PT perde mais uma estrela

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Deputados federais e senadores participaram ontem de um café da manhã promovido pela Associação dos Magistrados de Sergipe (Amase), visando discutir projetos que tramitam no Congresso Nacional referente à valorização da categoria. Entre os presentes os de
Deputados federais e senadores participaram ontem de um café da manhã promovido pela Associação dos Magistrados de Sergipe (Amase), visando discutir projetos que tramitam no Congresso Nacional referente à valorização da categoria. Entre os presentes os de

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Publicada em 06/10/2015 às 00:17:00

Deputados federais e senadores participaram ontem de um café da manhã promovido pela Associação dos Magistrados de Sergipe (Amase), visando discutir projetos que tramitam no Congresso Nacional referente à valorização da categoria. Entre os presentes os deputados federais Valadares Filho (PSB), Jony Marcos (PRB), André Moura (PSC), Fábio Mitidieri (PSD) e o senador Eduardo Amorim (PSC).

PT perde mais uma estrela

Sergipanos e brasileiros acordaram no domingo com a triste notícia do falecimento de José Eduardo Dutra, aos 58 anos. Quem acompanha os bastidores da política já esperava pela sua morte, em razão do agravamento do câncer que lutava há cinco anos e que o deixou com cerca de 50 quilos e em um hospital com uma forte medicação para diminuir as dores.
Quando o ex-senador, ex-presidente nacional do PT, ex-presidente da Petrobras e ex-presidente da BR Distribuidora, já com câncer de pele, foi fazer uma visita a Déda em 2012, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde fazia quimioterapia, os dois tiveram uma conversa sobre essa maldita doença que diariamente leva à morte milhares de pessoas no Brasil e no mundo.

Marcelo Déda, muito abatido, chegou a dizer que o câncer de Dutra era melhor que o seu e que ele {Zé Eduardo} não morreria da doença, por ser na pele quando o dele era no pâncreas.   
Déda, que morreu em dezembro de 2013, se enganou profundamente. Dutra embarcou na sua última viagem na madrugada do domingo, em Belo Horizonte, um ano e 10 meses após o seu falecimento. O seu câncer, que tinha sido extirpado, voltou em novembro do ano passado na bacia e muito mais agressivo.
Ele começou a tratar da doença e em dezembro tirou férias da Petrobras. Com a sua evolução, Dutra se licenciou em fevereiro deste ano do cargo de diretor Corporativo e de Serviços da Petrobras. Há quatro meses, com o agravamento da doença, deixou seu apartamento no Rio de Janeiro e foi para Belo Horizonte, onde residem sua mãe, filha e irmã. Ele estava morando com a mãe.
Passou os últimos três dias da sua vida sedado no hospital para que não viesse a sentir dor. A sua morte na madrugada do domingo levou a Minas Gerais o ex-presidente Lula e outros companheiros do PT do país e de Sergipe.

O seu velório, ontem às 10h, no Funeral House, contou com o discurso do ex-presidente Lula, do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel; do senador e ex-ministro Humberto Costa; do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli; de um representante da Federação dos Trabalhadores da Petrobras, que falou sobre a anistia que ele tinha dado aos mais de mil petroleiros demitidos; do tesoureiro nacional do PT, o ex-deputado federal Márcio Macedo; e do senador Antonio Carlos Valadares (PSB). Ainda presentes deputados estaduais e federais de Minas Gerais pelo PT.

Com a morte de Marcelo Déda e José Eduardo Dutra - que nasceu no Rio de Janeiro, mas fez carreira política em Sergipe e foi um dos coordenadores da campanha da eleição de Dilma Rousseff em 2010, ao lado de Antonio Palocci e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo - o PT em Sergipe perde a sua segunda maior estrela.
Agora, literalmente, o Partido dos Trabalhadores de Sergipe, que sofre com a crise política nacional proveniente dos vários escândalos de corrupção no governo do partido, está totalmente órfão de grandes lideranças que demonstraram, ao longo da sua vida pública, serem pessoas éticas e descentes.

Lula 1
O ex-presidente Lula, que foi ao velório de José Eduardo Dutra, lamentou o seu falecimento. "O Brasil perdeu um de seus mais comprometidos lutadores pelos direitos do trabalhador. Como primeiro presidente da Petrobras dos governos do PT, Dutra deu início ao processo de revitalização que realizamos na empresa na última década". Ressaltou que o ex-senador "escreveu seu nome na história" ao presidir o Partido dos Trabalhadores ao longo da campanha de eleição de Dilma Rousseff.

Lula 2
"Neste momento de tristeza e luto, lamentamos que uma trajetória brilhante tenha sido interrompida tão cedo, e transmitimos nossos sentimentos e toda nossa solidariedade aos familiares e amigos", afirmou Lula.
Dilma
Em nota, a presidente Dilma Rousseff lamentou também a morte de Dutra, a quem se referiu como amigo e companheiro. "Hoje o Brasil se despede de um grande brasileiro", diz a nota divulgada pelo Palácio do Planalto. "Ao longo de toda sua vida, ele foi uma liderança comprometida com o Brasil e o nosso povo. Sua dignidade, inteireza de caráter e seriedade jamais serão esquecidos e são a nossa grande perda", afirmou a presidente.

