Sai como ré

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 22/01/2015 às 00:38:00

Quando assumiu a presidência da Assembleia Legislativa em fevereiro de 2011, a deputada estadual Angélica Guimarães teve a boa aceitação da sociedade sergipana. Isso porque seria a primeira mulher a assumir a presidência do Poder Legislativo.

O primeiro ano de Angélica no comando da Assembleia foi bom. Conduziu o parlamento com respeito aos pares, manteve um excelente entrosamento com o Poder Executivo, chegando, inclusive, a assumir interinamente o Governo do Estado por oito dias quando o então governador Marcelo Déda (PT) se ausentou por motivos pessoais e o então vice-governador Jackson Barreto encontrava-se viajando.

Angélica assumir o governo foi uma forma que Déda encontrou de prestigiar a primeira presidente mulher da Assembleia e que proporcionava a harmonia entre os Poderes. Com isso, Jackson também viajou para que fosse cumprida a linha sucessória prevista na Constituição do Estado, ou seja, quando o governador e o vice se ausentam do Estado assume o governo o presidente do Poder Legislativo.
A lua de mel só durou um ano. Em fevereiro de 2012, Angélica, sobre a influência dos irmãos Amorim, resolveu antecipar em um ano a eleição da Mesa Diretora da Assembleia para o biênio 2013/2014 à revelia do governo.

Com 14 votos a favor, a deputada foi reeleita presidente não tendo na Mesa nenhum parlamentar do bloco político do governador. Nove deputados da bancada do governo deixaram o plenário para não participar da votação. Isso levou Déda a romper com Angélica e os irmãos Amorim, ficando sem maioria na Assembleia.
A partir dessa manobra política, que fez escola em Sergipe, com vários presidentes de Câmara Municipal antecipando em um ano a eleição e sendo reeleito, Angélica começou a fazer uma administração medíocre e cheia de subterfúgios.

Mudou regimento interno e fez várias manobras para derrotar o ex-deputado estadual Belivaldo Chagas, o candidato do governador, para a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Após duas eleições e processos na Justiça, a então deputada estadual Susana Azevedo, candidata do seu grupo, foi a eleita.
Angélica comandou ainda várias manobras para impedir a tramitação e votação em plenário de projetos do Poder Executivo, como o Proinveste e o Proredes, que visavam o desenvolvimento do Estado com a realização de obras, que gerariam emprego e renda, assim como recursos para a saúde respectivamente. Isso chegou a agravar o estado de saúde do governador, que tinha sido diagnosticado com câncer no pâncreas.

Para conseguir aprovar esses projetos, que tinham prazos, Marcelo Déda teve que se humilhar publicamente. Após oito meses de batalha pela aprovação desses projetos, o então governador implorou em uma solenidade no Instituto Luciano Barreto pela tramitação e aprovação.
Por ter feito todas as vontades dos seus líderes políticos, que chegou a desgastar a imagem do Poder Legislativo, Angélica foi contemplada com o cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado, na vaga do conselheiro aposentado compulsoriamente Reinaldo Moura.
Mesmo assim, não quis deixar logo a presidência da Assembleia para ocupar o tão almejado cargo. Permaneceu na Casa, elegeu o marido Dr. Vanderbal deputado estadual, impedindo que o seu vice Zé Franco (PDT) assumisse o cargo.

Para fechar com chave de ouro o seu ciclo à frente do Poder Legislativo, Angélica é ré em um processo da Procuradoria Regional Eleitoral, referente às verbas de subvenções sociais. Ela chegou a destinar cerca de R$ 500 mil para uma entidade em Japoatã, presidida pela sua mãe e sem qualquer prestação de contas.
Como não disputou a reeleição em 2014, a PRE pediu a inelegibilidade de Angélica Guimarães por oito anos, mediante a fraude na destinação dos recursos das subvenções.  
A saída de Angélica da Assembleia Legislativa é um alivio para a sociedade sergipana, que espera ficar livre de tantos escândalos e manobras políticas. Em contrapartida, deve causar novos desgastes ao TCE, que desde o conselheiro Flávio Conceição vem tendo desgaste perante a opinião pública.

Posse
Angélica Guimarães, que se desfiliou na última terça-feira do PSC e deixou a presidência da Assembleia Legislativa, será empossada hoje como conselheira do Tribunal de Contas do Estado. A solenidade de posse acontecerá às 9h, durante sessão especial convocada pelo presidente do TCE, Carlos Pinna.

Até o fim
A nova conselheira foi eleita para o cargo em 9 de abril do ano passado, mas somente hoje, mais de nove meses depois,  decidiu ser empossada no tão galgado posto vitalício. O mandato de Angélica encerraria no dia 31 de janeiro.

