O sagrado, antes de pedra e barro

Cultura


  • Ente os maiores de todos os tempos

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

No último dia 06, Bob Marley completaria 70 anos, caso não tivesse partido desta pra outra - muito melhor, aliás. Eu não cultivo dreadlocks, não sou um homem religioso, a data não me diz nada em particular. Confesso que, em matéria de Bob, estou mais pro folk/rock do Tiozão Dylan do que para o balanço do jamicano. Fumei a minha cota do bagulho, depois encaretei. Mas umas palavrinhas também não me custam nada.

Não sou um aficionado por reggae, mas também não sou surdo. O embaixador musical da Jamaica está entre os maiores de todos os tempos. Não há exagero na afirmação. Bob Marley gravou pelo menos dois discos impecáveis (aqui em casa, eles não param de rodar): Catch a fire (1973) e Exodus (1977) figuram entre os raros registros que transcendem a compilação de um punhado de canções para comunicar uma sensação intimamente ligada ao homem, sua condição e seu tempo. Isso tudo sem abdicar a uma boa dose de lirismo e melodias capazes de deixar qualquer um abestalhado.

Hoje, o discurso regueiro pode soar forçado (embora o apreço manifestado pela palavra me comova sinceramente, é preciso admitir o desbotamento essencial que converteu o sagrado em pedra e barro - mimesis, um chute no saco), mas ninguém tira de Bob o mérito de ter colocado o terceiro mundo no diabo do mapa.


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