Eleições diretas já (2)

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Publicada em 19/04/2016 às 00:44:00

Não teve nenhuma surpresa a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados por 367 a favor e 137 contra, com sete abstenções e duas ausências. Às vésperas da votação já havia um cenário nessa direção por conta da inabilidade política do governo e maior competência da oposição em conquistar os votos dos indecisos.
Esse cenário já podia ser visto em Sergipe, quando havia apenas três votos confirmados pelo impeachment: os dos deputados André Moura (PSC), Laércio Oliveira (SD) e Valadares Filho (PSB), que foi o terceiro a confirmar o seu voto pelo impedimento.
Os outros cinco deputados caminhavam para votar contra o impeachment da presidente. Já quando se aproximava a votação na Câmara Jony Marcos (PRB) e Fábio Mitidieri (PSD) chegaram a declarar publicamente que seriam contrários. Jony, inclusive, esteve com a presidente Dilma.
O deputado Adelson Barreto (PR) fez suspense de como votaria até a semana do impeachment e Fábio Reis (PMDB) até a hora da votação em plenário. A expectativa era que os dois votariam também contrários ao impeachment, junto com João Daniel (PT), Jony Marcos e Fábio Mitidieri.
A falta de habilidade política da tropa de choque da presidente Dilma, que deixou para a última hora correr atrás dos votos dos indecisos, e até fazer uma campanha arrojada nas redes sociais contra o impeachment, a levou a amargar uma derrota no plenário da Câmara.
A oposição mostrou mais competência na conquista dos votos dos indecisos e os que queriam o impeachment da presidente fizeram muita pressão para que os deputados votassem pela saída de Dilma do Palácio do Planalto. O deputado André Moura, como um dos coordenadores do Impeachment, conseguiu atrair muitos votos para levar o vice Michel Temer (PMDB) ao Palácio do Planalto, inclusive de sergipanos.   
Como no país todo, teve muita pressão pelo impeachment. Em Sergipe teve até outdoors nas ruas criticando os deputados que poderiam votar pelo impedimento da presidente. Nas redes sociais essa campanha foi massacrante.
O resultado disso foi que dos cinco deputados de Sergipe que poderiam votar "não" ao impeachment, só dois não se curvaram a pressão: Fábio Mitidieri (PSD) e João Daniel (PT). O petista, pelas razões óbvias de ser do mesmo partido da presidente.
Vale ressaltar que não foi surpresa a votação da bancada de Sergipe no plenário da Câmara: 6 x 2 pelo impeachment. Até porque Adelson Barreto já tinha declarado seu foto pelo impedimento, assim como Jony Marcos que já tinha comunicado que voltaria atrás e votaria o "fora Dilma". Só Fábio Reis fez suspense de como votaria até a hora da votação, mas já se esperava que seria a favor do impeachment por ser do PMDB e pelas pressões dos amigos e familiares.
Da bancada federal de Sergipe, que como o penúltimo estado a votar já votou com a aprovação do impeachment já sacramentado no plenário da Câmara, o voto que mais se destacou foi o de Fábio Mitidieri.
"Quis o destino e o povo de Sergipe que eu estivesse aqui hoje vivendo esse momento. Eu não sou ladrão, eu não sou corrupto, eu não sou vendido e não sou nem sequer PT. Eu também amo a minha família e também o povo sergipano. A democracia nos ensina a respeitar as posições divergentes e é exercendo essa democracia, em consideração ao estado democrático de direito, a vontade das urnas, que eu voto não", disse Mitidieri, durante seu voto contra o impeachment.
Agora, o processo de impeachment da presidente Dilma vai para o Senado. Para mudar o país não basta só o "Fora Dilma". É preciso gritar o "Fora Temer", "Fora Cunha", "Fora Renan", "eleições diretas já". Nenhum deles, envolvidos no escândalo do Lava Jato, e no caso de Cunha, com dinheiro de propina da Petrobras na Suíça e outros paraísos fiscais, tem condições éticas e morais para governar o país.