Novo líder
Com a decisão do deputado estadual reeleito Venâncio Fonseca (PP) em não ser mais o líder da oposição na Assembleia após vários anos, assumirá o posto o deputado reeleito Capitão Samuel (PSL).  O acordo foi firmado com os irmãos Amorim.

Atuação
"Nós vamos fazer uma oposição com responsabilidade no sentido de preservar o bem público", assegura o Capitão Samuel, enfatizando que fará uma "oposição investigativa".

Já são nove
Com o Capitão Samuel, já são nove os deputados estaduais notificados para prestar esclarecimentos ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sobre as verbas de subvenções durante o ano eleitoral. Já foram citados os deputados Gilson Andrade (PSL), Zé Franco (PDT), Maria Mendonça (PP), Zezinho Guimarães (PMDB), Conceição Vieira (PT), Antonio dos Santos (PSC), Angélica Guimarães e Adelson Barreto (PTdoB), que se apresentou espontaneamente.    

Otimista
De volta da viagem de férias, o novo líder da oposição foi notificado ontem pelo TRE para se explicar sobre as verbas de subvenções. "Estamos finalizando a defesa e confiamos na absolvição da justiça eleitoral. Tenho em minha mão esquerda o processo do MPE e na mão direita a minha defesa. Confio na justiça, até porque, a distribuição da verba de subvenção é de responsabilidade da Mesa Diretora da Assembleia", disse.

Propostas
O deputado, que tem pedido de cassação de mandato pela acusação do uso indevido das subvenções, defende mais transparência da Assembleia. Tem como proposta a criação do portal da transparência para que a população tome conhecimento de como estão sendo aplicadas as verbas; a transformação da TV Alese em TV aberta; e a transformação de subvenção em Emenda impositiva.  

Inclusão social
Como a coluna já tinha previsto começa a disputa dos partidos da base aliada do governador Jackson Barreto (PMDB) para a Secretaria da Inclusão Social, mediante a decisão de Eliane Aquino em não aceitar comandar a pasta. O PT de Márcio Macedo deseja o cargo para a deputada estadual não reeleita Conceição Vieira; os quatro deputados peemedebistas querem indicar Marta Leão; o PSD do deputado federal eleito Fábio Mitidieri deve pleitear o cargo, por achar que o partido não foi bem contemplado no primeiro escalão, quando ficou apenas com a Secretaria de Justiça.  

Encontro
Foi ontem, durante reunião, que os quatro deputados estaduais peemedebistas fecharam questão no nome de Marta Leão, atual dirigente da Fundação Renascer. Luciano Bispo, Zezinho Guimarães, Robson Viana e Garibalde Mendonça avaliam que o PMDB não indicou nenhum nome para o primeiro escalão e que seria justo fazer isso. Eles devem avaliar que os peemedebistas Zezinho Sobral, João Augusto Gama e Benedito Figueiredo são da cota pessoal do governador.

Defesa
Para o coordenador da reunião, Zezinho Guimarães, Marta "é uma mulher que tem história em Sergipe, já ocupou a pasta no governo de Albano Franco e é integrante do PMDB. Todos nós entendemos que contemplar Marta, profissional preparada para a função é, também, contemplar o PMDB", afirmou, enfatizando que os deputados do partido (até então) não fizeram indicação de auxiliares na administração do governador Jackson Barreto.

Veja essa...
Do deputado Capitão Samuel em seu twitter: "Suplentes estão até pagando para determinadas pessoas inventarem "estorias"sobre titulares. O vale tudo começou".

Curtas
O ex-vereador Elber Batalha será empossado hoje como secretário da Cultura. A posse ocorrerá às 9h, no Museu da Gente Sergipana.

O prefeito de Neópolis, Amintas Diniz, foi ontem ao Palácio dos Despachos em busca de recursos para o tradicional carnaval do seu município.

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 8022/14 que impede a aplicação de multa e a retenção do veículo se o motorista não estiver com os documentos exigidos pela lei, caso eles possam ser verificados, pelo agente de trânsito, em equipamentos capazes de consultar, em tempo real, a situação dos documentos obrigatórios, como licenciamento anual e habilitação do condutor.

O projeto altera a Lei 9.503/97, que institui o Código de Trânsito Brasileiro.

O Senado vai criar índice de transparência aberto ao cidadão. A ideia é facilitar a fiscalização das atividades da Casa pela sociedade. Os detalhes da iniciativa vão ser discutidos pelo Conselho de Transparência do Senado até o fim de janeiro.

No dia 10 de fevereiro o PT completa 35 anos de fundado, em meio a uma crise nacional.