Um quadro difícil

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Publicada em 29/03/2014 às 00:45:00

O PSB, liderado em Sergipe pelos Valadares, não está em uma situação política confortável no Estado por conta das pressões do presidente nacional do partido, Eduardo Campos, em torno da sua candidatura a presidente da República.  

Após 20 anos integrando o mesmo bloco político, o PSB deixa oficialmente o governo que ajudou a eleger nessa segunda-feira, quando os três secretários - Belivaldo Chagas (Educação), Maurício Pimentel (Esporte e Lazer) e Elber Batalha (Turismo) - vão entregar os cargos. Assim como a relação dos comissionados nomeados pelo partido.

Se o prefeito João Alves (DEM) permanecer na prefeitura e vir a apoiar a reeleição do governador Jackson Barreto (PMDB), como parece, só restará ao PSB duas opções: a candidatura do senador Valadares ao governo ou uma composição com o concorrente de JB, o senador Eduardo Amorim (PSC). Essas duas opções podem deixar o partido em dificuldades.

Como o próprio Valadares já disse, em Sergipe, nas eleições deste ano, não tem espaço para uma terceira via. Com isso, fica difícil a sua candidatura ao governo sem uma aliança com grandes partidos e lideranças. Até porque terá pouco tempo de televisão e dificuldade de legenda para garantir com tranquilidade a reeleição do deputado federal Valadares Filho e voltar a ter uma bancada na Assembleia Legislativa.  
Sem falar que não terá nem discurso contra o candidato governista, pois fez parte desse governo até esta semana, sendo, portanto, responsável por tudo de bom e ruim.

Esta semana, em Brasília, Valadares Filho conversou com o presidente estadual do PDT, o prefeito Fábio Henrique (Socorro), e com o presidente de honra do PRB, o prefeito Heleno Silva (Canindé). Falou sobre a possibilidade de uma composição. Só que o PRB, se não mudar de ideia, apoia a reeleição de Jackson e o PDT está entre JB e Amorim.

A opção de aliança com o senador Amorim seria mais vantajosa eleitoralmente, pois o PSB teria espaço na chapa majoritária, uma legenda viável para Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, e um palanque forte para Eduardo Campos. O problema é a rejeição de algumas lideranças do próprio partido a essa aliança.

No programa de George Magalhães, na Mix FM, o vereador Lucas Aribé (PSB), por exemplo, chegou a declarar que o seu partido terá que ter muito cuidado com quem vai se aliar, se não for com Jackson Barreto. Já o ex-prefeito de Simão Dias, Zé Valadares, foi mais taxativo. Disse: "Não tem castigo que faça o PSB se unir com o PSC, principalmente em Simão Dias". Zé Valadares perdeu a eleição de prefeito, em 2012, para Marival Santana (PSC), que é seu adversário político.
No próximo dia 11 de abril, durante Encontro Estadual, o PSB deverá decidir sobre qual caminho seguir nas eleições deste ano. Terá condições de fazer isso porque, nessa data, já será de conhecimento público a decisão de João Alves de renunciar ou não ao mandato, em 4 de abril, para concorrer ao governo.
Na possibilidade remota de João Alves ser candidato a governador, o seu palanque para o Planalto será o do presidenciável Aécio Neves, por ter compromissos com o PSDB. E mesmo ele não sendo candidato, deve apoiar também o candidato tucano para presidente, o que inviabiliza a possibilidade de uma composição do PSB com o DEM, já que o PSB tem de fazer um palanque competitivo para o candidato desagregador Eduardo Campos.

Trocando em miúdos, o PSB, que é um partido bem estruturado em Sergipe, com lideranças expressivas e sempre participando das chapas majoritárias nas eleições dos últimos 20 anos, atravessa uma maré não muito favorável. O clima é de muita apreensão, nesse momento de indefinições.
Sem falar que o partido vai entregar todos os cargos comissionados, deixando muita gente do seu grupo político desempregada. O que não é bom politicamente para o PSB...

Sem agenda
Até ontem, às 18h, não estava agendado a hora e o dia em que o governador Jackson Barreto (PMDB) receberá os secretários do PSB e dirigentes de órgãos do segundo escalão para que entreguem oficialmente os cargos e prestem contas das suas ações. Isso ficou acertado na reunião que o presidente estadual do PSB, Valadares Filho, teve com o próprio Jackson, no final da tarde da última quinta-feira.  
Fato consumado
Como já era esperado, a presidente da Assembleia Legislativa, Angélica Guimarães (PSC), foi a única inscrita para a nova vaga de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE), aberta desde dezembro do ano passado, com a aposentadoria compulsória do conselheiro Reinaldo Moura, por completar 70 anos. O prazo terminou ontem, ao meio-dia.
Recuo
O deputado estadual Luiz Mitidieri (PSD), que tinha pretensões de ser candidato, já tinha desistido recentemente da disputa. Já o deputado Garibaldi Mendonça (PMDB), que também desejava concorrer ao cargo, acabou não consolidando sua candidatura. Chegou a declarar que não seria empecilho para o consenso.

