Corte de energia no Campus da UFS gera transtornos e ação judicial contra Energisa

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Publicada em 26/02/2015 às 01:27:00

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

O campus de São Cristóvão da Universidade Federal de Sergipe (UFS) teve o fornecimento de energia elétrica cortado durante toda a manhã de ontem.Conforme informações da assessoria de comunicação da Energisa, a UFS não pagou a fatura referente ao mês de janeiro, sendo notificada na noite de terça-feira sobre a interrupção de fornecimento prevista para o dia seguinte.
Ainda de acordo com a assessoria da concessionária, a universidade solicitou dinheiro em caráter de urgência ao Ministério da Educação (MEC), e após pagamento efetuado ontem pela manhã o fornecimento foi restabelecido.
A suspensão da energia surpreendeu os trabalhadores, estudantes e a direção da universidade, que entrará com ação judicial contra a empresa. "Já acionamos o setor jurídico da universidade para ingressarmos com ação por danos morais contra a Energisa, que no nosso entendimento agiu com coação. Mantemos um acordo com a empresa através do qual pagamos a fatura sempre no período do dia 25 a início de cada mês, portanto não temos dívida e o problema não foi gerado por falta de dinheiro", esclareceu o vice-reitor da UFS, André Maurício Conceição de Souza.

André Maurício destacou ainda que a suspensão da energia prejudicou a universidade, que nesta semana está fechando as atividades acadêmicas do período letivo e realizando as novas matrículas dos aprovados pelo SISU, período definido como frágil pelo vice-reitor.
Ele ressaltou ainda que a empresa não respeitou a relação com a UFS enquanto concessionária que fornece um serviço essencial do qual depende o funcionamento da universidade. O vice-reitor disse que a fatura anual de energia da UFS é de R$ 6 milhões.
Sem energia, o acesso à biblioteca, laboratórios e restaurante universitário foi prejudicado. Muitos alimentos não foram produzidos por causa da falta de condições de refrigeração. A universidade conta apenas com um gerador para a central de procedimento de dados, que presta suporte às atividades acadêmicas e administrativas.Sem energia, os estudantes enfrentaram filas para fazer o cadastramento manual para terem acesso ao restaurante.

O problema gerou reclamações e críticas entre estudantes e os servidores. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Sergipe (Sintufs), Lucas Gama, lamentou o fato e disse que a universidade é uma das muitas unidades de ensino superior federal que estão sofrendo com o contexto de corte de gastos e investimentos por parte do MEC."Esta é uma das consequências do contingenciando de verbas na área de educação federal que vem fazendo as universidades amargarem dificuldades", atribui.
Ele destacou que o corte de R$ 7 bilhões a partir deste ano levou as universidades federais a uma situação financeira preocupante, como muitos campi trabalhando para amanutenção dos serviços essenciais enquanto a política de contingenciamento vigorar.

Lucas Gama ressaltou que os impactos da medida já são sentidos nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, incluindo também o hospital universitário e que mesmo antes do anúncio do corte, algumas instituições federais já vinham sofrendo para honrar com o pagamento de contratos com empresas terceirizadas e também com a manutenção da infraestrutura de salas, laboratórios, bibliotecas, restaurantes universitários, entre outros serviços.