Eleições diretas já

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Publicada em 16/04/2016 às 01:07:00

Esse domingo vai ser um domingo diferente. Será um dia histórico para o país com a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff por pedaladas fiscais, diga-se remanejar dinheiro do orçamento para pagar aos beneficiários dos projetos sociais do governo, como o Bolsa Família. Essa manobra é considerada crime de responsabilidade fiscal.
Em Sergipe, e com certeza no país, amigos e familiares estão marcando encontro em casa para assistir ao espetáculo da votação do impeachment que começa na Câmara dos Deputados, a partir das 14h, com previsão de término por volta das 21h. A reunião será regada a cerveja e whisk, com o acompanhamento de um suculento churrasco.
Aqueles que preferem sair no domingo já marcaram com os amigos o encontro em um bar que tem telão para assistir a votação. Já os que gostam de participar ativamente de atos políticos vão para as ruas. Estarão no Calçadão da 13 de Julho usando camisas da cor verde e amarela os que defendem o impedimento da presidente Dilma Rousseff e nos arcos da Orla aqueles que são contra a saída da presidente do Palácio do Planalto com camisas vermelhas.
Como numa final de campeonato, que normalmente acontece nos domingos, as duas torcidas estarão torcendo pelo seu time no caso em questão coxinha x mortadela. Os mais fanáticos estarão usando a camisa com as cores do seu time, não sendo descartada a possibilidade de brigas de torcidas ao final do jogo.
É preciso muita calma para que no domingo à noite o país não se torne uma praça de guerra, com torcedores se digladiando e promovendo quebra-quebra. As torcidas organizadas precisam ter a lucidez de que não se pode iniciar uma guerra civil, até porque qualquer que seja o resultado do jogo do impeachment não será bom para o país.
Dilma Rousseff não tem mais condição de governar o país, não só porque não dispõe mais da maioria no Congresso Nacional, mas porque perdeu a confiança da maioria do povo brasileiro pelas medidas econômicas adotadas que proporcionaram o aumento de energia elétrica, combustível, volta da inflação, do desemprego e da recessão. E principalmente, pela corrupção em contratos com a Petrobras, desnudada na operação Lava Jato.
Saindo Dilma assume o vice-presidente Michel Temer (PMDB), que também tem vários pedidos de impeachment na Câmara pelos mesmos "crimes" da presidente, as tais pedaladas fiscais. Seu nome aparece também na lista dos políticos que receberam propina das empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras.
O pior de tudo é que o segundo na sucessão presidencial - como reza a constituição - é o presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ), envolvido em tudo o que é escândalo. Uma das razões da dificuldade de assimilar o impeachment da presidente Dilma é quem está por trás dele.
Cunha, que tem sido incansável no empenho em agilizar o impedimento da presidente e remover obstáculos que possam surgir no caminho, tem uma biografia enlameada. Está desmoralizado por propinas e contas secretas na Suíça no valor de 5 milhões de dólares. Até agora é o único político brasileiro atingido no escândalo internacional do Panama Papers, um conjunto de 11,5 milhões de documentos vazados de um escritório de advocacia panamenho, que pôs a nu as conexões de autoridades de mais de 50 países com paraísos fiscais.
É constrangedor que um deputado envolvido em suspeitas desse calibre esteja no comando do impeachment, como se fosse o paladino da moralidade. A sua imagem perante a nação é mais suja que pau de galinheiro.
Com certeza, o povo brasileiro merece mais do que estar por vir. Eleições diretas já é a única saída para o país, pois o que aí se encontra está contaminado e não vai resolver o problema do Brasil e do povo brasileiro.

Placar do impeachment 1
Levantamento da Folha de S. Paulo ontem, às 13h, após conversa com os deputados federais mostra que a oposição já conseguiu os votos para aprovar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A favor do impedimento da presidente 342 deputados, que corresponde a quantidade de votos para a saída da presidente do Planalto e 124 votos contra, quando são necessários 172. Ainda indecisos 20 deputados, outros 20 não declararam como votariam e cinco não responderam. Dos 513 deputados só dois não foram encontrados.

Placar do impeachment 2
Da bancada federal de Sergipe somente os deputados João Daniel (PT) e Fábio Mitidieri (PSD) vão votar contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Já fecharam questão pelo impedimento: André Moura (PSC), Valadares Filho (PSB), Laércio Oliveira (SD), Jony Marcos (PRB) e Adelson Barreto (PR). Ainda é uma incógnita o voto de Fábio Reis (PMDB), que vem sendo muito pressionado para votar pelo impeachment.

Ponto de vista
De um aliado do governador Jackson Barreto (PMDB): "O deputado Fábio Mitidieri votando contra o impeachment da presidente vai se fortalecer muito com o governador, principalmente no seu projeto político de 2018".
A votação 1
Os deputados federais de Sergipe serão os penúltimos a votar no relatório do impeachment, uma vez que o estado é o 26º na lista de votação estabelecida pelo presidente Eduardo Cunha, com alternância dos estados Norte e Sul.

