Campanha fria

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Publicada em 15/08/2014 às 00:46:00

As mortes trágicas do presidenciável Eduardo Campos (PSB), do assessor Pedrinho Valadares e mais cinco pessoas, em acidente de avião ocorrido na manhã da quarta-feira passada esfriou mais ainda a campanha eleitoral em Sergipe e no país. A comoção não foi somente da população, mas também da classe política que enfrenta mais uma campanha eleitoral.
Tão logo foi oficializado o acidente e as sete mortes, pouco antes das 13h, partidos políticos e candidatos proporcionais e majoritários em Sergipe saíram com nota de pesar pelo falecimento de Eduardo Campos e do sergipano Pedrinho Valadares. Nas notas, alguns candidatos e partidos comunicavam o cancelamento da agenda de campanha.

Dos cinco candidatos a governador de Sergipe só Sônia Meire, do PSTU, seguiu com a campanha normalmente. Os demais Jackson Barreto (PMDB), Eduardo Amorim (PSC), Airton Santos (PPL) e Alberto dos Santos (PTN) suspenderam os compromissos de campanha.

O presidente estadual do PSB, deputado federal candidato à reeleição, Valadares Filho, disse que o seu partido só voltará a fazer campanha de rua no Estado após a missa de sétimo dia do seu líder maior Eduardo Campos e do seu primo e ex-filiado ao PSB, Pedrinho Valadares.
Os dois mais competitivos candidatos a presidente da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), também suspenderam agenda de campanha na quarta-feira.

O presidenciável Eymael (PSDC), que estaria nessa quarta e quinta-feira fazendo campanha em Sergipe, cancelou agenda. Já Aécio, que tinha possibilidade de estar no Estado nesse sábado e domingo, descartou por completo a sua vinda nesse final de semana.     

A tendência é que em Sergipe, ainda sob forte comoção com as mortes dos dois jovens políticos, venham acontecer até o sepultamento dos corpos apenas reuniões de candidatos com lideranças políticas, movimentos sociais e gravações de programa eleitoral. Nada de campanha de rua, em respeito às mortes trágicas e prematuras de Pedrinho e Eduardo.

Com isso, a campanha no Estado - que começava a ficar morna com algumas carreatas, caminhadas e pessoas segurando bandeiras nos semáforos e colocando adesivos - volta a esfriar.
A expectativa mesmo é que a campanha comece a esquentar a partir da próxima terça-feira, 19, com o início do programa eleitoral gratuito no rádio e na televisão.

Compasso de espera
O deputado federal Valadares Filho (PSB) e o primo Emerson Valadares, que é o irmão de Pedrinho Valadares, continuam em São Paulo para acompanhar e ajudar os peritos do Instituto Médico Legal (IML) na identificação do corpo do ex-deputado federal de Sergipe e assessor do presidenciável Eduardo Campos. A identificação só será feita mediante exame de DNA, por conta da fragmentação dos corpos em razão da explosão do avião.

Ao mesmo tempo
Valadares Filho revelou à coluna que a pedido da viúva de Eduardo Campos, a Renata, todos os corpos devem ser liberados ao mesmo tempo. Acredita que ela quis evitar qualquer privilégio que pudesse ser concedido ao marido, pelo fato de ter sido governador de Pernambuco e presidenciável.

Posição 1
O diretor do IML de São Paulo, Ivan Miziara, informou ontem à tarde que não há tempo definido para liberação dos corpos e que o processo pode durar alguns dias mediante a dificuldade na identificação das vítimas do acidente de avião.  Explicou que a identificação está sendo um trabalho muito complexo porque os corpos estão bastante fragmentados e o processo deve seguir protocolo internacional.

Posição 2
De acordo com ele, 50 pessoas entre legistas, peritos e técnicos, com acompanhamento da Polícia Federal, participam do trabalho, iniciado na quarta-feira à noite com a chegada dos restos mortais das vítimas. Disse que até o início da tarde de ontem somente foi colhido material genético de parentes de Pedrinho Valadares, no caso o irmão dele, e do piloto Marcos Martins.

Em Sampa
O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) embarcou ontem à tarde para São Paulo a fim de também acompanhar a liberação do corpo do sobrinho Pedrinho Valadares, assim como do presidente nacional do seu partido Eduardo Campos. Não tinha viajado antes para dar assistência a família em Sergipe.
Especulação do vice
A coluna de Claudio Humberto de ontem, publicada em vários jornais do país, citou o nome do senador Valadares como uma opção para ser o candidato a vice-presidente da República com a grande possibilidade da vice de Eduardo Campos, Marina Silva, vir a ser a presidenciável do PSB. Também citou como possibilidade de ser vice o presidente nacional do PPS, Roberto Freire; o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral; e o deputado Júlio Delgado (MG).  

