Ainda o impeachment

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Publicada em 20/04/2016 às 00:45:00

Como não poderia ser diferente o assunto mais comentado no país, e Sergipe não é a exceção, continua sendo a aprovação do impeachment da presidente da República Dilma Rousseff no último domingo, na Câmara dos Deputados. Cada um com suas convicções.
O entendimento de muitos é que uma quantidade expressiva de deputados votou com ressentimento pelo impedimento da presidente Dilma, seja por interesses contrariados ou pelas suas grosserias. A grande maioria votava falando em corrupção no governo, quando a presidente estava sendo processada por crime de responsabilidade fiscal na questão das pedaladas fiscais, praticadas, também, por governos anteriores.
E isso é o que não poderia acontecer, uma vez que boa parte dos membros do Congresso Nacional tem processos de corrupção tramitando em seus estados ou no Supremo Tribunal Federal. Ou seja, não têm moral para falar em combate a corrupção. É o sujo falando do mal lavado.

Segundo levantamento do Portal EBC na plataforma do Projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil, dos 513 deputados federais 298 respondem a processos na Justiça. O número representa o total de 58,09% dos parlamentares que compõem a Câmara dos Deputados.
Vale ressaltar que dos 21 deputados federais atualmente com mandato na Câmara e que são alvo de investigação no STF em decorrência da Operação Lava Jato, 16 votaram a favor do impeachment da presidente, quatro foram contrários e um não compareceu à sessão. Encabeça a lista o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Como não poderia ser diferente, entre os deputados investigados pela Lava Jato, o mais atacado ao longo de toda a sessão pelos integrantes do bloco governista foi o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Por decisão dos ministros do STF tomada em fevereiro, Cunha já foi tornado réu em um processo criminal, sob acusação de corrupção, e enfrenta outro inquérito que apura contas secretas na Suíça. Ele é acusado por delatores de ter se beneficiado do pagamento de propina no esquema da Petrobras.
Com esse histórico e por ter trabalhado incansavelmente pelo impedimento da presidente, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), por exemplo, o chamou de "gangster" no momento em que foi votar contra o impeachment, enquanto Silvio Costa (PTdoB-PE) o qualificou de "bandido".

A forma como ocorreu a votação na Câmara deu margens para que fosse reforçada a tese do golpe e que muitos deputados não tinham condição moral nem ética de votar pelo impedimento baseado em corrupção.
Em meio a esse cenário político, o impeachment da presidente foi aprovado na Câmara dos Deputados com votos a favor de seis parlamentares sergipanos: André Moura (PSC), Adelson Barreto (PR), Jony Marcos (PRB), Valadares Filho (PSB), Fábio Reis (PMDB) e Laércio Oliveira (SD). Caminha para ser aprovado, também no Senado, com os três votos dos senadores de Sergipe: Antônio Carlos Valadares (PSB), Eduardo Amorim (PSC) e Ricardo Franco (DEM).

Nesse período do processo de impeachment, que chegará até o final do ano, o país estará ingovernável. Até porque Eduardo Cunha já avisou que vai trancar a pauta na Câmara, enquanto o Senado decide se aceita a denúncia, o que provocaria o afastamento de Dilma por até 180 dias. Ele já disse, também, que o governo "deixou de existir" para os deputados.
Enquanto isso, salve-se quem puder! 

No New York Times 1
Assim como vários outros veículos da imprensa internacional, como The Guardian, El País, CNN e Der Spiegel, o New York Times, maior jornal do mundo, também condenou o processo de impeachment liderado por Eduardo Cunha. Segundo o jornal, Cunha e aliados transformaram o "Brasil numa república bananeira aos olhos do mundo".

No New York Times 2
Segundo o editorial: "As pedaladas fiscais foram um pretexto para um referendo sobre o PT, no poder desde 2003. Dilma, que foi reeleita em 2014 por quatro anos, está sendo responsabilizada pela crise econômica do país e pelas revelações das investigações de corrupção que envolvem a classe política brasileira".  

No New York Times 3
Enfatiza o texto que o "processo é conduzido por políticos acusados de crimes mais graves do que os atribuídos à presidente e que ainda há tempo para que o Senado e o Supremo Tribunal Federal corrijam a lambança". Conclui que, se ela sobreviver à batalha, terá de apresentar forte liderança para consertar a economia e erradicar a corrupção.
No Senado 1
Em reunião na manhã de ontem, os líderes dos partidos no Senado definiram quantas vagas cada bloco partidário terá direito na comissão especial de 21 senadores que será instalada na Casa para apreciar o impeachment da presidente Dilma Rousseff . A instalação deve ocorrer na próxima terça (26).