Sem alteração
no resultado
A bancada federal de Sergipe só começou a votar no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando já estava sacramentado o voto 342 pelo impedimento. Adelson Barreto (PR) foi o 497 deputado a votar, André Moura (PSC) o 498, Fábio Mitidieri (PSD) o 499, Fábio Reis (PMDB) o 500, João Daniel (PT) o 501, Jony Marcos (PRB) o 502, Laércio Oliveira (SD) o 503 e Valadares Filho (PSB) o 504. A última bancada a votar foi a de Alagoas, totalizando 511 votos.

Voto de Adelson
"Senhor presidente, senhores deputados, senhoras deputadas, povo brasileiro. Em sintonia e harmonia com o povo de Aracaju, com o povo de Sergipe, meu estimado e amado estado, em sintonia com a maioria do povo brasileiro, na esperança do extirpar da estagnação a que fora submetido este país e na esperança que o país possa progredir nós votamos sim". O voto de Adelson foi o de nº 356 pelo impeachment.

Voto de André
"Quero agradecer a toda nossa bancada e dizer que nenhum povo é realmente grande senão pela liberdade que tem ou conquista. Nesse momento histórico nós somos o povo brasileiro, nós somos a pátria. E pelo Brasil e pelo meu amado estado Sergipe, amado Sergipe de um grande homem e mestre da filosofia e do Direito, que é Tobias Barreto, em nome da família e dos meus filhos Yandra e Yago, eu voto sim senhor presidente pelo impeachment". O voto de André foi o 357 pelo impedimento.

Voto de Fábio  
"Senhor presidente eu voto sim", disse Fábio Reis. O voto do parlamentar foi o de nº 358 voto a favor do impeachment da presidente.

Voto de João Daniel
"Em homenagem aos grandes homens sergipanos que passaram no Congresso Nacional, o querido e saudoso ex-senador José Eduardo Dutra, o querido e saudoso ex-deputado federal e ex-governador Marcelo Déda, a classe trabalhadora estar nas ruas, não vai aceitar esse golpe de graça. É um golpe contra os pobres, contra a luta do povo brasileiro, é um golpe contra os direitos da classe trabalhadora. Nós votamos com a democracia, com a honestidade da presidente Dilma, nós votamos contra o golpe. Não ao golpe! Viva o povo sergipano! Viva o povo brasileiro!" O voto de João Daniel foi o 134 contrário ao impeachment.

Voto de
Jony Marcos
"Senhoras deputadas, senhores deputados, povo do meu grandioso estado de Sergipe, menor estado do Brasil. Estado que eu amo, estado maravilhoso. Povo brasileiro, o meu partido, o Partido Republicando Brasileiro, do qual sou fundador, que é presidido pelo nosso presidente Marcos Pereira, tomou um posicionamento que todos nós deputados decidimos acompanhar o posicionamento, a direção dada pelo nosso presidente. Eu sou o último deputado do PRB que vota nesta noite e devo dizer a todos que vou honrar meus companheiros e acompanhar os votos de todos os 21 deputados que me antecederam aqui nessa tribuna. Eu voto sim senhor presidente". O voto de Jony foi o 359 pelo impedimento de Dilma.

Voto de
Laércio Oliveira
"Senhor presidente, nobres deputados e deputadas. Em nome do Brasil e a partir daqui nós temos o compromisso muito grande de resgatar o nosso país para o desenvolvimento. Esse momento é um ponto de partida. Em nome do meu povo de Sergipe, do meu povo de Aracaju, em nome da esperança de dias melhores meu voto é sim". Laércio deu o 360 voto pelo impeachment.

Voto de
Valadares Filho
"Senhor presidente, senhora e senhores deputados, pensando no melhor para o povo brasileiro, respeitando a nossa constituição, seguindo a orientação do meu partido, pelos aracajuanos, pelo meu querido povo de Sergipe e pelo povo do Brasil eu voto sim". O voto de Valadares foi o 361 pelo impedimento da presidente.