A votação 2
A ordem de votação dos estados: Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amapá, Pará, Paraná, Mato Grosso, Amazonas, Rondônia,  Goiás, Distrito Federal, Acre, Tocantins, Mato Grosso, São Paulo, Maranhão, Ceará, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Piauí, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas. Os deputados vão votar pela ordem alfabética dos seus nomes.
Nova conta
O deputado federal André Moura (PSC), um dos articuladores do pró-impeachment, passou a tarde ontem reunido com as lideranças de vários partidos na Câmara com lideranças do PSDB, visando fazer o balanço do mapeamento dos deputados favoráveis ao impedimento da presidente. "Até o momento foram contabilizados 367 votos e o número tende a crescer. Estamos observando o que chamamos de efeito manada, quando os indecisos resolveram acompanhar os deputados favoráveis logo após nossa primeira vitória na Comissão Especial", afirmou.

Contra o impeachment
Ontem, em nota publicada nas redes sociais, o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B) criticou o processo de impeachment da presidente Dilma. "A corrupção deve ser investigada e punida severamente, independentemente de onde ela venha. Mas o que estamos vendo hoje no país é o maior atentado à democracia brasileira desde o golpe militar de 1964. É a tentativa de afastar uma presidente sem comprovação de crime, desrespeitando os votos de 54 milhões de brasileiros", disse, enfatizando que não há crime de responsabilidade que justifique o impedimento.

Segurança
A polícia integrada (militar e civil) atuará no domingo para garantir o direito democrático da população de ir às ruas da capital sergipana se manifestar a favor ou contra o impeachment da presidente. Segundo o delegado geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira, cerca de 500 homens estarão nas ruas garantindo a ordem pública e a democracia.

No comando
O ex-prefeito Zé Franco será empossado presidente provisório do PSDB na próxima semana. Vai organizar o partido, fazer encontro para eleger os delegados para convenção que elegerá o novo diretório estadual do partido em Sergipe com a saída do ninho tucano do ex-presidente Pedrinho Barreto.


Licença
O prefeito João Alves (DEM) se licenciou ontem da prefeitura de Aracaju. Tirará 15 dias para descansar, assumindo o comando do município o vice José Carlos Machado (PSDB).

Parceria 1
O presidente da Codise, Vinícius Mazza, e o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (Acese), Wladimir Torres, discutiram parceria. No encontro, o presidente da Acese disse que espera, através dessa interlocução com a Codise, que o estado venha favorecer cada vez mais um ambiente de negócio que seja favorável e positivo.

Parceria 2
Mazza disse que a Codise não é somente uma empresa que serve para cuidar de indústrias, mas, também, de comércio e serviços. "Estamos aqui para escutar demandas do que o setor empresarial tem a dizer, afinal, é de suma importância saber o que os empresários estão sentido e passando, principalmente, neste período de crise econômica que assola nosso país", afirmou, enfatizando que a Companhia estará sempre à disposição da classe empresarial conforme diretrizes do governador Jackson Barreto.

Veja essa...

Veja essa...
Ontem à tarde a oposição deixou de contar com dois votos a favor da abertura de processo de impeachment. Grávida de 36 semanas, a deputada federal Clarissa Garotinho (PR-RJ) solicitou nesta sexta-feira o início de sua licença-maternidade. Com isso, não votará pelo impedimento, como já havia se posicionado. Já o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), anunciou também ontem à tarde que mudaria seu voto de pró para contra o impeachment.

...e essa...
Com a ausência da deputada na votação do impeachment e a mudança de Waldir Maranhão, o número de votos pró-impeachment declarados não é mais, até ontem, suficiente para abertura do processo, mediante levantamento realizado pela Folha. Para que o processo seja encaminhado ao Senado, são necessários 342 favoráveis ao impedimento - independentemente da quantidade de deputados presentes no plenário no momento da votação. A oposição só conta com 340.

Curtas

A série sobre a Operação Lava Jato será produzida pela Netflix e começará a ser filmada no Brasil ainda este ano. A produção, que deve ser lançada em 2017 e ainda não tem um título definido, é do cineasta José Padilha.

Segundo Padilha, o projeto vai narrar a operação policial em si e mostrar detalhes sobre o maior esquema de corrupção já visto no Brasil. "Era fundamental que a série fosse produzida com imparcialidade, e a Netflix é com certeza o melhor parceiro para que isso possa ser concretizado", afirmou.

Ainda de acordo com o cineasta brasileiro, que vive hoje nos Estados Unidos, a série vai mostrar inúmeros detalhes esclarecedores que a própria imprensa desconhece.

Padilha ainda afirmou que não vê motivações políticas na operação. "Toda vez que alguém fala dos indícios avassaladores contra Lula, um petista diz que o PSDB também rouba. Tenta-se transformar tudo numa questão ideológica. Mas tudo é caso de polícia", disse.

O cineasta José Padilha dirigiu vários filmes premiados, entre eles o Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, e RoboCop.

A pedido da presidente Dilma Rousseff, o governador Jackson Barreto deve ir hoje cedo a Brasília.