Primeira crise

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Publicada em 07/08/2015 às 00:04:00

Em sessão na Câmara Municipal de Estância, o vereador Dominguinhos do PT levantou a discussão sobre a Ambev, que foi fiscalizada anteontem pela Secretaria da Fazenda. Lembrou que a empresa foi instalada no governo Albano Franco recebendo muitos incentivos e prometendo gerar 6 mil empregos. "Não gerou nem 10%. A Ambev não ajuda em nada o município de Estância, onde utiliza recursos naturais como a água do Riacho do Macaco. Podia ajudar nos aspectos culturais ou na realização do São João. Não queremos que ela vá embora, mas que pague os impostos para ajudar o Estado, já que recebeu muitos incentivos. Espero que bote a mão na consciência e cumpra com a sua responsabilidade fiscal".

Primeira crise

O país vem passando por uma crise econômica sem precedente: alta da inflação, aumento abusivo da energia elétrica e do combustível, crescimento do desemprego, juros altos e disparada do dólar.  Isso, somado à crise moral por conta da corrupção exposta no Petrolão e Lava Jato, fez despencar a popularidade da presidente Dilma Rousseff, que tem rejeição hoje de 71% da população.

A crise afetou em cheio os Estados e municípios, com menos repasse de recursos da União. Em razão disso, se agravou a situação dos governadores e prefeitos, que foram obrigados a cortar na carne para continuar administrando, com enxugamento da máquina administrativa e exoneração de comissionados.
Essa batata quente caiu agora nas mãos do governador Jackson Barreto (PMDB), que assumiu o governo no qual foi eleito em outubro de 2014 em 1º de janeiro deste ano e já enfrenta uma crise nessa proporção.
Mesmo tendo feito a reforma administrativa com a redução de secretarias, cargos comissionados, extinção do cargo de secretário adjunto e redução de custeio, entre outras medidas, o Estado continua em dificuldade.
Dois fatores têm contribuído para isso: o déficit elevado da previdência social e o fato da receita ter caído, enquanto a despesa só aumentou. Com dificuldade de caixa, JB se viu obrigado a parcelar o salário de julho do servidor.

Isso foi a gota d´água para uma nova crise entre os servidores públicos do Estado, que já não tinham digerido o fato de o governo não ter concedido um reajuste salarial na data base da categoria, em maio.
Agora, após manifestações de rua esta semana, algumas categorias de servidores ameaçam entrar em greve contra o parcelamento do salário e por um reajuste salarial.
Os delegados de polícia iniciaram a Operação Parcelamento, que vem provocando um caos nas delegacias, com a rebelião de presos e familiares, em razão do impedimento de visitas.
O vice-governador Belivaldo Chagas (PSB) vem se reunindo com dirigentes de sindicatos dos servidores públicos visando mostrar o momento de crise nacional e de dificuldade para os gestores. Reuniu-se na última terça-feira com 14 sindicatos e ontem com 13 sindicatos. Na próxima segunda-feira se reunirá com o Sintese.

O governo faz questão de manter aberto o canal de negociação e buscar um entendimento para esse momento de dificuldade. Cabe ao secretário da Fazenda, Jeferson Passos, fazer a exposição das finanças do Estado, para os líderes sindicais.
Já não tendo mais de onde cortar para reduzir despesa nesse momento de crise, o Estado iniciou uma operação de fiscalização em empresas com o objetivo de combater práticas irregulares de comercialização e ainda promover o recolhimento imediato do ICMS devido ao Estado sobre a substituição tributária. Anteontem esteve na Ambev.
A crise no estado está se complicando. O governador Jackson Barreto terá que ter muita habilidade para sair da crise logo no início do seu governo.

2ª parcela
O Governo do Estado conseguiu antecipar para esta sexta-feira o pagamento da segunda parcela do salário dos servidores do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Emdagro, Cohidro, emgetis, Emsetur, Codise, Cehop e Pronese. Os demais servidores vão receber na terça-feira, 11.

Sucessão municipal 1
O presidente de honra do PRB, Heleno Silva, disse ontem à coluna que o seu partido vai começar a discutir o futuro de Aracaju, ou seja, a sucessão municipal de 2016. Revela que vai começar a conversar com pré-candidatos com perspectivas de apoio do seu agrupamento político.

Sucessão municipal 2
Segundo Heleno, o PRB quer compor com a chapa majoritária por ser um partido em ascensão e ter um grupo que cresceu. "As conversas iniciais foram com o deputado federal Valadares Filho (PSB) e o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB)", afirmou, enfatizando que na próxima semana terá um encontro com o prefeito João Alves Filho (DEM).

Teoria
De Heleno, ao ser questionado se apoiará um candidato a prefeito de Aracaju que não seja o do governador Jackson Barreto (PMDB): "O governador sinaliza para os seus aliados que só deve se envolver com a eleição em Aracaju no segundo turno, pois a sua preocupação é com a gestão. Com isso, todos estão conversando, buscando espaço".

