chegaram a ter seus nomes cogitados para um ministério: Valadares, André Moura, Jony Marcos e Laércio Oliveira. Foi especulado ainda pela mídia nacional o nome do ex-ministro do STF, Carlos Ayres Brito, pela amizade pessoal com Temer.

Contemplados do Nordeste
Na formação do ministério o estado de Pernambuco foi contemplado com quatro ministérios: Defesa (Raul Jungmann/PPS), Educação e Cultura (Mendonça Filho/DEM), Cidades (Bruno Araújo) e Minas e Energia (Fernando Filho/PSB). A Bahia ficou com a Secretaria de Governo (Geddel Vieira/PMDB) e Alagoas com Portos, Transportes e Aviação Civil (Maurício Quintella/PR).

Réplica de
Jackson
Os senadores Valadares e Eduardo Amorim reagiram ontem às declarações do governador Jackson Barreto (PMDB) à coluna os chamando de "patetas". Disse JB sobre o voto dos senadores de Sergipe pela admissibilidade do impeachment de Dilma: "Foi uma vergonha o pronunciamento dos três senadores. Pareciam os três patetas. Maria precisou ler o pronunciamento, Eduardo Amorim não falou coisa com coisa e Valadares discursou querendo enganar a si mesmo. Parecia uma ópera-bufa".
Tréplica de Valadares
Postou Valadares nas redes sociais: "Pateta é quem pensa que o povo é besta ao apoiar às escondidas o voto de seu maior aliado na Câmara em favor do impeachment, Fábio Reis".

Nota do PSB
Ontem, o PSB de Sergipe saiu com nota de desagravo ao senador Valadares pelas "inapropriadas e infelizes" declarações do governador. Diz a nota: "Esse tipo de atitude é inadequada e incondizente com a função de governador de estado e demonstra total desrespeito pelas instituições, em especial pelo Senado Federal da República".

Tréplica de Amorim 1
Disse Eduardo Amorim em nota enviada à coluna: "O governante que nós temos é aquele que leva tudo na palhaçada, que não tem nenhuma credibilidade. O Governo de Sergipe sofre de credibilidade, de respeito. Quem não respeita, não merece nenhum respeito. Ele não respeita o servidor público, aquele que está sofrendo nas portas do hospital. Ele não respeita o sofrimento alheio. Leva tudo na brincadeira, na base da palhaçada. Atitude patética foi o que ele passou essa semana. Mesmo ele apoiando o governo desacreditado da ex-presidente. Ficou horas e horas, aqui em Brasília, esperando o ministro (Jaques Wagner) atender e não foi atendido. Ele não tem nenhuma credibilidade".

Tréplica de Amorim 2
Prossegue: "Meu voto, eu fundamentei. Descortinamos e tiramos esse tapete da podridão. Saiu o que tinha debaixo desse tapete. Vimos que não era contabilidade construtiva. Fundamentei meu voto porque a presidente cometeu crime de responsabilidade e infringiu não só a Constituição, mas diversas outras leis, como a orçamentária e do Impeachment. Meu voto foi argumentado naquilo que eu li do relatório do Tribunal de Contas e do que ouvi daqueles que vieram à Comissão do Impeachment. Passei quase 15 minutos argumentando meu voto. Infelizmente, o governador vive no picadeiro levando sempre na palhaçada. O que é muito triste quando uma coisa deve ser levada a sério num momento como esse que o País está passado.  Pior de tudo é que quem paga é o povo. Mas haveremos de aprender e dar as respostas a esses maus governantes".

Tréplica de Amorim 3
Ressalta o senador: "Agora, o senador Valadares tem razão. O governador está fazendo as pessoas de pateta, de besta, porque acreditaram nas suas palavras e o resultado a gente está vendo no dia a dia. Um desgoverno. Não tem respeitado o servidor público de Sergipe, não tem respeitado o cidadão, o empresariado e não tem nenhuma credibilidade. Leva tudo na base da palhaçada e da brincadeira. Infelizmente, estamos pagando por isso e haveremos de pagar por alguns meses mais".

Tréplica de Amorim 4
"O governador não tem nenhuma credibilidade. E isso ficou comprovado nesse processo de Impeachment agora. Ele não deu um voto sequer à presidente. É um governador que não tem comando na bancada federal. Olhando para outros estados, você vê o governador da Bahia. Ele manteve firme a bancada defendendo a presidente. A Bahia deu os três votos dos senadores. Em Sergipe, ele não tem um voto. O Governo do Estado não tem um crédito sequer. Não dá para comprar fiado em um canto nenhum do mundo. Nem aqui em Brasília porque ninguém acredita. Sabe por quê? Porque é o cidadão que leva tudo na brincadeira, na base da palhaçada. Não está nem aí se a violência está estampada, se as pessoas estão morrendo nas portas dos hospitais, se o servidor público está recebendo em dia. O servidor recebe no dia 11, ou depois do dia 11. Não está nem aí. Sempre levou na base da brincadeira".

Na expectativa
O secretário Adilson Júnior (Turismo) aguarda uma conversa com o governador Jackson Barreto (PMDB) até a próxima semana para decidir sobre sua pré-candidatura a prefeito de São Cristóvão. Revela que só se desincompatibilizará da pasta até o final do mês para se candidatar se tiver o aval de JB. O presidente estadual do PDT, prefeito Fábio Henrique (Socorro), o acompanhará no encontro com o governador.

Veja essa...
Aldo Fornazieri (professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo- Fesp) e Maria Hermínia Tavares de Almeida (professora da pós-graduação do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo-USP) dizem que o ministério de Michel Temer está recheado de "raposas políticas".

...e essa...
Para o professor da Fesp, o governo Temer tem a cara fundamentalmente do jogo do toma lá, dá cá. "Temer pagou as custas do dia 17 de abril. Houve uma negociação prévia àquela votação e agora ele está pagando a conta. A escolha de ministros que são investigados joga por terra a limpeza ética que se prometia fazer com o processo de impeachment. É um condomínio de acusados de corrupção. Falsas promessas foram feitas nesse processo de impeachment."

Curtas
O governador Jackson Barreto se reúne na próxima quarta-feira com secretários e assessores para buscar uma saída sobre a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) dos servidores públicos do estado e dar uma resposta ao Sintrase. JB prometeu implantar o PCCV agora em maio.

Informações chegadas à coluna dão conta que existe um acordo branco em Rosário do Catete para a manutenção do poder político do prefeito Laércio Passos e do ex-prefeito Wagner Quintela.

Nesse acordo, Wagner seria candidato a vereador, enfraquecendo a candidatura de Helinho, e Laércio teria mais chance para se reeleger. Resta saber se o povo de Rosário vai aceitar o acordo.

O PT em Sergipe tem dois caminhos a seguir nas eleições em Aracaju: indicar o vice com o nome de Eliane Aquino em uma chapa encabeçada por Zezinho Sobral (PMDB) ou Edvaldo Nogueira (PCdoB). O deputado Francisco Gualberto, do PT Classista, não esconde a sua preferência por Zezinho, por reconhecer em JB um aliado do PT.

Os dois últimos ministros indicados pelo presidente interino Michel Temer são do PSB e do PMDB. O PSB do senador Valadares e do deputado federal Valadares Filho ficou com Minas e Energia, com o ministro Fernando Filho.

O governador Jackson Barreto participou na quinta-feira do velório do ex-presidente do PT, Severino Bispo.

Maria do Carmo Alves reassumiu ontem a secretaria de Assistência Social da PMA. Com isso, Ricardo Franco volta ao Senado.