No velório
Foram para o seu velório em Minas Gerais os companheiros do PT de Sergipe: o ex-deputado federal Márcio Macedo, o ex-presidente do PT em Sergipe Silvio Santos, a ex-deputada estadual Conceição Vieira e a ex-primeira dama Eliane Aquino. Além do senador Valadares, do qual Dutra era suplente; o advogado Cesar Britto; o ex-superintendente da Petrobras em Sergipe, Eugênio Dezen, e o coordenador de marketing da Petrobras, Luis Roberto.

Márcio 1
Muito abatido, Márcio Macedo disse à coluna que a morte de Dutra era um "momento de muita dor". Ressaltou: "Eu tinha uma relação política e de amizade com ele há 26 anos. Zé Eduardo foi meu padrinho de casamento e era o padrinho da minha filha caçula. Sempre foi muito correto e solicito. O PT perde um importante quadro, uma pessoa racional e que via na ciência a arte da política, tinha uma visão do futuro. Ele não chegou a liderança da noite para o dia, mas pelo seu trabalho do dia a dia junto aos sindicatos e ao PT".  
Márcio 2
De Márcio sobre os protestos contra Lula e Dilma no velório de Zé Eduardo, quando foram jogados panfletos com a frase "Petista bom é petista morto"; com uma foto da presidente como se estivesse sentada em um vaso sanitário, e a frase "Só faz cagada"; e "Fora Lula de Minas" e "Lula na Cadeia": "Nosso país tem uma tradição de ser um país de paz. (...) Nós temos a tradição de preservar a tolerância, o respeito às diferentes concepções. Esse ódio expressado por uma parte da oposição brasileira, eu acho que isso não contribui para o processo democrático do país. Isso se assemelha ao que foi vivido em tempos difíceis da humanidade, como o nazismo. Isso não é correto".

Comemoração
O governador vibrou com a indicação do deputado federal Marcelo Castro (PMDB/PI) para o Ministério da Saúde. "Além de ser do meu partido e um nordestino que deve dar mais atenção para a região, a vida toda foi meu companheiro de bancada na Câmara dos Deputados. Tenho a esperança que os recursos para a saúde em Sergipe venham a melhorar, pois o diálogo será mais fácil. Sei que as coisas não vão acontecer em um passe de mágica, mas estou esperançoso", afirmou JB à coluna.

Curiosidade
O novo ministro da Saúde foi relator da reforma política, mas como se recusou a apoiar o distritão - sistema eleitoral defendido pela cúpula do PMDB - foi destituído do cargo pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O Castro promete não ceder a pressões da bancada para promover uma distribuição política das verbas do setor, chegando a dizer "Eu não me curvo a pressões. Serei um ministro inimpressionável".

Blocão
A mídia nacional e local já começa a especular que o deputado federal André Moura (PSC), ligado ao presidente Eduardo Cunha (PMDB/RJ), pode ser líder do Blocão na Câmara dos Deputados: PP, PTB, PSC, PHS e PEN e PMDB. Isso porque parlamentares desses partidos estão revoltados com a performance do líder Leonardo Picciani (PMDB-RJ), principalmente por causa de sua recente vinculação ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Fogo amigo
Do ex-deputado estadual Jorge Araújo (PSD) ao comentar o artigo de Luiz Eduardo Costa da edição de domingo, do Jornal do Dia, sobre o relacionamento do Banese com os servidores públicos: "Acrescento que o Banese, apesar de ser sergipano, não faz a diferença. É igual a todos os outros que visam exclusivamente os lucros".

Veja essa...
Do presidente estadual do PSDB, Pedrinho Barreto, sobre a morte de José Eduardo Dutra no watsApp: "Bom dia a todos. Com o falecimento do Angel Companheiro J. Dutra os crápulas do Ptismo devem estar sorrindo à toa, pois vão com certeza eleger o defunto como culpado de ter montado o Petrolao, que por coincidência iniciou-se no seu mandato como presidente da Ptbras. Aguardem. Dutra será o culpado do Petrolao. Resumindo o histórico: Como bom petista, o falecido nunca ganhou a vida pelos próprios méritos. Sempre esteve pendurado em sindicatos e cargos públicos comissionados". Por essa posição desrespeitosa, infeliz e de muito mau gosto, o presidente do PSDB foi trucidado nas redes sociais e nos vários grupos do watsApp.

Curtas
Como o ex-governador Marcelo Déda, o companheiro Dutra também fez a opção de ter o seu corpo cremado. O ato ocorreu às 15h, no Parque da Colina, em Belo Horizonte.

Do governador licenciado Jackson Barreto sobre Dutra, nas redes sociais: "É com muito pesar que recebi a notícia de falecimento do meu amigo José Eduardo. Envio meus sentimentos à família. Descanse em paz meu amigo".

No domingo, o Governo de Sergipe e os partidos PT, PSB e PCdoB saíram com nota de pesar pelo falecimento de Zé Eduardo. O Governo, inclusive, decretou luto oficial de três dias e fará missa de 7º Dia.
Os deputados estaduais do PT na Assembleia, Francisco Gualberto e Ana Lúcia, prestaram ontem homenagem a Zé Eduardo. Falaram da sua trajetória sindical e política.

Em solenidade ontem na Assembleia foi devolvido o mandato simbólico dos deputados estaduais cassados Gilton Garcia, Aerton Silva e Chico de Miguel, entre outros.

Justiça suspende contrato da Assembleia Legislativa com o advogado criminalista Carlos Alberto Menezes, no valor de R$ 200 mil, para defender a imagem da Assembleia no escândalo das verbas de subvenção da Assembleia.