O dilema de João

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Publicada em 01/04/2014 às 00:50:00

Após duas derrotas consecutivas para o Governo do Estado, em 2006 e 2010, os sergipanos pensavam que o ex-governador por três vezes João Alves Filho (DEM) ia pendurar as chuteiras da política.

Animado com os graves problemas da saúde e de mobilidade urbana, que o então governador Marcelo Déda (PT) e o prefeito aliado Edvaldo Nogueira (PCdoB) não conseguiam resolver, provocando um grande desgaste político no bloco, João Alves viu a chance de ser prefeito de Aracaju em 2012 e, consequentemente, ser a PMA um trampolim para se chegar ao governo em 2014, que sempre foi o seu sonho.

Tanto é assim que João Alves não abriu mão de escolher José Carlos Machado (DEM) como seu vice. Machado sempre foi um amigo, correligionário e fiel escudeiro de João Alves, estando sempre ao seu lado na vida pública. Ou seja, é uma pessoa da sua mais estreita confiança.
Agora está chegando a hora de João Alves tomar uma grande decisão política na concretização de um sonho em ser governador de Sergipe pela quarta vez. Isso mesmo, quarta vez, o que deve levar o prefeito ao recorde brasileiro de governar seu estado quatro vezes no caso de ser eleito no pleito deste ano.
Nessa sexta-feira, 4, termina o prazo final para desincompatibilização de cargos para quem pretende disputar um mandato eletivo nas eleições deste ano. E João Alves deve estar vivendo um dilema, pois seu objetivo inicial é renunciar à prefeitura para disputar o governo.

Só que nesses 15 meses de governo, João Alves não conseguiu fazer uma boa gestão. O líder do DEM, que foi eleito como a solução para os problemas de Aracaju, ainda não disse para que veio. Os problemas na saúde e mobilidade urbana continuam, foi quase um ano de buraqueira. Sem falar que boa parte das obras que vem inaugurando foi deixada pelo seu antecessor.
Não vai ser fácil para o próprio João Alves tomar uma decisão de renunciar ao mandato de prefeito. Ele sabe que apesar de liderar todas as pesquisas de intenções de votos, corre o risco de uma rejeição do povo que o elegeu para ser prefeito da capital. Sem falar que até agora JAF não vem recebendo criticas de nenhum grupo político, porque todos sonham em ter seu apoio nas eleições deste ano. Mas a partir do momento que decidir ser candidato, as críticas vão surgir de tudo o que é lado.

Ai, o desgaste será grande. Até porque ele não estaria renunciando a Prefeitura de Aracaju para realizar um sonho de governar seu Estado pela primeira vez, mas pela quarta vez, como se o Estado não tivesse outras lideranças capazes de fazer uma boa gestão.
Vai ser explorada a gestão a desejar de João Alves e o fato da renúncia do seu mandato. O que pode não ser bom, como não foi para José Serra (PSDB), que em 2004 foi eleito prefeito de São Paulo e com 15 meses de governo renunciou para disputar o governo.  Os paulistanos deram o troco para ele nas urnas, fazendo com que permaneça sem mandato até hoje.
Vamos aguardar a posição de João Alves, que vai levar as definições políticas...

Mais dúvidas 1
Até a semana passada poucos tinham dúvida de que João Alves Filho (DEM) permaneceria prefeito de Aracaju, por ser essa a vontade da sua família e por não ter conseguido fazer ainda uma boa gestão. De sexta-feira para cá aumentaram as dúvidas, com a vinda do arquiteto urbanista Jaime Lerner a Aracaju para apresentar os projetos de planejamento para o futuro da capital, com as diretrizes de ocupação urbana do Mosqueiro, ações para mobilidade urbana e a requalificação do Parque da Sementeira.

