O Rei está nu

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Publicada em 11/10/2014 às 00:54:00

Quase uma semana após as eleições ainda se comenta muito nas rodas políticas a vitória do governador Jackson Barreto (PMDB) sobre o senador Eduardo Amorim (PSC), ainda no primeiro turno com uma votação expressiva: 53,52% dos votos válidos conquistados por JB contra 41,37% adquiridos por EA.
Muitos se mostravam ainda surpresos com o fato de Jackson ter ganhado com mais de 122 mil votos, quando, no começo da campanha, se esperava uma vitória de um ou outro com uma diferença mínima. Achavam isso por julgarem que sem o ex-governador Marcelo Déda na linha de frente seria muito difícil conseguir vencer o bloco político liderado pelos irmãos Amorim.

O entendimento era que Edivan Amorim era um grande estrategista político, grande articulador, um homem de palavra e um líder poderoso que em 2006 conseguiu eleger o irmão Eduardo Amorim como o deputado federal mais votado de Sergipe e em 2010 o senador mais votado, obtendo, inclusive, uma votação maior que o candidato a reeleição de governador Marcelo Déda.

Em 2014, ao ter conseguido formar uma coligação de Eduardo Amorim com 15 partidos, tendo Maria do Carmo Alves (DEM) como candidata ao Senado, não só no bloco como na mente de várias lideranças políticas era favas contadas a vitória da oposição nas urnas. Os irmãos Amorim e liderados passavam a imagem de que eram imbatíveis.

Diziam que Jackson Barreto - com um PT sem Déda e um pouco desgastado por ser governo há 12 anos em Sergipe com a Prefeitura de Aracaju e o Estado -  não tinha como vencer as eleições. Sem falar nos graves problemas na saúde e segurança pública.
Com um grande exército, tendo ainda na linha de frente o prefeito João Alves Filho (DEM), os Franco e as duas emissoras de TV da família, os Amorim foram realmente para o campo de batalha se achando invencíveis. Até porque nunca tinham perdido uma guerra.

Foram surpreendidos com o poder de fogo do inimigo, liderado por Jackson Barreto, que está na política há mais de 40 anos, é uma liderança extremamente popular, com uma história política de luta pela democracia e redemocratização do país. Subestimaram o adversário, prometeram muito e não honraram as promessas.
Bem ao seu estilo, Jackson começou a desfazer essa imagem dos Amorim. Questionou quais os serviços que tinham prestado ao Estado, conseguiu incutir na cabeça do povo que o grupo representava o mal, queria transformar Sergipe em um balcão de negócios e que essa eleição era a do bem contra o mal.

Somado a isso, JB contou com as grandes obras que o governo vem realizando em todo o Estado e, principalmente, com o fato do povo reconhecer que ele tinha que encerrar sua carreira política como governador do Estado eleito pela sua história política e por 1994.
Trocando em miúdos, o entendimento nas rodas políticas é que essa eleição desmistificou os Amorim. Eles saíram derrotados em todas as frentes (Governo, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa), endividados e tendo perdido a maior característica: o cumprimento da palavra.

Prioridades
Em conversa ontem com a coluna, o governador reeleito Jackson Barreto (PMDB) disse que está focado em três frentes: na reforma administrativa que fará no seu novo governo, no projeto dos royalties e na reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no segundo turno.

O caminho
Com relação à reforma, Jackson disse que está buscando técnicos e formará uma comissão para enxugamento da máquina administrativa do Estado. Disse que não só haverá extinção e fusão de secretarias e órgãos públicos, mas mudanças na estrutura da Secretaria da Saúde.
Um foco
Revelou que com a criação das Fundações de Saúde era para diminuir o tamanho e a estrutura da Secretaria da Saúde. Disse que não faz sentido as fundações estarem funcionando, com pessoas concursadas, e a Secretaria ter ficado do mesmo tamanho, tendo um gasto mensal com pessoal de R$ 22 milhões. "Temos que pegar parte desses recursos investidos na atividade meio para investir na atividade fim, que é o povo".

Concepção
Reafirma Jackson que a prioridade é contratar técnicos da casa para enxugar a máquina. "È muito difícil trabalhar com o tamanho da máquina como está. Tem de sobrar dinheiro para a saúde e para atender ao Plano de Cargos e Salários dos Servidores", frisou.

Royalties
O governador reeleito afirmou que esta semana começou a conversar com os deputados estaduais sobre a tramitação do projeto que prevê a antecipação dos royalties para que possa destinar cerca de R$ 70 milhões para conter o déficit da previdência social. Quer a ajuda deles por entender que com a aprovação desse projeto, os recursos serão destinados para a saúde, educação e segurança pública, que serão as áreas prioritárias na sua futura gestão.
Otimista
Segundo Jackson, esse projeto deve ter o apoio do Tribunal de Contas do Estado, do Ministério Público, do Poder Judiciário, do Estado e da própria Assembleia Legislativa, pois contempla o pagamento dos seus aposentados.  

Mobilização
2º turno
O senador Eduardo Amorim (PSC) iniciou ontem, em Sergipe, a campanha para o presidenciável Aécio Neves (PSDB) com panfletagem às 17h, no cruzamento da avenida jornalista Santos Santana com Pedro Valadares. Já na segunda-feira está agendada outra panfletagem no mesmo horário, na avenida Beira Mar com Francisco Porto. Em seguida, às 19h, o parlamentar e lideranças políticas aliadas participarão de reunião na Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Aracaju, com o mesmo objetivo.

