Reunião decisiva do PMDB

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Publicada em 29/03/2016 às 09:01:00

A semana será marcada por discussões em torno do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff e decisão do PMDB Nacional, já nesta terça-feira à tarde, se a legenda continua apoiando o governo no Congresso Nacional ou desembarca oficialmente.
Em reunião fechada, os integrantes do diretório nacional vão debater e, por meio do voto que deverá ser aberto, decidir se mantêm o apoio. Se decidir sair, o partido dará um prazo para que os ministros e demais peemedebistas ocupantes de cargos no governo federal deixem os postos.
O vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, cancelou uma viagem que faria a Portugal para manter reuniões com peemedebistas. O objetivo é buscar a unidade do partido em torno de uma decisão unânime sobre os caminhos que a legenda deve seguir.
A presidente Dilma não ficou parada. Entendendo que a saída do PMDB é praticamente favas contadas, tenta esvaziar a reunião de hoje do diretório nacional do partido.
A estratégia, que foi discutida ontem pela manhã com ministros da sigla, tem como objetivo tentar deslegitimar o encontro com a ausência de caciques de peso, como o ex-presidente José Sarney e o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (AL).
O propósito é tentar passar a mensagem pública que, apesar da decisão de saída, o governo federal ainda conta com respaldo de uma ala importante do partido.
A grande maioria do PMDB deseja hoje deixar o governo federal. O governador Jackson Barreto pertence à ala peemedebista contrária a saída do seu partido do governo e, consequentemente, ao impeachment da presidente Dilma.
Recentemente ele assinou duas cartas contra o impeachment da presidente, sendo uma em dezembro, junto com vários governadores do país, e outra neste mês com todos os governadores do Nordeste.
Nos documentos foram colocados que a história brasileira ressente-se das diversas rupturas autoritárias e golpes de estado que impediram a consolidação da democracia de forma mais duradoura. E que tanto é assim que este é o período mais longo de normalidade institucional da história do país, conquistado após a luta de amplos setores da sociedade.
É ressaltado ainda que é dever de todos zelar pelo respeito à Constituição e ao Estado Democrático de Direito. E que o mecanismo de impeachment, previsto no ordenamento jurídico, é um recurso de extrema gravidade que só deve ser empregado quando houver comprovação clara e inquestionável de atos praticados dolosamente pelo chefe de governo que atentem contra a Constituição.
Nesse sentido, Jackson Barreto e os delegados de Sergipe devem se posicionar hoje contrários a saída do PMDB do governo Dilma Rousseff. Até por entenderem que a oficialização da saída do partido da base aliada do governo é meio caminho andado para a aprovação do impeachment.
O deputado federal André Moura (PSC), líder do PSC na Câmara, atuou ontem junto a deputados delegados do PMDB para votarem a favor da saída do partido do governo.
Se não tiver nenhum acidente de percurso é isso que deve acontecer hoje: a debandada de peemedebistas do governo.

Já em Brasília
O governador Jackson Barreto (PMDB) viajou ontem à tarde para Brasília, objetivando participar hoje da reunião do Diretório Nacional do PMDB, que é composto de 127 membros. No dia 12 de março, a Convenção Nacional do PMDB delegou ao Diretório Nacional o poder de decidir em até 30 dias se o partido deve continuar fazendo parte do governo.

Posse
Jackson retorna hoje à noite de Brasília para, nessa quarta-feira, participar da solenidade de transmissão do cargo de secretário de estado da Saúde com a desincompatibilização de Zezinho Sobral do governo para ser pré-candidato a prefeito de Aracaju nas eleições deste ano. O ato será às 10h30, no auditório do Palácio de Despachos.

Bastidores 1
Ontem Zezinho passou a manhã no palácio reunido com o governador, tratando do seu afastamento da Secretaria da Saúde e a indicação para o comando da pasta de um técnico e não político. Zezinho chegou a sugerir quatro nomes do corpo técnico da Saúde para que JB escolhesse um para colocar no seu lugar.
Bastidores 2
O nome escolhido pelo governador para a Secretaria da Saúde é o da enfermeira Conceição Mendonça, que em janeiro do ano passado assumiu a superintendência do Serviço Móvel de Urgência (Samu). O seu nome foi muito bem aceito no corpo da Saúde. Ontem à tarde ela, inclusive, esteve no Palácio conversando com o vice-governador Belivaldo Chagas (PSB).

Bastidores 3
Informações chegadas à coluna dão conta que se Zezinho não conseguir emplacar sua candidatura a prefeito, ele retorna ao cargo em abril. É que o governador ficou de decidir em maio qual o candidato do seu bloco político vai apoiar para prefeito. Zezinho só não será o nome se não conseguir pontuar bem nas pesquisas até lá.   

Malas prontas 1
Como a coluna já informou, até sexta-feira estará deixando o cargo de secretário da Cultura para ser candidato a vereador de Aracaju, Elber Batalha (PSB). Quem também deixará o cargo de diretor técnico do Sergipetec para ser candidato a vereador da capital é o professor Anderson Gois (PRB). Um outro que deixa o cargo é o secretário municipal de Articulação Política, vereador Juvêncio Oliveira (DEM), que vai para a reeleição.

Malas prontas 2
Como Zezinho Sobral, o diretor presidente da Agência Reguladora de Sergipe, Edvaldo Nogueira (PCdoB), também deixa o cargo até essa sexta-feira para disputar a Prefeitura de Aracaju.