Mais dúvidas 2
Além disso, desde o fim de semana que o prefeito vem com uma agenda de inaugurações.  No domingo, lançou o projeto 'Caju Bike', na orla, com o serviço de aluguel compartilhado de bicicletas. Ontem inaugurou o Mercado do Conjunto Augusto Franco e a urbanização do Canal 5, e nesta terça-feira lança o projeto de plantio de 45 mil mudas na capital, até 2016.

Pela tangente
Ontem, à imprensa, João Alves reafirmou que só vai se pronunciar se permanece ou não na Prefeitura de Aracaju no prazo determinado pela legislação eleitoral, ou seja, no dia 4 de abril. Sem deixar qualquer pista de qual será a sua posição, o prefeito afirmou: "Cada dia com sua agonia".

Fato consumado
Como já tinha anunciado na quinta-feira passada, o presidente estadual do PSB, deputado federal Valadares Filho, os filiados do partido Elber Batalha, Belivaldo Chagas e Maurício Pimentel oficializaram ontem suas saídas das Secretarias de Turismo, Educação e Esporte junto ao governador Jackson Barreto (PMDB). Foi às 9h, durante audiência no Palácio de Veraneio, quando também entregaram os cargos Paulo Henrique Sobral (presidente da Emsetur), Armando Batalha Júnior (diretor-administrativo da Emsetur) e Edson Caetano (diretor do Banese).

Argumentos
Durante a entrega dos cargos, os socialistas explicaram que a posição não era pessoal, mas política. Foi dito que diante das indefinições políticas, o PSB deixava o governo para ficar à vontade para conversar com todo mundo sobre as eleições deste ano, inclusive, com o próprio Jackson.

Posição inicial
Na oportunidade, Jackson Barreto disse que gostaria que o PSB permanecesse no projeto e que estava satisfeito com a participação do partido no governo. Garantiu que não tomou nenhuma posição política sobre alianças e não nomearia substitutos até o fechamento das discussões.  Revelou que os adjuntos das Secretarias da Educação, Turismo e Esporte responderiam interinamente pelos cargos.

Cordialidade
Segundo Elber Batalha, todos os ex-secretários agradeceram o "gesto cortês" do governador e o apoio dado à gestão deles na pasta. Disseram que as portas do PSB continuam abertas.

Nota 1
Ontem o presidente de honra do PSB, o senador Valadares, saiu com uma nota sobre a saída oficial do partido do governo. Diz a nota: "O PSB sai do governo de fronte erguida. Belivaldo (Secretário da Educação), Elber (Secretário de Turismo) e Maurício (Secretário do Esporte) mostraram-se à altura de suas responsabilidades e orgulham o nosso partido. Os nossos secretários, diretores e assessores cumpriram com dignidade os ideais do PSB e a delegação que lhes foi entregue pelo saudoso Governador Marcelo Déda".

Nota 2
Prossegue a nota: "Os ideais e princípios que nortearam a atuação do PSB no governo, com ética, honestidade e trabalho, qualquer que seja a decisão que iremos assumir no dia 11/4, continuarão a ser a nossa bandeira de luta. Devo registrar, por um dever de justiça, que o governador Jackson Barreto sempre portou-se de forma cordial e atenciosa com os secretários do PSB, dando-lhes todo apoio necessário para o bom desempenho de suas atividades administrativas".

Nota 3
Finaliza a nota: "O importante é que o PSB deixou inscrita na história do governo que ajudamos a edificar pelo voto livre da população, a marca da competência, da seriedade e da lealdade à causa pública. Os cargos são passageiros, mas é permanente a fidelidade aos valores que constroem uma verdadeira democracia".

E agora?
Os deputados Goretti Reis (DEM), Augusto Bezerra (DEM) e Adelson Barreto (PTB) assinaram junto com os 11 parlamentares da bancada governista um documento pedindo a urgência na tramitação do ProRedes (Programa de Fortalecimento das Redes de Inclusão Social e de Atenção à Saúde). Isso porque o projeto foi encaminhado pelo Poder Executivo ao Poder Legislativo desde agosto do ano passado e permanece na gaveta da presidente da Casa, Angélica Guimarães (PSC), nesses sete meses.

