De volta

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Publicada em 21/07/2015 às 02:06:00

Após 16 dias de férias no exterior o go-vernador Jackson Barreto (PMDB) re-torna hoje a Sergipe, reassumindo o comando do Estado. Volta relaxado, mas não deve demorar a se estressar com os problemas do governo que chegaram até a provocar aumento da pressão arterial uma semana antes de viajar para a Itália, quando foi atendido em sua casa por um cardiologista.

Jackson voltará a se preocupar já neste final de mês com o pagamento da folha de pessoal, por conta do grande déficit previdenciário correspondente a mais de R$ 70 milhões mensais; com a ameaça de greve geral dos servidores pelo reajuste salarial; além dos problemas na saúde e na segurança pública.  
O governador ainda terá que administrar o fogo amigo de alguns aliados. Depois da deputada estadual Ana Lúcia (PT) não poupar críticas ao governo no período da greve dos professores, agora é o deputado federal João Daniel (PT) quem criticou ontem a gestão de JB.
Ontem, no programa de Gilmar Carvalho, João Daniel disse que estava indignado com o tratamento que o governo Jackson Barreto vem dando aos movimentos sociais, principalmente àqueles em que estão as pessoas mais pobres, como os sem-terra e os sem-teto. Chegou a afirmar que vai pedir à Comissão de Direitos Humanos da Câmara que venha a Sergipe para apurar isso e que a PM de JB "trata pobre como marginal".

Ele terá ainda que sentar com o deputado federal Fábio Mitidieri (PSD), que como a coluna divulgou com exclusividade, protocolou no palácio antes de Jackson tirar férias um documento com a devolução de cargos indicados pelo seu partido na Secretaria de Inclusão Social. O motivo seria a falta de carta branca para tocar os projetos, por parte da secretária Marta Leão.
À coluna, na véspera de viajar, JB disse que tinha conversado com a secretária e com o deputado sobre essa queixa. Ressaltou que ficou de sentar com Fábio Mitidieri para resolver o impasse tão logo retornasse de viagem, que tem o maior carinho, respeito e confiança pelos Mitidieri.
Além desses problemas, existe uma insatisfação generalizada de aliados com relação às nomeações de seus afilhados políticos, uma vez que muitas estão na mesa do governador há cinco meses para serem assinadas. Enquanto isso, o pessoal vem trabalhando esse tempo todo sem receber salário.
Trocando em miúdos, de volta ao batente Jackson terá muitas pedras pelo caminho...

Primeiro
compromisso
O governador Jackson Barreto (PMDB) chega a Sergipe hoje à noite e reassume imediatamente o comando do Estado, que nesses 16 dias vinha sendo feito pelo vice Belivaldo Chagas (PSB). Amanhã, às 10h, assistirá missa no Palácio Museu a ser celebrada pelo arcebispo Dom Palmeira Lessa, com a presença da imagem de Nossa Senhora de Fátima, que veio de Portugal e percorre vários Estados do país.

Queixa
Em conversa ontem com a coluna um parlamentar aliado do governador lamentou que o seu governo venha recebendo tratamento de adversário por parte do PT. "Além da deputada estadual Ana Lúcia, que faz oposição para desgastar o governo, agora é o braço direito de Rogério Carvalho, o deputado federal João Daniel, que vem fazendo críticas por conta da desocupação de um prédio em Aracaju. Seria pressão por cargos no governo?", questiona.

Ponto de vista
Segundo ele, já tem aliados do governador achando que ele deveria exonerar os cargos indicados no governo pelos deputados petistas João Daniel e Ana Lúcia.

O que falar...
Ao se encontrar com o governador em exercício Belivaldo Chagas (PSB) em um povoado de Simão Dias, no sábado passado, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB) o cumprimentou friamente. Quem presenciou a cena acredita que o senador ainda não "engoliu" o forte vínculo de Belivaldo com Jackson Barreto, movido à confiança.

Investigação
Informações chegadas à coluna dão conta que o deputado federal Silvio Costa (PSC/PE) está fazendo um levantamento em Sergipe da vida pregressa do líder do seu partido na Câmara, o deputado federal André Moura. Isso porque o PSC entrou com pedido de sua expulsão da legenda pelo fato de ter reivindicado o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara.

Em seu poder 1
Ainda segundo a fonte, já foi encaminhado para Silvio Costa os números dos processos que o colega parlamentar André Moura responde cível e criminalmente; e cópia da entrevista do empresário Célio França sobre o tráfico de influência do parlamentar sergipano com empresários acusados de fraudar licitação da merenda escolar em prefeituras do interior.

