Chegou o Dia D

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Publicada em 11/05/2016 às 00:48:00

O deputado federal André Moura (PSC) criticou ontem a posição do presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP/MA), de anular a votação de impeachment na segunda e revogar na terça. Disse que foi uma decisão equivocada e absurda, que desrespeitou 367 deputados que votaram a favor do impeachment e a própria população brasileira que foi às ruas pedir o impedimento.
Revela que a Mesa Diretora da Câmara se reuniu ontem e os titulares decidiram, por unanimidade, propor que Maranhão renuncie ao cargo de 1º vice-presidente da Casa ou, como alternativa, se afaste do mandato por 120 dias não prorrogáveis. Disse André que caso ele renuncie haverá eleições para o cargo em cinco sessões.

Chegou o Dia D

Por ser um domingo, 17 de abril, o Brasil parou para acompanhar a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. A sessão especial começou às 14h e só encerrou depois das 23h, com a aprovação do impedimento da presidente por 367 a 137.
Diferente do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não fez manobras para que a votação do impeachment não fosse em um domingo ou feriado, mas em um dia normal de sessão plenária.
Com isso, acontece nessa quarta-feira a votação do impeachment no Senado. A sessão terá início às 9h, havendo uma interrupção às 12h. Os trabalhos retornam às 13h e seguem até às 18h. Uma nova interrupção será feita e a sessão é retomada às 19h seguindo até a votação, que deve ser realizada via painel eletrônico.

Será possível votar sim, não ou abstenção. Somente após a conclusão da votação, será divulgado como cada parlamentar votou.
Os votos dos três senadores de Sergipe já são de conhecimento dos sergipanos. Antônio Carlos Valadares (PSB), Eduardo Amorim (PSC) e Maria do Carmo Alves (DEM) vão votar pelo impeachment da presidente.
Maria do Carmo, que estava licenciada do Senado desde o ano passado para comandar a Secretaria Municipal de Ação Social, retornou ao Congresso Nacional na segunda-feira somente para votar pelo impedimento de Dilma.

O seu esposo, o prefeito João Alves Filho (DEM), tem interesse que ela e não o suplente Ricardo Franco (DEM) vote pelo impeachment, com o único objetivo de ter as portas abertas dos ministérios no provável governo de Michel Temer (PMDB). Vai barganhar o voto da senadora para trazer recursos para Aracaju. Não está errado.
Durante o processo de votação cada senador terá 10 minutos para discutir e mais cinco minutos para encaminhar o voto. A expectativa é que pelo menos 60 dos 81 senadores falem, o que somaria 10 horas de sessão.

O quórum mínimo para votação é de 41 dos 81 senadores (maioria absoluta). Para que o parecer seja aprovado, é necessário voto da maioria simples dos senadores presentes - metade mais um. O presidente do Senado, Renan Calheiros, só vota em caso de empate.
O relatório da comissão pelo impeachment deve ser aprovado hoje com uma diferença significativa, como foi na Câmara. Com isso, o processo de impedimento será oficialmente instaurado e a presidenta Dilma Rousseff afastada por 180 dias.

Apesar de ser um dia normal de trabalho, sergipanos e brasileiros vão dar o jeitinho de ficarem ligados na votação do Senado e torcendo contra ou a favor do impeachment, de acordo com suas convicções. Não faltarão manifestações pelo sim ou não do impedimento.

Na tribuna
Os líderes do PSB e PSC no Senado, senadores Antônio Carlos Valadares e Eduardo Amorim respectivamente, farão uso da palavra quando da votação hoje do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Casa. Terão 10 minutos para discutir e mais cinco minutos para encaminhar o voto.

Ponto de vista
Para Eduardo Amorim, o momento é difícil. "Foi cometido sim um estelionato eleitoral. Foi um crime continuado sobre as pedaladas fiscais", afirmou, enfatizando que acredita que a presidente será afastada com 54 votos.

Fica Dilma
Ontem, véspera da votação do impeachment, teve manifestações pelo Brasil afora contra o impedimento da presidente Dilma. Os manifestantes são ligados a grupos como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), o MST (Movimento Sem Terra), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e Frente Brasil Popular. Em Aracaju, a manifestação ocorreu à tarde, no centro da cidade, com concentração na Praça General Valadão, às 16h.

Manifestações 1
Na manhã de ontem, um grupo de sem terras fez protesto em frente à residência do deputado federal Fábio Reis (PMDB), em Lagarto, por ter votado pelo impeachment na Câmara. Como o parlamentar se encontra em Brasília, quem se assustou com a manifestação - mediante os gritos ofensivos dos manifestantes - foi a sua mãe Rose Meire Almeida que por ser hipertensa acabou passando mal temendo uma invasão na residência. Ela chegou a ser levada para o hospital de emergência da cidade.
Manifestações 2
Fábio Reis repudiou a manifestação em sua casa e responsabilizou o Juquinha do PT e o presidente do Sintese, Nazon Barbosa, pelo protesto que considerou "violento e irresponsável" pelas palavras ofensivas e pichações. "Lamento profundamente que isso tenha acontecido. É preciso saber separar a vida pública da vida pessoal e pensar em quem está sendo atingido com uma atitude como esta", afirmou, enfatizando que os excessos devem ser combatidos e repudiados pela população.

