Há 30 anos, o fim do regime militar

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Publicada em 15/01/2015 às 00:49:00

Em 15 de janeiro de 1985, a chuva forte em Brasília não impediu que uma multidão se concentrasse em frente ao Congresso, parte abrigada sob uma bandeira nacional, alguns escalando as cúpulas de concreto. Lá dentro, com plenário e galerias lotados, Tancredo Neves era eleito o primeiro presidente civil no País em 21 anos, pelo mesmo instituto criado pelos militares para eleger seus generais: o Colégio Eleitoral.
Na sessão, que durou cerca de três horas e meia, Tancredo derrotou o candidato do extinto PDS, Paulo Maluf, que não tinha apoio unânime entre os militares. Foram 480 votos contra 180. A vitória veio no voto do deputado João Cunha (PMDB-SP), o de número 344, que garantiu a maioria ao candidato da oposição. "Tenho a honra de dizer que o meu voto enterra a ditadura funesta que infelicitou a minha pátria", disse, entre aplausos, pouco depois das 11h30 daquela terça-feira. Quase uma hora depois, Tancredo Neves leria seu discurso da vitória. "Esta foi a última eleição indireta do País. Venho para realizar urgentes e corajosas mudanças políticas, sociais e econômicas indispensáveis ao bem-estar do povo".

Da mesma forma que na bancada do PDS (originário da antiga Arena, partido do governo militar) grande parte dos deputados votou em Tancredo, na oposição nem todos o escolheram. O diretório nacional do PT decidiu pela abstenção, por avaliar que o partido deveria continuar na luta por eleições diretas. Dos oito deputados, três - Bete Mendes, Ayrton Soares, então líder da bancada na Câmara, e José Eudes - votaram a favor de Tancredo e foram expulsos do PT.

As negociações que culminaram na candidatura de Tancredo pela Aliança Democrática começaram oficialmente logo após a derrota da emenda Dante de Oliveira (das Diretas) na Câmara. Integrante da dissidência do PDS à época, o deputado Simão Sessim (PP-RJ) lembra que o grupo se formou a partir da vitória de Paulo Maluf na convenção do partido, derrotando Mário Andreazza, que tinha apoio amplo entre os militares.
Os parlamentares são unânimes em um ponto: ao colocar um fim no ciclo dos presidentes militares, a vitória de Tancredo abriu o caminho para a normalidade democrática no Brasil. "Havia um anseio, entre todos os segmentos da sociedade, para que caminhássemos em direção ao fim do arbítrio", lembra o deputado Mauro Benevides (PMDB-CE), que em 1987/88 foi 1º vice-presidente da Assembleia Nacional Constituinte. "A vitória de Tancredo representou um passo decisivo para que o Brasil, além da redemocratização, tivesse, três anos depois, a Constituição que Ulysses Guimarães chamou de cidadã".

Presidente eleito, Tancredo Neves não assumiu o cargo. Na noite de 14 de março, véspera da posse, foi internado no Hospital de Base de Brasília com o diagnóstico de diverticulite. Morreu em 21 de abril.
Foi empossado como presidente da República o vice, José Sarney, a quem coube conduzir o processo de redemocratização e convocar a Assembleia Nacional Constituinte, em 1987. Em 1989, na primeira eleição direta para a Presidência da República após o regime militar, foi vencedor Fernando Collor. (Com Agência Câmara)

Em campanha
Os candidatos a presidente da Câmara dos Deputados para o biênio 2015/2016, Eduardo Cunha (PT/RJ) e Arlindo Chinaglia (PT/SP), estiveram ontem em Aracaju fazendo campanha para suas candidaturas junto à bancada federal de Sergipe. Os dois concederam entrevista coletiva à imprensa e se reuniram com parlamentares, onde apresentaram suas propostas.

Cunha 1
Eduardo Cunha tomou café da manhã com jornalistas e radialistas em um hotel da orla.  Depois se reuniu com a bancada federal, quando marcaram presença os deputados federais reeleitos André Moura (PSC), Fábio Reis (PMDB), Valadares Filho (PSB) e Laércio Oliveira (SD), e os deputados eleitos Adelson Barreto (PTB) e Pastor Jony (PRB). Os únicos ausentes foram os deputados eleitos Fábio Mitidieri (PSD), que está viajando com a família, e João Daniel (PT).  

Cunha 2
Marcaram presença ainda na reunião os quatro deputados estaduais do PMDB nessa próxima legislatura: Garibalde Mendonça, Zezinho Guimarães, Luciano Bispo e Robson Viana. Além de alguns prefeitos peemedebistas e o vice-presidente da nacional do PSC, pastor Everaldo, cujo seu partido foi o primeiro a apoiá-lo.

Cunha 3
Após reunião, Eduardo Cunha e a maioria dos deputados se dirigiram ao Palácio de Despachos, onde foram recebidos pelo vice-governador Belivaldo Chagas (PSB). De lá todos foram visitar o prefeito João Alves Filho (DEM) e o vice José Carlos Machado (PSDB).

Cunha 4
A agenda de Cunha em Sergipe terminou com um almoço na casa do senador Eduardo Amorim, que contou com as presenças de deputados estaduais, prefeitos e vereadores.