Deliberação
Na reunião da Executiva Estadual do PSDB realizada ontem de manhã, na Aease, visando discutir a decisão do Diretório Nacional de apoiar a candidatura de Aécio Neves no segundo turno, ficou decidido que o partido em Sergipe vai acatar a decisão nacional, mas vai respeitar a posição das lideranças políticas nos municípios. O prefeito de Poço Verde, Thiago Doria, disse que a maioria dos 11 prefeitos do partido vai apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, de quem já era aliado antes da candidatura ao Planalto de Marina Silva.

Consenso
Na reunião, ficou decidido ainda que o PSB em Sergipe fará campanha para Aécio Neves de forma independente. Ou seja, sem qualquer vinculo com a campanha que está sendo feita sob a liderança do senador Eduardo Amorim, que foi adversário do partido no primeiro turno das eleições, quando a legenda estava na coligação com Jackson Barreto.
Curiosidades
da eleição 1
Em 2015, a nova bancada da Câmara dos Deputados será formada por três deputados federais reeleitos (Valadares Filho/PSB, 4º mandato; Mendonça Prado/DEM, 3º mandato; e Laércio Oliveira/SD, 2º mandato). Por um deputado que entrou na metade do mandato e foi reeleito (Fábio Reis -PMDB); e a estreia de dois deputados estaduais na Câmara (Adelson Barreto -PTB e João Daniel - PT) e a estreia de um vereador (Pastor Jony -PRB).

Curiosidade
das eleições 2
Na Assembleia Legislativa vários deputados foram reeleitos após várias legislaturas: Venâncio Fonseca/PP (6ª), Augusto Bezerra/PMDB (5ª), Luiz Garibalde/PMDB (5ª), Ana Lúcia/PT (4ª), Francisco Gualberto/PT (4ª), Luiz Mitidieri/PSD (4ª), Maria Mendonça/PP (3ª), Pastor Antônio/PSC (3ª). Disputaram o segundo mandato e foram reeleitos: Zezinho Guimarães/PMDB, Jeferson Andrade/PSD, Gustinho Ribeiro/PSD, Goretti Reis/PMDB, Paulinho da Varzinhas/PTdoB, Capitão Samuel/PSL e Dr. Gilson Andrade/PTC.

Curiosidades
das eleições 3
Estreiam no parlamento estadual: Silvia Fontes (PDT), Jairo de Glória (PRB), Padre Inaldo (PCdoB), Robson Viana (PMDB), Luciano Pimentel (PSB), Georgeo Passos (PTC), Dr Vanderbal (PTC). Retornam a Assembleia os ex-prefeitos Luciano Bispo (PMDB) e Valmir Monteiro (PSC).

Veja essa...
Durante a campanha eleitoral a candidata a reeleição de deputada estadual Ana Lúcia (PT) e o candidato a deputado federal Iran Barbosa (PT) não colocaram nenhuma propaganda de Jackson Barreto. Era a propaganda dos dois, do candidato a senador Rogério Carvalho e da presidente Dilma. A deputada, inclusive, chegou a mandar mensagem para os professores, pelo seu celular, com o seguinte texto: "Eu, Ana Lúcia, deputada estadual 13900, peço o seu voto para continuar nas lutas em defesa do povo e para o meu federal Iran Barbosa 1390, Rogério 131 e Dilma 13.

... e  essa ...
No domingo, na festa da vitória de Jackson Barreto na Avenida Barão de Maruim, Ana Lúcia foi a primeira a chegar no palanque (trio-elétrico) e tomar a frente. Aliados de JB não engoliram o seu comportamento. Um aliado disse que a petista devia reconhecer que a grande vitória de Jackson puxou as candidaturas de senador, deputado federal e deputado estadual da legenda.

Curtas
Ontem, no programa de George Magalhães, na 103 FM, Rogério Carvalho garantiu que não disputará um cargo eletivo em 2016, mas em 2018 voltará a disputar a eleição. Como professor concursado da universidade, disse que em janeiro, após concluir mandato de deputado federal, retorna a sala de aula.

Do deputado federal não reeleito Márcio Macedo (PT) sobre o resultado das urnas: "Duas palavras me movem nesse momento: gratidão e compromisso. Gratidão ao povo por ter me dado uma votação expressiva e compromisso de trabalhar pela reeleição de Dilma e de concluir meu mandato com honradez, distribuindo as emendas para servir aos sergipanos".
De Márcio Macedo ao ser questionado sobre o seu projeto político a partir de 2015 e se disputará algum mandato eletivo em 2016: o futuro a Deus pertence.

Aliados de Jackson Barreto não entenderam a presença do deputado estadual eleito, padre Inaldo (PCdoB), no ato de campanha da presidente Dilma, anteontem no Emes, portando adesivo de JB e Dilma. Isso porque em Socorro ele se aliou a Zé Franco e votou com Eduardo Amorim.

Ainda está dando o que falar um candidato a deputado federal ter gastado cerca de R$ 17 milhões e um candidato a deputado estadual ter gastado aproximadamente R$ 7 milhões para se eleger nas eleições deste ano. Foi realmente uma campanha milionária.