Opção
O secretário Adilson Júnior (PDT), diferente dos pré-candidatos a vereador, não se desincompatibiliza até 2 de abril para disputar a Prefeitura de São Cristóvão. Como ele é secretário de Estado e pretende disputar mandato de prefeito o prazo é de quatro meses e não seis meses antes das eleições como prevê a legislação eleitoral. Zezinho, como secretário de Estado, só deixa a Saúde amanhã para ter mais tempo para construir sua candidatura.

Ainda conversando
Adilson Júnior disse ontem que ainda não tomou a decisão se vai disputar a Prefeitura de São Cristóvão nas eleições deste ano. Ressalta que existe essa possibilidade e vem conversando muito nesse sentido.

Nomeação
Antes da solenidade de posse do novo secretário da Saúde, o governador participará da solenidade de nomeação de agentes e escrivães da Polícia Civil, às 9h30, no Teatro Tobias Barreto.

Volta à Câmara 1
Em entrevista ontem no programa de Jason Neto, na Aperipê, o secretário municipal da Saúde, Agnaldo Feitosa (PR), admitiu que pode deixar a pasta nessa quarta-feira e reassumir seu mandato na Câmara Municipal. Disse que o fato de ficar pouco tempo no comando da saúde (cerca de 15 dias) é pela situação de "extrema dificuldade" em que se encontra a pasta.

Volta à Câmara 2
Admitiu que se precipitou em ter aceitado ser secretário da Saúde e que chegou a conclusão que é mais útil ao prefeito João Alves (DEM) na Câmara Municipal, onde pode até voltar a ser seu líder na Casa. Pediu desculpas ao suplente, o Sargento Vieira (PDT) e seus familiares, por tê-lo prejudicado com o fato dele ter ido para a reserva militar para assumir o mandato e ficar menos que 15 dias. Disse que teria uma nova conversa ontem à noite ou hoje com o prefeito João Alves para tratar da sua saída.

Faz sentido
Informações chegadas à coluna dão conta que dois fatores pesaram para Dr. Agnaldo Feitosa ter decidido deixar a Saúde em tempo recorde e retornar à Câmara: não ter autonomia com relação à substituição de comissionados e aplicação de recursos, assim como o fato do Sargento Vieira exigir todos os direitos como vereador: cargos, verbas indenizatória, celular e carro.   

Novo líder
O vereador Ivaldo José (PRTB) já conversou com o prefeito João Alves (DEM) sobre a possibilidade de ser o seu líder na Câmara Municipal e que será marcada uma reunião com a bancada governista. Disse que tudo dependerá de quem será o novo secretário de Articulação Política, por ser um elo entre os parlamentares e a administração municipal. "Tenho que está afinado com ele", disse à coluna, enfatizando a necessidade dos vereadores serem "melhor tratado" pelos secretários, pois tudo o que querem é atender as demandas do povo.

Articulação Política
O nome mais cotado para assumir a Secretaria de Articulação Política no lugar de Juvêncio Oliveira é o ex-deputado estadual e conselheiro aposentado do TCE, Reinaldo Moura. O único entrave continua sendo o vínculo político do seu filho, o deputado federal André Moura (PSC), com o senador Eduardo Amorim (PSC).

Parceria
Dando continuidade a sua política de parcerias junto a instituições do Estado, o diretor presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise), Vinícius Mazza, fez uma visita de cortesia ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (Fies), Eduardo Prado. "O encontro teve como objetivo estreitar laços e discutir oportunidades que podem surgir de projetos que possam ser executados em conjunto com a Federação das Indústrias e a Codise com a finalidade de obter os resultados mais positivos possíveis em prol da indústria sergipana e, consequentemente, assegurar o desenvolvimento econômico e social do estado que é uma das diretrizes do governador Jackson Barreto", disse.

Nova eleição
Será no próximo dia 05 a eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa para o biênio 2017/2018. O presidente Luciano Bispo (PMDB) disputa a reeleição com toda a Mesa Diretora.

Com Amorim
Informações chegadas à coluna no final da noite dão conta de que o PSB vai romper com o governador Jackson Barreto ainda esta semana. A justificativa será a eventual candidatura à PMA de Zezinho Sobral. Pelo acordo, Valadares seria ministro num eventual governo Temer, para preparar a campanha do senador Eduardo Amorim (PSC) ao governo em 2018. E Valadares Filho teria o apoio à PMA este ano.

Veja essa...
Virou caso de polícia o contrato da Prefeitura de Aracaju com a Cavo (uma empresa do grupo Estre), para coleta do lixo domiciliar de Aracaju. A delegada Daniele Garcia, que investiga as subvenções social da Assembleia Legislativa, abriu inquérito policial para investigar o contrato emergencial feito pela prefeitura após o fim do contrato com a empresa Torre, no dia 10 de março, que levou o presidente do TCE, Clóvis Barbosa, mandar investigar e o prefeito João Alves (DEM) entrar com ação pedindo o seu afastamento da presidência do tribunal.

Curtas
O PMDB vai oficializar o desembarque do governo Dilma Rousseff nesta terça-feira, por aclamação. A decisão é resultado de articulação promovida pelo grupo do vice-presidente Michel Temer.

A tendência é que o partido aprove ainda o prazo até o dia 12 de abril para que os sete ministros da sigla deixem seus cargos. O mesmo valerá para outros peemedebistas empregados em cargos de confiança na administração federal.
Diante da certeza de um desembarque do PMDB, o governo federal vai oferecer a partidos como PP, PR e PSD cargos hoje em poder dos peemedebistas e a promessa de terem um papel de "protagonistas" caso a petista sobreviva ao impeachment.

Nas contas de assessores da presidente, quase 500 cargos podem entrar nas negociações se todos os peemedebistas decidirem seguir a decisão do diretório nacional do PMDB.