No Senado 2
Decidiram os senadores que a divisão das vagas será feita por blocos partidários, e não por partidos, como ocorreu na Câmara dos Deputados. Ficou assim a divisão das vagas da comissão pelos blocos no Senado: PMDB - 5 vagas; PSDB, DEM e PV - 4 vagas; PT e PDT - 4 vagas; PSB, PPS, PCdoB e Rede - 3 vagas; PP, PSD - 3 vagas; e PR, PTB, PSC, PRB, PTC - 2 vagas.

No Senado 3
Os senadores Valadares e Eduardo Amorim participaram da reunião dos líderes, como líder do PSB e PSC respectivamente no Senado. Amorim, inclusive, na Comissão Especial do Impeachment reunida no final da tarde de ontem foi indicado como suplente pelo bloco que integra na Casa.

Polêmica 1
Nas redes sociais permanece a polêmica sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff e o voto dos deputados de Sergipe. Entrou na discussão a declaração do ex-deputado e secretário geral do PSD, Jorge Araújo, criticando o voto do deputado Fábio Reis (PMDB) pelo impedimento, ao dizer que "deve ter sido em agradecimento pelo Campus de Medicina de Lagarto".

Polêmica 2
Foi colocado que Jorge perdeu a oportunidade de ficar calado e esqueceu de cobrar do presidente nacional do seu partido, Gilberto Kassab, por que levou o PSD a votar pelo impeachment quando era ministro de Dilma, só entregando o cargo na sexta-feira passada.

Polêmica 3
Foi citado ainda nota publicada no O Globo, na coluna de Ilimar Franco, dizendo que a presidente comentou com ministros e lideres aliados que, de todas as traições dos últimos dias, uma das que mais a deixou magoada foi a de Kassab pelo fato de na sexta ter entregue o cargo de ministro e no sábado já estava com o vice Michel Temer. E outra que saiu na Folha de S. Paulo afirmando que a cúpula do Planalto está decepcionada com Kassab por entender que se mostrava sempre interessado nas planilhas de cargos para saber "quem está conosco" e que usou dados para virar votos contra o governo.

Polêmica 4
Aliados de Fábio Reis também não gostaram da declaração do superintendente da Codevasf, Said Schoucair, de que o parlamentar teria traído o governador Jackson Barreto ao votar pelo impeachment. Citaram que Fábio teria comunicado a JB na manhã de domingo que votaria pelo impedimento e que, portanto, não foi traição.

Dnit
Em meio aos escândalos no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) denunciado por servidores e a votação do deputado federal Jony Marcos (PRB) pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, o Diário Oficial da União (DOU) publicou em sua edição de ontem a exoneração do superintendente em Sergipe, Ismael Silva. Ismael só foi informado da sua exoneração quando chegava, por volta das 8h, para inauguração simbólica da obra do Km 94, da BR-101.

Veja essa...
Do vereador de Itabaiana, Vardo da Loteca, criticando na tribuna da Câmara dois colegas parlamentares que estavam elogiando a gestão do prefeito Valmir de Francisquinho (PSC): "Puxar saco pode, mas não bajule, não cheire os ovos não. Isso é feio! Puxar saco pode, agora cheirar ovo não pode. Isso ai tá mamando no leitinho da vaca preta. Ninguém é besta não. Tenho 12 anos aqui dentro e 58 anos em Itabaiana, sem sair um minuto, sei quem é puxa-saco, safado. É uma vergonha para um homem de idade. Tá dando mau exemplo aos fio, a própria família".

Curtas
O ex-deputado federal e ex-secretário da Segurança Pública, Mendonça Prado, já responde pela Agência Reguladora de Serviços do Estado de Sergipe. Ele pretende modernizar e ampliar as ações da Agrese visando melhorar os serviços que as concessionárias prestam à população.

O diretor-geral da Assembleia Legislativa, Roberto Bispo, assegurou o pagamento para hoje dos servidores da Casa. Disse que tão logo o governo repasse os valores constitucionais encaminhará autorização de crédito para o Banese.
De um morador da 13 de Julho: "Com previsão de inauguração em 2014 e 2015, a obra da Praia Formosa começa a andar a passos largos para que o prefeito João Alves possa inaugurar antes no período eleitoral".

Um dos deputados federais mais votados no Brasil em 2014, o palhaço Tiririca (PR-SP), falou pela primeira vez no plenário da Câmara, em seu quinto ano na Casa, no domingo passado para votar a favor do impeachment da presidente. "Pelo meu país, meu voto é sim", disse o parlamentar.