Em seu poder 2
Ao deputado pernambucano também foram encaminhadas declarações atribuídas a André Moura, junto à imprensa, através da sua assessoria, de que ele contribuiu muito para a decisão de Eduardo Cunha em romper com o governo da presidente Dilma Rousseff. O parlamentar sergipano apareceu na mídia nacional ao lado de Cunha no dia que concedeu entrevista coletiva à imprensa para anunciar o rompimento.

Insatisfação
Sabe-se que deputados do PMDB não estão satisfeitos com o fato de Cunha ter rompido com o Planalto e pelo fato de ter tomado essa decisão de forma isolada, uma vez que não consultou o partido. Principalmente porque em reunião recente, no Rio de Janeiro, entre 43 deputados peemedebistas, o prefeito Eduardo Paes e o vice-presidente da República Michel Temmer, o próprio Temmer colocou que a presidente Dilma tinha se comprometido em atender as reivindicações dos parlamentares aliados em seus Estados até 31 de julho.

Defesa
Na reunião, inclusive, o ex-governador peemedebista do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, elogiou a postura equilibrada de Michel Temmer, disse que ele era bem diferente de Eduardo Cunha, e que o PMDB devia continuar dando sustentabilidade ao governo Dilma.

Apreensão
De Brasília chegou a informação de que dentro do PMDB existe um certo temor do desgaste do presidente Eduardo Cunha, no sentido de que venha a perder força e prestígio junto aos liderados por decisão tomada de forma unilateral, sem consultar a base que não quer o rompimento com o Planalto. Em Sergipe, já tem gente atribuindo esse desgaste de Cunha a André Moura, que foi um dos incentivadores da ruptura com o governo federal.
Ainda o PSDB 1
Durante entrevista que concedeu ontem à imprensa, o prefeito João Alves Filho (DEM) falou sobre o PSDB. Disse que nunca foi contra a ida dos Amorim para o partido, que tem o seu vice José Carlos Machado como secretário-geral. Ressaltou que o problema é que o senador Eduardo Amorim (PSC) só deve ingressar no ninho tucano no segundo semestre do próximo ano, assim como os nomes que foram colocados para falar sobre esse processo de mudança de comando no PSDB.

Ainda o PSDB 2
João Alves disse que era solidário a José Carlos Machado e admitiu que não gostou dos "ataques violentos" feitos à imprensa contra o seu vice. Lembrou que foi convidado pela cúpula nacional tucana para estruturar e fortalecer o PSDB em Sergipe em 2010, oportunidade que tirou Machado do então PFL e o fez ingressar no ninho tucano com essa missão.

Depoimento no TRE
O deputado estadual Francisco Gualberto (PT) não irá prestar depoimento à Justiça Eleitoral no processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) relativo ao uso das verbas de subvenções da Assembleia Legislativa no ano passado. Em nenhum momento a assessoria jurídica do parlamentar se manifestou nesse sentido, conforme notícias divulgadas ontem em diversos veículos de comunicação. O deputado esclarece que não prestará tal depoimento por não ter envolvimento algum com o caso. No processo, existe apenas a sugestão de aplicação de multa ao deputado, por parte do Ministério Público Eleitoral, com a alegação de que não deveria usar a verba em ano eleitoral. Gualberto esclarece ainda que a liberação das verbas em questão cabe exclusivamente à Mesa Diretora da Casa, e não ao parlamentar.

Veja essa...

Do prefeito João Alves ao ser questionado no caso de ele disputar a reeleição, como será a escolha do seu vice, já que o PSDB está hoje sob o comando dos irmãos Amorim: "Quem escolhe o vice é o candidato. Não aceitarei imposição de goela abaixo. O problema do vice não é chegar, é sair". 

Curtas

Em entrevista ontem na rádio Boca da Mata, o ex-prefeito Aragão (PMDB/Monte Alegre) negou que vai apoiar a sua esposa Valdirene para prefeita do município em 2016 tendo como vice Dr. João.

Disse que o seu bloco tem três bons nomes: Nena de Luciano (PRB), Dr. João e Humberto Martins, e defendeu a unidade do grupo para ganhar as eleições. Todavia disse que se for da vontade de Deus e do povo de Monte Alegre que a sua esposa venha a ser a candidata e se for de consenso do grupo não ver problema nisso. "Para ganhar as eleições dependemos do povo, porque o povo é soberano e o oxigênio que o político precisa é de apoio", declara o ex-prefeito Aragão.  

Durante reunião do Diretório Estadual do PRB no último sábado, em Estância, foram definidas pré-candidaturas do partido a prefeito em 2016 nos municípios de Japaratuba, Nossa Senhora da Glória, Estância, Nossa Senhora do Socorro, Riachuelo, Itaporanga d´Ajuda e Poço Redondo. E que a legenda terá candidato majoritário em 2018.

A coluna retorna hoje após 15 dias de férias.