O segundo
O deputado peemedebista é o segundo da bancada federal de Sergipe a ter o MST em sua porta protestando pela votação do impeachment. O primeiro foi o deputado André Moura (PSC), que teve os sem terras realizando manifestações em sua casa, em Pirambu e Aracaju. Na capital, erraram de endereço, mas depois foram para a residência certa.

Incoerência
O governador Jackson Barreto (PMDB) chegou a comentar com aliados o fato da senadora Maria do Carmo Alves (DEM) ter uma bandeira em Sergipe na defesa das mulheres, chegando a criar o Pro-Mulher, e reassumir o mandato em Brasília apenas para votar a favor do impeachment de uma mulher eleita democraticamente com o voto de 54 milhões de brasileiros.

Reforma 1
Com a posse ontem do advogado Eliziário Sobral na Controladoria Geral do Estado, o governador dá continuidade a minirreforma que está fazendo no governo. Ela começou com João Batista na Segurança Pública, seguiu com a nomeação de Wellington Paixão na Sergás, de Mendonça Prado na Agência Reguladora de Sergipe, José Carlos Felizola na Cohidro e Márcio Farias na Segrase.

Reforma 2
Segundo uma fonte palaciana, a reforma administrativa não vai parar por aí. Outras substituições vão ocorrer no primeiro e segundo escalão do governo, mas no relógio de Jackson Barreto.

No café 1
Ontem, em uma roda política em um café do shopping, o comentário foi o fato do prefeito Fábio Henrique (PDT-Nossa Senhora do Socorro) querer ter influência política em quatro municípios da grande Aracaju. Foi criticado por querer eleger o seu sucessor em Socorro, com o nome de Klewerton Siqueira; fazer a esposa, a deputada estadual Silvia Fontes, vice-prefeita de Aracaju e querer eleger o irmão Jason Neto vereador da capital; emplacar o irmão Adilson Júnior prefeito de São Cristóvão; e ainda o enteado Rafael Fontes como vice ou até mesmo vereador na Barra dos Coqueiros.  

No café 2
Um ex-parlamentar chegou a colocar que o PDT não tem força política para tanto. "Quem é o PDT hoje em Sergipe? Só tem Fábio Henrique, familiares e agora o sargento Vieira, que é suplente de vereador", ironizou.

Se movimentando
Apesar do apelo dos familiares para que não dispute a reeleição, o prefeito João Alves (DEM) dá sinais de que vai para a disputa em 02 de outubro. Ontem mesmo visitou as obras de recapeamento de ruas nos bairros Aruana e Atalaia, assim como a obra de urbanização da Praia Formosa, na 13 de Julho. Ainda se reuniu na Emsurb com feirantes, para ouvir as reivindicações da categoria.

Registro
Um relatório divulgado ontem pelo Ministério da Fazenda mostra que seis estados brasileiros - Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Goiás e Rio de Janeiro - estão acima do limite de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. De acordo com a lei, essas despesas não podem ultrapassar 60% da Receita Corrente Líquida do estado.

Veja essa...
No voo para Brasília, na segunda-feira à tarde, o prefeito Heleno Silva questionou o governador Jackson Barreto como resolverá o impasse em Nossa Senhora do Socorro, quando tem três aliados na disputa: o candidato do prefeito Fábio Henrique, o Klewerton Siqueira (PDT); o deputado federal Jony Marcos (PRB); e o deputado estadual Padre Inaldo (PCdoB). JB só deu uma risada.

Curtas
Na ida a Brasília, o governador Jackson Barreto visitou a presidente Dilma Rousseff. JB retornou ontem à noite e hoje tem agenda no palácio.

Os militantes do PSB começaram ontem a entregar os cargos do partido no governo, conforme determinação da legenda. Entre eles, o ex-vereador Danilo Segundo, que tinha um cargo na TV Aperipê.

Informações chegadas à coluna dão conta que com a saída de Adinelson Alves da Controladoria Geral do Estado, o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Clóvis Barbosa, o convidou para atuar na Corte de Contas.
Foi Clóvis Barbosa, quando secretário no governo Marcelo Déda, que levou Adinelson para atuar na CGE.

Prefeitos de Sergipe participam da XIX Marcha dos Prefeitos a Brasília em Defesa dos Municípios, que vai até essa quinta-feira.  

Para o prefeito Heleno Silva (PRB-Canindé), o maior desafio de um gestor municipal é fechar as contas. "A crise das prefeituras é agravada pelo aumento dos custos operacionais de manutenção da máquina pública e pela elevação das despesas", avalia.