Por consenso
O nome de Angélica já era consenso não só na bancada de oposição, quanto de situação.  Tanto é que quando acontecer a eleição, ainda a ser marcada, a candidata será eleita conselheira com a unanimidade dos 24 deputados estaduais. A lista foi assinada por 17 deputados, sendo 14 da oposição e três do governo.

Na lista
Pela bancada governista, assinaram a lista apoiando o nome de Angélica para o TCE os deputados Zezinho Guimarães (PMDB), Jefferson Andrade (PSD) e Gustinho Ribeiro (PSD).

Mais na frente
O próximo passo agora será marcar a data para que Angélica Guimarães, a futura conselheira do TCE, seja sabatinada. Só então será definida a data da eleição, que deve demorar.

Ciente
O vice-presidente da Assembleia Legislativa, Zé Franco (PDT), já sabe que a futura conselheira deverá protelar todo o processo para o TCE de modo que só em novembro, após as eleições deste ano, ela renuncie ao mandato de deputada e presidente da Assembleia. A razão seria não confiar nele, que sempre foi fiel ao grupo, para presidir o Poder Legislativo neste ano eleitoral.   

Na Assembleia
O governador Jackson Barreto (PMDB) enviou ontem para a Assembleia Legislativa o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) para os servidores públicos civis do Estado de Sergipe. O PCCV beneficia os chamados "barnabés" do Estado.

O tempo
Para que possa ser implementado ainda este ano o PCCV, a presidente da Assembleia tem de colocar na pauta das comissões temáticas e do plenário a discussão e votação do plano, uma vez que a legislação eleitoral só permite reajuste para servidores até seis meses antes das eleições. Portanto até 7 de abril.

ProRedes
Também ontem o governou reenviou para a Assembleia o novo ProRedes, especificando os recursos destinados para a saúde.  Na gaveta da presidência da Casa desde agosto do ano passado, o programa consiste no financiamento de U$ 100 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e U$ 40 milhões em contrapartida do Governo do Estado para fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Pegou mal
O prefeito João Alves (DEM) sofreu ontem mais um desgaste político. Foi por conta da grande repercussão negativa, a nível nacional, de uma matéria exibida no Bom Dia Brasil, da Rede Globo, falando da exigência do fardamento com a logomarca da gestão atual, na Escola Municipal Professor Diomedes Silva Santos. A matéria foi duramente criticada pelo jornalista Alexandre Garcia.

O ataque
De Alexandre Garcia, sobre a matéria em que as mães diziam que só foi dada uma camisa para cada aluno e por conta disso seus filhos estavam indo para a escola com a farda suja ou perdendo aula para poder lavá-la: "Estão usando o público com interesses pessoais, indo contra o que a Constituição diz que a administração tem que ser impessoal. É projetar isso no uniforme das crianças, como se fosse camisa de atleta com a propaganda do nome do patrocinador. É como se dissesse que quem não veste a camisa do prefeito não pode entrar na escola".

Surpreso
Em entrevista a imprensa, João Alves disse que viu a matéria e ficou "transtornado". Ressaltou que foi um caso isolado e que vai punir quem está exigindo o uso de farda com a logomarca do seu governo.

Veja essa...

Do deputado estadual Zezinho Guimarães (PMDB) sobre uma possível aliança do seu partido com o DEM nas eleições deste ano: "Sou peemedebista demista".

Curtas

Jackson Barreto visitou ontem a SABE alimentos na companhia do ex-governador tucano Albano Franco e do empresário Ricardo Franco. Foi conhecer o processo de produção e distribuição dos produtos.

O deputado federal Fábio Reis (PMDB) solicitou ao governador o retorno do Instituto de Identificação para Lagarto, por considerar de grande importância para a população a emissão de carteira de identidade no município.

Curiosidade: Angélica Guimarães será mais um membro da Corte de Contas, que passou pela presidência da Assembleia. O atual conselheiro Ulices Andrade também foi presidente da AL, assim como o ex-conselheiro Reinaldo Moura.

O pré-candidato a senador do PT, deputado federal Rogério Carvalho, foi ontem a Propriá. Almoçou na casa de Paulinho Campos com o ex-prefeito Renatinho e vários companheiros do município.

A próxima semana será decisiva na política sergipana, com o prazo final para desincompatibilização de cargos sendo na próxima sexta-feira, 4 de abril.