Nada contra
"Os políticos têm falado que o senador Valadares é empecilho para se aliar a Valadares Filho. Discordo. Não vou levar isso em conta", afirma Heleno, que é prefeito de Canindé do São Francisco e tem pretensões de disputar o Senado em 2018.

Sem bater martelo
O vice-prefeito José Carlos Machado (ainda PSDB) não participou ontem, em Brasília, de reunião de dirigentes estaduais do PPS, como esperado. Mas esteve na quarta-feira à noite no hotel onde é realizado o evento, conversando com o presidente do PPS em Sergipe, Clóvis Silveira, e o dirigente nacional do partido, Regis Cavalcante.

Esperançoso
Segundo Clóvis, Machado ainda não decidiu sobre sua ida para o PPS. "Ele é seguro, não abre nada. Não disse se viria ou não. Diante do que está acontecendo não vejo outra saída a não ser se filiar ao PPS, pois não terá espaço no PSDB", afirmou, enfatizando que está otimista pelo fato do vice-prefeito ter dito que quer se filiar a um partido de oposição nacional e os três maiores são PSDB, PPS e DEM.

Filho prodígio
Ressalta que não tem problema algum de Machado no PPS permanecer como vice do prefeito João Alves (DEM) nas eleições de 2016. "Não tenho nenhum constrangimento em voltar a ser aliado de João Alves. Estive com ele por 20 anos e a minha saída não foi traumática, mas consensuada. Saí para apoiar Marcelo Déda em 2010", pontua Clóvis Silveira.     

Justificativa 1
Em conversa ontem com a coluna, o deputado estadual Gilson Andrade (PTC) assegurou que não está fugindo da imprensa para não falar sobre o fato do ex-deputado estadual Mundinho da Comase (PSL) ter delatado seu nome no esquema das verbas de subvenção da Assembleia Legislativa. Ressalta que simplesmente não tem o que falar porque os seus advogados não tiveram acesso junto à Justiça e à Polícia da cópia do depoimento do ex-parlamentar.

Justificativa 2
"Eu já sai com uma nota à imprensa. Sem acesso ao depoimento não tenho conhecimento de nada. Vou me defender de que? Vou dar um tempo para ver se tenho acesso ao processo. Não estou fugindo de nada, pois venho exercendo todas as atividades normalmente. Minha vida está seguindo normalmente", afirma.

Roupa suja
De Gilson Andrade sobre o comentário ontem na coluna de que os parlamentares denunciados por Mundinho da Comase preferem o silêncio talvez por não tarem conseguindo lavar a roupa suja: "Não sei que roupa suja é essa, mas se tiver roupa suja vou lavar".

Membros da CPI
Os deputados federais por Sergipe Fábio Reis (PMDB) e André Moura (PSC) integram a CPI do BNDES, que foi instalada ontem tendo como presidente o deputado Marcos Rotta (PMDB-AM) e como relator o deputado José Rocha (PR-BA). A comissão vai investigar empréstimos considerados suspeitos pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, concedidos tanto a empresas de fachada como a empreiteiras investigadas. O BNDES concedeu, entre 2003 e 2014, financiamentos de R$ 2,4 bilhões para as nove empreiteiras citadas na operação.

Veja essa...
Papo ontem em uma roda política de aliados do governador Jackson Barreto (PMDB) sobre a situação política do senador Eduardo Amorim (PSC): que há quatro anos não se entrava em uma cidade do interior do Estado para não se falar em Eduardo Amorim, que muitos já se referiam a ele como governador e que hoje apenas dois prefeitos frequentam o seu gabinete em Brasília - José Arinaldo Filho (DEM/Frei Paulo) e Valmir de Francisquinho (PSC/Itabaiana).

Curtas
O ministro do Turismo, Henrique Alves, estará hoje em Sergipe discutindo com o governador Jackson Barreto a passagem da tocha Olímpica no Estado, prevista para maio de 2016. A reunião ocorre no Palácio Museu Olímpio Campos, às 10 horas. Na ocasião, será discutida a logística do evento, a exemplo da segurança e promoções turísticas e culturais.

Repercutiu na sessão desta quinta-feira, na Câmara dos Deputados, o artigo do ex-governador Albano Franco, publicado recentemente no jornal O Globo, em que defende a mobilização das autoridades sergipanas para evitar que o Estado venha perder para Alagoas, Bahia ou Pernambuco, a localização da usina nuclear já definida para ser construída no Nordeste.
O artigo foi lido integralmente pelo deputado Laércio Oliveira, que pediu também o registro nos Anais da Câmara. O parlamentar destacou o momento oportuno da advertência do ex-governador para a tomada de posição das lideranças políticas do Estado.

Um projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Francisco Gualberto (PT) na Assembleia busca disciplinar o comércio de produtos alimentícios em cantinas de escolas públicas e provadas de Sergipe. Entre outros pontos, ele proíbe a venda de frituras e outros produtos que contribuem para o aumento de colesterol, diabetes, obesidade e outras doenças bastante comuns em crianças e adolescentes que não têm o habito da alimentação saudável.