Na Câmara
O ex-deputado federal João Fontes, que atuou muito em Sergipe pelo impeachment da presidente Dilma, esteve no plenário da Câmara dos Deputados nos três dias do processo de votação do impedimento da presidente. No domingo, ao se posicionar ao lado da tribuna de votação, Fontes abraçou e beijou o deputado Valadares Filho após a declaração do seu voto.

Registro 1
Ao votar pelo impedimento da presidente, o deputado federal Adelson Barreto (PR) acabou votando contrário à orientação do seu partido contra o impeachment. Segundo o líder da legenda na Câmara, Aelton Freitas (MG), "o impeachment é em desacordo com a Constituição do país".

Registro 2
Adelson não foi o único do seu partido a não seguir a recomendação. O deputado Alfredo Nascimento (AM), presidente nacional do PR, chegou a surpreender na Câmara dos Deputados ao renunciou ao seu cargo no comando do partido ao votar a favor do impeachment.

Ponto de vista 1
Ontem, em uma roda política, o entendimento é que a votação do impeachment da presidente Dilma no plenário da Câmara foi marcada também pelo "humor". Isso porque antes de declarar "sim" ou "não" ao impeachment, a grande maioria dos 511deputados dedicava o seu voto ao pai, a mãe, a mulher, aos filhos, netos, a Deus. Disseram que os parlamentares só esqueceram de dedicar as amantes.

Ponto de vista 2
O voto mais extremo e repugnante no entendimento do grupo foi o do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que ao votar pró-impeachment exaltou Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI na ditadura militar e acusado de comandar torturas.  Chegou a chamar Ustra de "pavor de Dilma Rousseff", que foi presa e torturada durante o golpe de 1964.

Reação
O voto reacionário de Bolsonaro provocou a reação do deputado Jean Wyllys (Psol-RJ). "Estou constrangido de participar dessa farsa, eleição indireta conduzida por um ladrão, curtida por um traidor conspirador e apoiada por torturadores, covardes, analfabetos políticos e vendidos", disse Jean durante a votação na Câmara em que disse "não ao golpe" e após votar cuspiu na direção de Bolsonaro.

Contra-ataque
O líder do PSC, André Moura, disse ontem que as imagens da cusparada de Jean Wyllys ao deputado do seu partido, o Bolsonaro, já foram analisadas e nos próximos dias será dado entrada no processo. "No parlamento as opiniões e as ações devem permanecer apenas nas discussões, podendo inclusive se elevar a níveis exasperados. Mas nunca com contato físico, para que se prevaleça a premissa do parlamento, estas atitudes demonstraram o descontrole do deputado Jean, talvez por não aceitar o resultado que se consolidava naquele instante", afirmou o parlamentar sergipano.

Veja essa...
Do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) ao votar "não" ao impeachment da presidente: "Eduardo Cunha, você é um gângster, e o que dá sustentação a sua cadeira cheira a enxofre".

...e essa...
O prefeito de Montes Claros (Minas Gerais), Ruy Muniz (PSB), foi preso ontem pela Polícia Federal, um dia depois de sua mulher, a deputada Raquel Muniz (PSD), afirmar que votava pelo impeachment "para dizer que o Brasil tem jeito" e que "o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão". Foi a que mais pulou no voto repetindo "sim" várias vezes e no dia seguinte o marido é preso acusado de corrupção.

Curtas
O diretório do PT deve discutir hoje que Dilma Rousseff envie ao Congresso Nacional proposta de redução de seu próprio mandato e de convocação de eleições presidenciais ainda neste ano, junto das eleições municipais do país.

A ideia de redução do mandato de Dilma e da convocação de "diretas já", se aprovada no PT, pode ser levada oficialmente à presidente nos próximos dias.
A proposta conta com apoio entusiasmado de parlamentares do partido e até mesmo de ministros. Outras legendas já foram informadas e podem aderir a ela.

O discurso será o de que Dilma busca uma solução para a grave crise política que o Brasil atravessa, mas que não será resolvida por um presidente, Michel Temer, que não teria legitimidade por chegar ao poder por meio de um "golpe", segundo os que defendem a tese, e de forma indireta.