Fora da pauta
Como presidente estadual do PSB, Valadares Filho disse que não houve nenhuma conversa nesse sentido. Revela que apesar de muitos parlamentares, prefeitos, governadores e dirigentes do PSB estarem no mesmo hotel, em São Paulo, pouco se conversou sobre o processo sucessório. Garante que nem na reunião da Executiva Nacional, realizada no hotel, o tema foi abordado.

Só comoção
"Não foi abordado esse assunto efetivamente, pela circunstância trágica. Com quem tenho conversado, só falamos sobre a perda e a lembrança de Eduardo Campos e Pedrinho Valadares. Essa discussão de quem será o candidato a presidente do PSB não pode ser a base da emoção e dar dor. Tem de ser com maturidade, por ser o futuro do país que está em jogo. Não tem clima e não é prioridade. A prioridade é agilizar a liberação dos corpos e minimizar o sofrimento dos familiares. Passado isso, o partido vai se reunir e decidir o destino nessas eleições", afirmou Valadares Filho.
O velório
O deputado confirma que o sepultamento do primo Pedrinho Valadares será em Aracaju, ao invés de Simão Dias, na Colina da Saudade, provavelmente no sábado à tarde se houver a liberação dos corpos hoje à tarde ou amanhã de manhã.

Acompanhando
de perto
O PSB nacional contratou ontem um escritório de advocacia para acompanhar as investigações sobre a queda do avião que levava seu candidato à Presidência da República. A iniciativa foi tomada pelo ex-ministro Roberto Amaral, que assumiu a presidência do partido no lugar do ex-governador de Pernambuco.

Habilitados
Dando prosseguimento ao julgamento dos registros de candidaturas daqueles que pleiteiam disputar as eleições este ano, o pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) julgou ontem improcedente o pedido de impugnação e deferiu registros dos candidatos a deputado estadual Luciano Bispo, da coligação Agora É a Vez de Sergipe (PT / PMDB / PSB / PSD); Gilmar Carvalho e Edvan Amorim, da Coligação Digo Sim a Sergipe (PP / PTB / PSL / PSC / PR / DEM / PT do B / PTC / Sd / PSDB). O pedido de impugnação partiu do Ministério Público Eleitoral e coligação adversária.

Os suplentes
Ainda na sessão de ontem, o juiz relator José Alcides Vasconcelos Filho deferiu a candidatura do 2º suplente de senador Ivan Leite, indeferiu o registro de candidatura do 1º suplente de senador Gilberto Santos, assim como do registro da chapa majoritária. O desembargador Ricardo Múcio pediu vistas e anunciou retorno dos autos para julgamento na sessão ordinária do dia 19 de agosto. Gilberto e Ivan são suplentes do candidato a senador Rogério Carvalho (PT), da Coligação Agora É o Povo (PT / PSD / PC do B / PRTB / PDT / PRP / Pros / PSDC / PMDB / PSB / PRB).

Choro e festa
O candidato a deputado estadual Luciano Bispo (PMDB) acompanhou o julgamento do TRE em Aracaju, na companhia do irmão, o deputado estadual Arnaldo Bispo (DEM), e de assessores. Chorou ao saber que poderá ser candidato e seguiu para sua cidade, Itabaiana, onde foi recebido na entrada por jovens e populares, que o colocaram em cima de um carro aberto e seguiram desfilando pelas ruas ao som de muitos fogos.

Registro
Luciano, que foi prefeito de Itabaiana por quatro mandatos, teve deferido o registro da sua candidatura pelo placar de 5 x 1. Por precaução, ele chegou a viabilizar o registro dos aliados, os ex-vereadores Olivier Chagas (PT) e Carlinhos da Atlética (PMDB). Se ficasse inelegível apoiaria um dos dois para a Assembleia.

Veja essa...
Essa pode ser mesmo uma eleição da traição. Uma liderança forte do PMDB em Maruim pode trair Jackson Barreto e votar em Amorim. Já vota com capitão Samuel (PSL) para deputado estadual.

Curtas
Jackson Barreto e Eduardo Amorim compareceram ontem de manhã ao velório do cantor sergipano Rogério. A exemplo da quarta-feira, suspenderam a agenda de campanha pelas mortes de Eduardo Campos e Pedrinho Valadares.

Também por conta da tragédia envolvendo Eduardo e Pedrinho, a deputada estadual Goretti Reis (DEM) cancelou a inauguração do Comitê da parlamentar que aconteceria hoje, em Lagarto, às 19 horas.
O deputado estadual Gilmar Carvalho teve ontem seu registro de candidatura à reeleição deferido pelo TRE por 5 x 0.

Nas eleições deste ano, são quase 25 mil candidatos que vão disputar cerca de 1.709 vagas para os cargos de presidente, governador, senador, deputados federais, estaduais e distritais. Em Sergipe, são cerca de 300 candidatos na disputa.