Cunha 5
Após o almoço, o candidato a presidente da Câmara seguiu viagem para Alagoas, na companhia de André Moura e Fábio Reis. Em Maceió, eles se reuniram com a bancada federal alagoana, depois se encontraram com o governador Renan Filho (PMDB) e o prefeito Rui Palmeira (PSDB). De lá seguiram para a Paraíba, quando terá uma mesma agenda hoje.
Chinaglia 1
Já o candidato do PT, Arlindo Chinaglia, que é vice-presidente da Câmara, esteve com a imprensa ao meio-dia, em um hotel da orla. Em seguida, se reuniu com os deputados Rogério Carvalho, que é o presidente estadual do PT, Valadares Filho (PSB) e Mendonça Prado (DEM), e os deputados federais eleitos João Daniel (PT), Jony Marcos (PRB), Laércio Oliveira (SD) e Adelson Barreto (PTB).

Chinaglia 2
Também marcaram presença na reunião os deputados estaduais Ana Lúcia (PT) e Luciano Bispo (PMDB), e os secretários Olivier Chagas (Meio Ambiente e Recursos Hídricos) e Esmeraldo Leal (Agricultura).

Chinaglia 3
O candidato a presidente do PT, que chegou a Sergipe vindo da Paraíba, e seguiu no final da tarde para Salvador.

Propostas
Chinaglia propõe a retomada da discussão das reformas política e tributária, e da lei das licitações públicas, assim como a criação de uma Comissão de Desenvolvimento do Nordeste, para debater temas de interesse da região e buscar resultados práticos. Já Cunha propõe uma Câmara independente e exercitar o que está previsto na Constituição de independência entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, assim como cumprir o regimento da Casa Legislativa.

Como votam
No dia 1º de fevereiro, quando acontecerá eleição da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados para 2015/2016,  Eduardo Cunha deverá ter os votos de seis dos oito deputados federais eleitos em 5 de outubro: André Moura, Fábio Reis, Fábio Mitidieri, Adelson Barreto, Jony Marcos e Laércio Oliveira.  João Daniel votará com o candidato do seu partido Arlindo Chinaglia e Valadares Filho com o candidato do seu partido Júlio Delgado (PSB/MG).

Sem fundamento 1
O candidato a presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Gustinho Ribeiro (PSD), avalia como "descabida" a informação publicada ontem na coluna de que a sua candidatura está sendo incentivada pelos ainda deputados Zé Franco (PDT) e Zeca da Silva (PSC), sob a orientação dos irmãos Amorim. "Tenho que procurar quem tem voto, que são os 24 deputados que tomarão posse no dia 1º de fevereiro", afirmou.

Sem fundamento 2
Segundo ele, não tem lógica essa informação que chegou à coluna. "São os adversários tentando espalhar isso pensando que vão abalar a minha relação com o governador Jackson Barreto, que é consolidada, é na base da lealdade e do companheirismo".

Aval
Garante o deputado que ele tem construído sua candidatura com a autorização do governador e dentro da bancada do governo, que tem maioria na Assembleia. "Só ganha quem estiver fortalecido com o governo", avalia Gustinho, enfatizando que antes do governador viajar conversou com ele, autorizou que continuasse conversando com os parlamentares e disse que depois voltariam a conversar para informar sobre o cenário.

Apoios
Revela Gustinho que vem conversando com os deputados do PSB, PDT, PSD, PRB, PT e PMDB. Assegura que já conseguiu o apoio da deputada estadual eleita Silvia Fontes (PDT) e que nas conversas com os peemedebistas Garibalde Mendonça e Zezinho Guimarães eles sinalizaram para a possibilidade de parceria.

Concepção
Ressaltou que a sua candidatura tem um propósito. "Não é o desejo pessoal de ocupar espaço de poder, mas de ajudar Jackson a fazer um grande governo em parceria com o Poder Legislativo. Quero construir uma relação tranquila e harmoniosa com os parlamentares e o governo", finaliza.

Esclarecimento 1
O prefeito de Muribeca, Fernandinho Franco, disse à coluna que nunca participou de reuniões para tratar sobre a presidência da Assembleia Legislativa, e em momento algum falou do governador Jackson Barreto. Fernandinho disse não entender o porquê dessas notícias envolvendo o seu nome. "A minha única preocupação neste momento é com o nosso município. Tenho trabalhado para trazer benefícios e realizar obras para a população, alem de pagar os servidores em dia".

Esclarecimento 2
"Tenho acompanhado de longe as discussões em torno da candidatura para a presidência da Assembleia, porém o município de Muribeca precisa de mim, fui eleito para isso, e não desviarei o meu foco com outros temas. Muribeca tem problemas demais e o meu tempo eu dedico a buscar as soluções", revela o prefeito.

Veja essa...
Do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, sobre as especulações na imprensa nacional de que energia elétrica teria um aumento de 40% este ano, apesar do aumento de 17% no final de 2014: "O aumento médio nas tarifas de eletricidade no país em 2015 ficará abaixo de 40%, com certeza". É fogo!

Curtas
O governador Jackson Barreto retornou ontem à noite da viagem de descanso. Hoje retoma a agenda.

O presidente do PT, Rogério carvalho, foi ver Eduardo Cunha pela relação de amizade entre os dois.

O deputado federal eleito Pastor Jony Marcos (PRB) e o prefeito Heleno Silva (PRB) estiveram em Brasília nesta semana.

Jony estava na capital do Distrito Federal para ver a questão do apartamento e do gabinete que passará a ocupar, assim como se reunir com o partido para discutir a participação nas comissões temáticas da Câmara dos Deputados. Já Heleno foi em busca de recursos para o seu município.