Novo apelo
Com as 14 assinaturas para tramitação do ProRedes, o líder do governo na Assembleia, Francisco Gualberto (PT), apelou ontem ao senador Eduardo Amorim (PSC), a presidente da Assembleia e ao líder da oposição Venâncio Fonseca (PP) que permitam a tramitação do projeto que possibilitará ao governo contratar operação de crédito no valor de R$ 250 milhões junto ao BID para investimentos na área de saúde pública. Disse que o banco estabeleceu a data de 11 de abril como prazo limite para a apresentação da Lei autorizativa sancionada, bem como a documentação necessária para a contratação do empréstimo.

Feito tudo
Gualberto disse que não sabe por que o projeto permanece engavetado, uma vez que os dois pontos que foram questionados pela oposição foram acatados pelo governo e já encaminhados à Assembleia. Revela que a oposição questionou um remanejamento de 25% dos recursos, que foi retirado, e foi colocado um artigo estabelecendo que qualquer alteração no projeto será submetida à Assembleia Legislativa.
CPI da Petrobras
Do senador Valadares (PSB) sobre nota publicada na Veja dizendo que Eduardo Campos teve de suar para convencer ele a apoiar a CPI da Petrobras, porque tem como suplente o ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra, que usou sua influência sobre fornecedores da empresa para financiar a campanha da chapa: "Sempre defendi a CPI como um instrumento legítimo de investigação do Legislativo numa democracia. Por isso, a CPI da Petrobras jamais seria barrada por falta de minha assinatura. Assinei-a, e afirmo que não recebi pressões para fazer o contrário. Fiz porque considerei do meu dever apoiá-la, haja vista o posicionamento público do líder no Senado, Rodrigo Rollemberg, que disse, falando em nome de todos nós, que a nossa bancada marcharia unida quanto ao requerimento da CPI, bem como pela orientação política do PSB Nacional".

Protesto
Servidores do Samu Estadual que se encontram em greve ocuparam as galerias da Assembleia Legislativa durante a sessão de ontem e na hora em que o deputado Francisco Gualberto (PT), líder do governo, discursava na tribuna eles protestaram dando às costas ao parlamentar. Só que Gualberto não deixou por menos. "Quem observa os fatos de costas, vê as coisas com os olhos que enxergam menos", filosofou o parlamentar.

Protesto 1
O protesto do pessoal do Samu, segundo os representantes do sindicato da categoria, é porque o Plano de Cargos e Salários dos servidores estaduais enviado à Assembleia não contempla muitos deles que são celetistas. Já os servidores representados pelo Sintrase ficaram satisfeitos com o plano enviado por Jackson Barreto e já tramitando na Assembleia. "É o começo de um sonho sendo realizado", definiu o sindicalista Waldir Rodrigues.

Curtas

A presidente da Assembleia, Angélica Guimarães, disse ao líder do Governo Francisco Gualberto, que nessa quarta-feira dará uma posição sobre a tramitação ou não do ProRedes.

O senador Eduardo Amorim teve uma agenda intensa no final de semana. Visitou as cidades de Rosário do Catete, para inaugurações, e Muribeca, por conta da Emancipação Política do município.  Esteve acompanhado dos prefeitos Laércio Passos e Fernandinho Franco, além dos deputados federais André Moura e do deputado estadual Zeca da Silva.

Eduardo Amorim e André Moura foram ainda no sábado a Colônia 13, em Lagarto, concederem entrevista a Rádio Comunitária 13 FM 104,9. E ainda a Laranjeiras para visita a feira. Depois foram à casa do deputado estadual Paulinho das Varzinhas.

O deputado federal Laércio Oliveira esteve no lançamento do livro "Ribeiro Nardes: uma família do Brasil" , de João Augusto Ribeiro Nardes, ministro presidente do Tribunal de Contas da União.